Não é SOPA! Contra a censura na internet

Já imaginou você entrar em um blog e se deparar com esta cena?
Hoje vários sites americanos, como por exemplo: Wikipédia, Google e WordPress, realizaram uma espécie de “blackout”, ficando fora do ar. Tratou-se de um protesto contra duas propostas de leis, que estão sob análise no Congresso dos Estados Unidos da América, e que permitirão censurar e reprimir a disseminação de informações livremente pela rede.
Se as propostas de lei “Stop Online Piracy Act” (SOPA) ou a “Preventing Real Online Threats to Economic Creativity and Theft of Intellectual Property Act” (PROTECT IP ou PIPA) forem aprovadas, elas irão limitar a liberdade ao acesso a informações na internet e isso afetará não somente os EUA, mas a todo o mundo.
Usa a internet? Então é do seu interesse saber do que trata, para ao menos posicionar-se em relação a esses projetos, que na minha opinião cercearão a liberdade. Que saber mais, acesse:
MEGA NÃO – Diga não ao Vigilantismo http://meganao.wordpress.com/
Blogs verdes: uma reflexão necessária
O uso do computador e da internet cada vez mais facilita o acesso a informação, este é encarado como um ponto de um novo espaço, o ciberespaço. As informações contidas nos computadores em todo o mundo, no ciberespaço, possibilitam aos usuários um acesso a novos mundos, novas culturas, sem a locomoção física. Com todo este armazenamento de textos, imagens, dados, etc. fonte: Wikipédia.
Algumas estatísticas, dados e projeções atuais sobre a Internet no Brasil demonstram que possuímos 60 milhões de computadores em uso, este ano devemos chegar a 100 milhões. O percentual de brasileiros conectados à internet aumentou de 27% para 48%, entre 2007 e 2011, sendo que o principal local de acesso é a lan house (31%), seguido da própria casa (27%) e da casa de parente de amigos com 25%. O Brasil é o 5º país com o maior número de conexões à Internet.

Blogs verdes brotando...
No ciberespaço, a blogosfera possui muitos blogs verdes, sejam eles escritos por pessoas, ou mantidos por empresas ou ONGs, cujo eixo temático gira em torno de assuntos como: meio ambiente, sustentabilidade, educação ambiental… Não acho isso ruim, a questão é pouca crítica em que esses assuntos são abordados, e essa é a minha maior crítica: Na internet, onde poderíamos estar num ambiente democrático, incentivando a disseminação de informações mais críticas… Ocorre, na maioria das vezes, a reprodução de ideias em geral consensuais, hegemônicas e tendenciosas. Por isso escrevo esse post, que é um chamado a construção de uma visão mais crítica, visando tornar o debate mais interessante.
Acredito que temos que usar o ciberespaço, onde as idéias circulam e as opiniões se constroem, de maneira menos reprodutora, isto é, por em evidência alguns lados do problema que em geral não são explorados pela grande mídia e deixar que as pessoas que se interessam pelo tema, construam suas próprias opiniões. Já imaginaram se não for evidenciado o outro lado do problema, contexto, notícia e/ou informação? Como as pessoas alcançarão outro modo de pensar, se apenas houver a reprodução… Como haverá opinião no consenso, se apenas estivermos reproduzindo o que a grande mídia, grandes empresas e governos já o fazem?
Se usarmos o ciberespaço, apenas para reproduzir uma ideologia dominante e hegemônica, não vamos conseguir alcançar o que em tese almejamos: uma sociedade com menor risco socioambiental. Ao reproduzirmos ideias consensuais, que não tem em sua origem a expectativa de um contraponto, nossos blogs estarão apenas realizando uma reprodução cultural e social de uma ideologia verde, criada para no consenso não haver um debate. Não acredito que com nossos blogs mudaremos o mundo, mas ao menos devemos fazer um movimento de resistência, fazendo deles, um espaço reflexão.
Se há tantos “blogs verdes” brotando por aí, por que não realizar um movimento de contraponto? De certo que alguns o fazem, no entanto, alguns se tornam apenas reprodução, mais do mesmo. Se nós queremos que nossa atitude faça a diferença, a provocação é que, façamos diferente. Sejamos questionadores, críticos e mais profundos em nossas análises, vamos buscar o outro lado, o lado que nunca é revelado, ousando expor e expondo-nos também. Vamos nadar contra a corrente, desconfiar de discursos envolventes e soluções rápidas, não vamos deixar que as ideias sobre meio ambiente, sustentabilidade, educação ambiental e outros temas tão necessários, sejam apenas reproduzidas e nunca questionados.
Uma outra visão: ciência, tecnologia e meio ambiente
Há uma espécie de consenso entre muitos ambientalistas, quando o assunto é a questão da degradação ambiental, de que a ciência e tecnologia podem ser grandes mitigadores, restauradoras e até mesmo salvadoras de todos os nossos problemas. Podemos, por exemplo, analisar a questão do aquecimento global antrópico, cuja principal causa é a queima de combustível fóssil, emitida por indústrias e automóveis. Neste caso, é muito difundido que a substituição por meios de produção menos poluentes e a produção de carros elétricos, por exemplo, podem trazer a miraculosa solução para esta questão socioambiental.

Poderá haver algo mais sustentável que um volvo elétrico?
No entanto, há algumas reflexões que devemos fazer, antes de aceitar esse discurso. De acordo com Lima (2011) “ciência e tecnologia são, simultaneamente, parte do problema e parte da solução, ou seja, são criadoras de risco, mas também são indispensáveis à detecção e mitigação de seus efeitos nocivos” (p. 31). Ou seja, ciência e tecnologia assumem um papel ambíguo na crise ambiental, pois, por um lado elas podem multiplicar os impactos sobre o ambiente através da exploração econômica e agravar a situação da degradação, e por outro, ela pode promover e legitimar a divulgação de conhecimentos científicos de modo a reduzir esses problemas ambientais.
Ciência e tecnologia assumem dessa forma uma posição de não neutralidade, uma vez que elas encontram-se relacionadas a valores e interesses dominantes em uma determinada sociedade, servindo tanto para a mitigação de problemas ou destruição do ambiente. A visão de Mészáros (2011) sobre a questão ecológica é bem mais radical, assegurando o mesmo autor que acreditar que a “ciência e tecnologia podem solucionar todos nossos problemas a longo prazo é muito pior que acreditar em bruxas, já que tendenciosamente omite devastador enraizamento social da ciência e da tecnologia atuais” (p. 989). Para este autor a ciência e tecnologia estão estreitamente relacionadas a questão da maximização do lucro, e não da conservação ambiental.
A fala de Mészáros (2011) nos leva a uma visão mais ampla e pouco ingênua, de que mesmo em ocasiões em que a ciência e tecnologia, possam ser direcionadas a pesquisa e empregadas na mitigação dos problemas ambientais, com a criação de novas tecnologias menos poluentes, uma vez que elas se encontram associadas a questão econômica, fica difícil disassociá-la desses interesses, ou seja, toda ciência e tecnologia sempre estarão relacionadas a obtenção de lucros.
Voltando ao exemplo do aquecimento global antrópico, que foi citado acima, quer seja na produção de energia limpa, na busca de meios de produção de tecnologia verde, carros elétricos ou menos poluentes, a questão per si não é a ambiental e sim a econômica.
Referências citadas
LIMA, G.F.C. Educação Ambiental no Brasil: Formação, identidades e desafios – 1ªEd. Campinas, SP: Papirus, 2011
MÉSZÁROS, I. Para além do capital: rumo a uma teoria da transição. Tradução Paulo Cezar Castanheira, Sérgio Lessa. 1ª Ed. Revista São Paulo: Boitempo, 2011.
Os números do blog EA Crítica em 2011
Os “duendes de estatísticas do WordPress.com” prepararam um relatório para o ano de 2011, do blog Educação Ambiental Crítica
Aqui está um resumo:
A sala de concertos da Ópera de Sydney tem uma capacidade de 2.700 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 22.000 vezes em 2011. Se fosse a sala de concertos, eram precisos 8 concertos egostados para sentar essas pessoas todas.
Gostaria de agradecer as visitas, os comentários e a todos que acompanham o trabalho do blog em publicar artigos, dentro da perspectiva crítica em educação ambiental e outros temas de interesse socioambiental. Espero que em 2012, embora seja o ano de pesquisa e escrita da minha dissertação do mestrado, que eu possa estar produzindo textos com a mesma qualidade e periodicidade a qual me propus quando criei o blog. Um bom ano novo a todos!
Por qual educação ambiental?
Essa parece ser a pergunta que tem norteado meu pensamento em relação a minha prática em educação ambiental. Mais que isso, tem sido objeto de divulgação aqui no blog e objeto de pesquisa do meu mestrado. Afinal, por qual educação ambiental?
Por qual educação ambiental?
- Uma educação ambiental cuja proposta é a apenas a aquisição de princípios ecológicos gerais, que desejavelmente levem a mudanças comportamentais?
ou
- Uma educação ambiental que divulga uma nova ética ambiental, baseada em ideais coletivos e sociais, visando uma redefinição das relações ser humano x-natureza, a fim de romper com a ordem política, cultural e econômica dominante?
Percebemos, que dentro do que chamamos de “educação ambiental”, existe mais de uma possibilidade de pensar e fazer…
Segundo Guimarães (2007 p.35):
“Esta Educação ambiental tradicional [conservadora], não pode e/ou não quer perceber as redes de poder que estruturam as relações de dominação presentes na sociedade atual, tanto entre pessoas (relações de gênero, de minorias étnicas e culturais), entre classes sociais, quanto na relação norte-sul entre nações, assim como também entre relações de dominação que se construíram historicamente entre sociedade de natureza. São nessas relações de poder e dominação que podemos encontrar um dos pilares da crise ambiental dos dias de hoje.”
Percebe-se que, se realizada de maneira conservadora, a educação ambiental, não parte a questionamentos mais profundos, que permeiam reflexões a cerca das relações de poder e dominação que existem em nosso mundo. A questão é, será que se não formos as raízes do problema conseguiremos dar conta de evidenciar os verdadeiros pilares da “crise socioambiental”?
Segundo o mesmo autor, Guimarães (2000, p.17)
“Em uma concepção crítica de Educação Ambiental, acredita-se que a transformação da sociedade é causada e consequência da transformação de cada indivíduo, há uma reciprocidade dos processos no qual propicia a transformação de ambos. Nesta visão o educando e o educador são agentes sociais que atuam no processo de transformações sociais; portanto, o ensino é teoria/prática, é práxis. Ensino que se abre para a comunidade com seus problemas sociais e ambientais, sendo estes conteúdos de trabalho pedagógico. Aqui a compreensão e atuação sobre as relações de poder que permeiam a sociedade são priorizados, significando uma educação política.”
Agora é com vocês: Por qual educação ambiental?
Referências:
GUIMARÃES, M. Educação ambiental: no consenso um debate? Campinas, Papirus, 2000.
GUIMARÃES, M. A formação de educadores ambientais. Campinas, SP: Papirus (Coleção Papirus Educação) 2007, 171 p.







