Das dificuldades sobre a prática da Educação Ambiental

Projetos de Educação Ambiental devem estar relacionados, de acordo com LOUREIRO (2004), à tomada de consciência e de reflexões críticas necessárias a uma ação transformadora e emancipatória. Devem ser desenvolvidos em longo prazo e de forma permanente, com a finalidade de sensibilizar e transformar a comunidade envolvida em pessoas capazes de mudar suas posturas individuais, pois, os envolvidos deverão se tornar multiplicadores de ideias.

Esta prática pedagógica, segundo DUVOISIN (2002), surgiu como uma necessidade de mudança de paradigmas e de encarar o papel do ser humano na natureza, pois à medida que fomos nos distanciando desta, começamos a considerá-la apenas como um recurso disponível a ser transformado em bens de consumo.  Com isso, passou a surgir em nosso planeta os problemas socioambientais ameaçando a sobrevivência do mesmo.

Um efetivo projeto de Educação Ambiental é de difícil implantação, pois além dos pontos relacionados acima, requer profissionais e indivíduos envolvidos no processo, capacitados a entender todas as dimensões dos problemas socioambientais.

Segundo GUIMARÃES (2007), a prática dos projetos em educação ambiental é incipiente de interdisciplinaridade; centrada em perspectivas comportamentalistas e individualistas; meramente conteudista e informativa na transmissão de conhecimentos; e realizada pontualmente e sem uma abordagem contínua.

A análise dos problemas socioambientais, para a educação ambiental formal, de acordo com diversos autores,  já citados neste blog, deve ter como objetivo a compreensão do ambiente, em sua totalidade, considerando a interdependência entre o meio natural, social, econômico e cultural sob o enfoque da sustentabilidade. Esta prática não é simples, uma vez que esse processo esbarra em algumas dificuldades da própria organização das instituições de ensino, onde há a fragmentação dos saberes em disciplinas, o que torna difícil a tomada da consciência destas relações observadas no mundo.

Concomitante a esta falta de interdisciplinaridade, uma educação ambiental comportamentalista e individualista propõem que apenas algumas mudanças de atitude podem ser a solução para os problemas socioambientais. Isso se dá com a transmissão de uma série de conteúdos comportamentais “ecologicamente corretos” que visam mais informar do que por em prática a crítica e o pensamento da complexidade que envolve a questão ambiental.

Não estou dizendo que a sensibilização das pessoas seja dispensável, mas não é esse o único caminho. Apenas informar as pessoas para as mudança de atitude trás alguma visibilidade para os problemas ambientais, mas com certeza educação ambiental não é isso, é algo bem maior, mais complexo, mais pedagógico e duradouro.

Referências:

DUVOISIN, I. A. A Necessidade de uma visão sistêmica para a educação ambiental: conflitos entre o velho e o novo paradigmas. In: Aloísio Ruscheinsky. (Org.). Educação Ambiental: abordagens múltiplas. 1 ed. Porto Alegre: ArtMed, 2002, v. 01, p. 91-104.

GUIMARÃES, M. A formação de educadores ambientais. Campinas, SP: Papirus (Coleção Papirus Educação) 2007, 174p.

LOUREIRO, C. F. B Trajetória e fundamentos da educação ambiental. São Paulo: Cortez, 2004.

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6 opiniões sobre “Das dificuldades sobre a prática da Educação Ambiental

  1. Oi Barbara, vc se lembra de mim?
    Adorei esse seu texto!!! Voltarei mais vezes…
    E se me permite, gostaria de disponibilizar o link do seu blog lá no meu bloguinho de EA.
    Abraços
    Hegli

    • Olá Hegli,
      Lembro sim do sue blog!
      Obrigada pelo elogio, volte sim quantas vezes assim desejar! Quanto a disponibilizar o link pode fazê-lo, para mim é até um meio a mais de divulgar as ideias do EA crítica.
      abs
      Bárbara

  2. Oi Bárbara,
    Parabéns pelo site, sempre com uma linguagem clara e de agradável leitura sobre a EA crítica!
    Você poderia citar projetos que sejam ou foram desenvolvidos segundo os preceitos da EA crítica? Encontramos muitos deles na linha conservadora ou na pragmática (seguindo as macro-tendencias citadas por autores como Loureiro e Layrargues), mas poucos na vertente crítica, porque como você mesma disse, são projetos de difícil implantação.
    Espero que possa ajudar!
    Abraço,
    Flávia

    • Flavia
      Obrigada pelo cometário, mas sobre os projetos de EA Crítica essa é uma resposta que eu mesma estou em proceso de busca. Faz parte do meu projeto de mestrado entender como realizar a EA crítica,rs. Mas pelo que suponho qualquer prática pode ser desenvolvida na perspectiva critica, o que muda é a abordagem que você irá realizar.
      Um abraço
      Bárbara

  3. rsrs Obrigada Bárbara, é que trabalho com a disciplina de Educação Ambiental em curso superior. Em uma primeira parte da disciplina trabalhei conteudos como PNEA, conceitos importantes na EA (dialética, práxis, alteridade, etc), tendências em EA… Gosto muito de levar projetos para a sala de aula para podermos discutir e associa-los aos referenciais teóricos estudados. Na segunda parte da disciplina os alunos irão construir os próprios projetos.
    Bom trabalho na sua dissertação, já estou desde já aguardando a publicação!!! Abraço,
    Flávia

    • Flávia,
      Achei bem interessante essa forma de associar os projetos aos referenciais teóricos, mas como eu disse, acredito que qualquer projeto, mesmo os de coleta seletiva hehe, na minha opinião super pragmático, pode ser trabalhado na EA Crítica, desde que as discussões superem a mera separação do lixo por categorias e cores de lixeiras.
      um abraço,
      Bárbara

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