Mudanças de hábitos de consumo e de produção


Partindo do princípio que somos seres biológicos, temos necessidades básicas para a nossa sobrevivência: uso da água, ingestão de alimentos, proteção e abrigo… No entanto, como vivemos em sociedade, somos também seres sociais, e além das necessidades básicas, temos outros tipos de necessidades, variáveis de cultura para cultura, mas imprescindíveis como, por exemplo, estudo, arte, diversão, felicidade… consumo!

Os hábitos de consumo, também tem origens sociais, é parte, de um ato através do qual as pessoas expressam identidades individuais e do grupo. O problema surge, da maneira como se dá este consumo, muitas das vezes influenciado por uma forte propaganda e distorções de valores da chamada sociedade de consumo. É ai que começamos a perceber o enorme abismo entre o TER de poucos e o NÃO TER de muitos. Gastos anuais em itens considerados de luxo como perfumes, cosméticos, cruzeiros marítimos, superam em muito os investimentos em saúde reprodutiva para mulheres, erradicação da fome e má nutrição, alfabetização, água potável e vacinação de crianças.

Além do abismo social mencionado acima, devemos ter em mente as consequencias ambientais do atual alto padrão de consumo, que proporcionam problemas diretos, como por exemplo: a produção excessiva de lixo,  disseminação de doenças causadas por animais que vivem no lixo, poluição do solo, aumento da emissão de gases estufa, contaminação das águas subterrâneas… E como resolver esta questão afinal?

Quem pensa que a Reciclagem é a salvação do mundo… Está enganado! A reciclagem no fim das contas apenas reduz parcialmente a deposição final de algumas categorias do lixo no ambiente (os recicláveis), e não desacelera o consumo exagerado, até o incentiva, pois, alivia o “peso na consciência” de que parte do lixo que produzimos diminuirá, pois, será reciclado.

Outros diriam que a solução talvez seja o Consumo Sustentável, aliado a inovações tecnológicas, que poderá resolver a questão do lixo, mas isso não irá desacelerar a produção, mantendo o sistema de consumo atual em pleno vapor e mais uma vez aliviando o “peso na consciência”. Está linha do consumo consciente por não ser contra-hegemônica é amplamente divulgada nos meios de comunicação.

Há os que acreditam, como eu, que a Redução do Consumo é o primeiro passo, e que a questão da geração do lixo é cultural, não podendo ser encarada como apenas um assunto técnico ou com paliativos como os até então apresentados a grande parte dos consumidores. No entanto, esse pensamento é contrário ao sistema de consumo, e ataca diretamente o capitalismo, pois uma vez que haja a redução do consumo a cadeia produtiva não se sustenta.

Não estou dizendo que é fácil reduzir o que compramos, ou mesmo filtrar o que realmente precisamos, diante dos apelos midiáticos e propagandísticos, que a sociedade do consumo praticamente nos faz engolir o tempo todo. Mas fica neste post um tema instigante de uma proposta de sairmos da nossa zona de acomodação e consumo, e que possamos pensar e fazer algo que seja diferente do que nos é imposto.

Três reflexões sobre Educação Ambiental e um pensamento


Reflexão 1: Às vezes me questiono, se existe uma diferença entre os professores que trabalham com Educação Ambiental dos Educadores Ambientais. Na minha opinião, há uma diferença entre os dois tipos, pois somente a sensibilidade aos temas ambientais, força de vontade por parte do docente em trabalhar temas ecologicamente corretos, a realização de um adestramento verde e usar palavras bonitas como sustentabilidade e interdisciplinaridade em seu discurso corrente e ser reconhecido como “aquele professor” que desenvolve projetos em educação ambiental pelos demais colegas,  não irá proporcionar uma alteração relevante na atual crise socioambiental. Logo, professores que trabalham com Educação Ambiental estão longe de serem Educadores ambientais.

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Reflexão 2: Ao trabalharmos com Educação ambiental devemos considerar o olhar dos grupos envolvidos, pois, temos que entender quais representações sociais, norteiam o pensar e o agir desses grupos, diante de suas realidades. Portanto, ao iniciarmos uma proposta de EA, é importante que entendamos as diferentes percepções e representações dos envolvidos, em relação ao meio ambiente, em relação ao mundo e em relação à própria Educação Ambiental, sempre considerando e nunca excluindo visões que a principio pareçam divergentes ou mesmo equivocadas. Assim, ao compreendermos que trabalhamos com diferentes realidades e diferentes sujeitos, conseguimos realizar uma Educação Ambiental que considere as diferentes visões de mundo, em relação ao ambiente, as religiões, ao passado e história, as classes sociais e a culturas diferentes.

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Reflexão 3: O trabalho de Educação Ambiental deve estar imerso em uma proposta que considere as questões ambientais e as contextualize em relação ao processo social, histórico, político e cultural. Assim o trabalho de EA visará estabelecer subsídios para que os sujeitos envolvidos possam se situar como cidadãos integrantes de um meio social, haja vista que somos seres sociais e como integrantes de um meio natural, pois também somos seres biológicos, sem é claro dicotomizar estas duas visões. A EA deve também favorecer o desenvolvimento de um posicionamento crítico, tornado os sujeitos envolvidos em cidadãos capazes de rediscutir valores existentes em sua realidade, muitas das vezes impostos por uma cultura vigente, além propor alternativas aos problemas, incentivando a participação popular e o protagonismo social.

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Pensamento: “Nunca duvide que um pequeno grupo de cidadãos preocupados e comprometidos possa mudar o mundo; de fato, é só isso que o tem mudado” Margaret Mead (antropóloga)

Da importância dos Encontros, Congressos, Fóruns…


Para os acadêmicos e aqueles que fazem da Educação Ambiental uma prática, os Encontros, Congressos, Fóruns entre outros eventos são sempre uma oportunidade de mostrar o seu trabalho e ideias, e de conhecer, através de outros outros pesquisadores novos trabalhos e formas de abordagem nesta temática.

Visando esta troca, estarei participando do V EREBIO – Encontro Regional do Ensino de Biologia, em Vitória nos dias 11, 12 e 13 de Agosto na UFES – Universidade Federal do Espírito Santo, apresentando o trabalho: “A formação do Espaço Livre de Organização de ações socioambientais locais do Colégio Estadual Yonne Maria Siqueira de Andrade e a construção participativa da agenda 21 escolar. Nova Iguaçu, RJ.

O trabalho visa relatar a formação do Espaço Livre de Organização de Ações Socioambientais Locais – o ELO 21 Yonne – no Colégio Estadual Yonne Maria Siqueira de Andrade, localizado no Município de Nova Iguaçu. O ELO 21 Yonne teve como objetivo a construção participativa da Agenda 21 do Escolar, através do diagnóstico socioambiental realizado pelos estudantes envolvidos neste processo. Além da formação do ELO 21, tivemos como produto final obtivemos a Agenda 21 da instituição, com propostas de solução ou mitigação dos problemas socioambientais, através de projetos de Educação Ambiental.

Para quem quiser saber mais sobre o trabalho e das práticas realizadas pelo ELO 21 Yonne, visite o blog, cujo objetivo é divulgar a Agenda 21 Escolar e as ações em Educação Ambiental do Espaço Livre de Organização de Ações Sócioambientais – o ELO 21 Yonne – do C.E. Estadual Yonne Maria Siqueira de Andrade:

Espero que gostem dos relatos do blog e de um pouco do que venho colocando em prática (ou tentando) em relação aos Projetos de Educação Ambiental no Colégio Estadual onde trabalho.