Três reflexões sobre Educação Ambiental e um pensamento

Reflexão 1: Às vezes me questiono, se existe uma diferença entre os professores que trabalham com Educação Ambiental dos Educadores Ambientais. Na minha opinião, há uma diferença entre os dois tipos, pois somente a sensibilidade aos temas ambientais, força de vontade por parte do docente em trabalhar temas ecologicamente corretos, a realização de um adestramento verde e usar palavras bonitas como sustentabilidade e interdisciplinaridade em seu discurso corrente e ser reconhecido como “aquele professor” que desenvolve projetos em educação ambiental pelos demais colegas,  não irá proporcionar uma alteração relevante na atual crise socioambiental. Logo, professores que trabalham com Educação Ambiental estão longe de serem Educadores ambientais.

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Reflexão 2: Ao trabalharmos com Educação ambiental devemos considerar o olhar dos grupos envolvidos, pois, temos que entender quais representações sociais, norteiam o pensar e o agir desses grupos, diante de suas realidades. Portanto, ao iniciarmos uma proposta de EA, é importante que entendamos as diferentes percepções e representações dos envolvidos, em relação ao meio ambiente, em relação ao mundo e em relação à própria Educação Ambiental, sempre considerando e nunca excluindo visões que a principio pareçam divergentes ou mesmo equivocadas. Assim, ao compreendermos que trabalhamos com diferentes realidades e diferentes sujeitos, conseguimos realizar uma Educação Ambiental que considere as diferentes visões de mundo, em relação ao ambiente, as religiões, ao passado e história, as classes sociais e a culturas diferentes.

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Reflexão 3: O trabalho de Educação Ambiental deve estar imerso em uma proposta que considere as questões ambientais e as contextualize em relação ao processo social, histórico, político e cultural. Assim o trabalho de EA visará estabelecer subsídios para que os sujeitos envolvidos possam se situar como cidadãos integrantes de um meio social, haja vista que somos seres sociais e como integrantes de um meio natural, pois também somos seres biológicos, sem é claro dicotomizar estas duas visões. A EA deve também favorecer o desenvolvimento de um posicionamento crítico, tornado os sujeitos envolvidos em cidadãos capazes de rediscutir valores existentes em sua realidade, muitas das vezes impostos por uma cultura vigente, além propor alternativas aos problemas, incentivando a participação popular e o protagonismo social.

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Pensamento: “Nunca duvide que um pequeno grupo de cidadãos preocupados e comprometidos possa mudar o mundo; de fato, é só isso que o tem mudado” Margaret Mead (antropóloga)

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8 opiniões sobre “Três reflexões sobre Educação Ambiental e um pensamento

  1. Pingback: “Não existe mundo sem homem” | Educação Ambiental Crítica

  2. Programas ambientais como este são excelentes para o desenvolvimento de pesquisa voltada ao estudo da percepção ambiental dos participantes, como, por exemplo, está desenvolvendo a Federação da Agricultura do Estado do Espírito Santo (FAES), com o apoio do NEPA (grupo sem fins lucrativos), que tem como objetivo a análise da percepção ambiental do produtor rural do Estado.

    Núcleo de Estudos em Percepção Ambiental / NEPA
    roosevelt@ebrnet.com.br

    • Com certeza Rosevelt, a consideração da Percepção Ambiental dos envolvidos em projetos de educação ambienta pode ser decisiva para o sucesso ou fracasso do mesmo. Na minha opinião não devemos usar “Programas Prontos” em Educação Ambiental pois cada público e região exigem uma especificidade, e começar pela análise das representações sociais do grupo é um bom começo.

  3. Prezada Bárbara
    Nossas pesquisas (NEPA) evidencuiam – sem que isso seja entendido como identificou de erros – que a EA do século XX tem que passar por uma profunda reflexão de modo que – aprimorando as bases da EA de hoje – possamos estruturar a necesssária EA do século XXI. Programas de EA sem avaliação efetiva de sua eficácia – ou seja, verificar se houve, realmente, um aumento do nível da percepção ambiental do segmetno envolvido no programa – situação que atualmente muito pouco se faz. Não basta oferecer EA (visão predominante do século XX); há que se oferecer EA e comprovar que efetivamente houve mudança na forma de pensar dos envolvidos (a nova EA do século XXI). A variável “tempo” cada vez mais conta contra nós; dai a necessidade da adoção do termo “eficácia”. No século XX já fomos plenamente “eficientes”. Sei qeu isso desagrada a muitos “especilaistas em EA”, mas eles não tem dados para contropôr a realidade; apenas, como dizem, “longa experiência na área”. Por este motivo é que adotamos o termo “reflexão”, ou seja, uma reavaliação da “experiência pessoal” à luz do interesse de caminharmos todos para um mesmo objetivo comum.

    Núcleo de Estudos em Percepção Ambiental / NEPA
    roosevelt@ebrnet.com.br

    • Caro Rosevelt,

      Acredito que a EA veio desenvolvendo um corpo teórico e prático desde o seu pensar e despertar em Tibilisi 1977, se considerarmos essa data como marco histórico de início da EA, ela pode ser considerada uma “modalidade” de abordagem educativa relativamente nova. Logo a EA do Século XX que você citou, foi carente de um arcabouço teórico definido, pois como começou-se a pensar sobre e como fazê-la. Acredito, no entanto, que para o Século XXI devemos de posse de alguma experiência acumulada, por em prática o que deu certo e deixar de lado o que não deu.
      E basicamente na minha visão, os diagnósticos socioambientais são necessários para se iniciar qualquer projeto; a consideração dos saberes e ideias dos envolvidos; a sensibilização inicial e informação sobre os problemas que atingem o grupo envolvido; e por último mobilização social para a ação nos projetos. Concordo, também sobre a importância de realizar as avaliações para constatar se houve, realmente, um aumento do nível da percepção ambiental do segmento envolvido no programa, caso contrário não estaremos alcançando os objetivos básicos pretendidos.

  4. Prezada Bárbara.

    De pleno acordo; realmente se faz necessário que se faça uma profunda reflexão da EA do século XX para aprimorar (ainda mais) os pontos positivos. Entre outros, sustentar a estruturação de progrmas de EA não mais tensdo como base o que o “especialista” considera que a sociedade “precisa”, mas sim “ouvir a sociedade” de modo a aprimorar a eficácia de tais progrmas. O Instituito Estadual de Meio Ambiente (IEMA / SEAMA – Esatdo do Espírito Santo) já adota – bia Instrução Normativa esepcefícica – o uso dos estudos de percepção ambiental nos processos de licenciamento. Temos um grato prazeer em ter contribuído para isso.

    Roosevelt
    NEPA
    roosevelt@ebrnet.com.br

    • Caro Rosevelt,
      Aqui no Rio de Janeiro o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) começou a desenvolver em 2009, um Programa de Aperfeiçoamento de professores da Rede Estadual de Ensino o “Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar: Formando Elos de cidadania”. Acredito eu, ter sido uma das primeiras políticas públicas do órgão em grande escala na formação continuada com esta temática de EA. Eu como professora já possuía um interesse, e com este curso iniciei meus estudos sobre EA. Aí no ES como são as políticas públicas para EA além de dos estudos de percepção ambiental o qual você participa? Fiquei sabendo de um concurso da Prefeitura do ES abrir vagas para Técnico em EA? Acha válido técnicos em EA? Qual a formação exigida para o cargo?

      att.

  5. Não conheço esta informação, mas vou procurar dados que possam responder ao seu questionamento. As iniciativas de “reflexão” sobre a EA que precisamos (não apenas “a que temos”) são muitas. Ao meu ver, deveriam estar formalmente ligadas em uma ação única. Quem sabe, um evento nacional onde o tema “EA no século XXI” pudesse ser o fator centreral da discussão.

    Roosevelt
    NEPA
    roosevelt@ebrnet.com.br

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