“Não existe mundo sem homem”

Livro Pedagogia do Oprimido, grande clássico de Paulo Freire.

Paulo Freire nos conta em seu livro Pedagogia do Oprimido, que em um de seus “círculos de cultura” em um trabalho realizado no Chile, que um camponês o fez descobrir, que “Não existe mundo sem homem”, este camponês definiu o conceito antropológico de cultura, mesmo que de maneira simples, mas arrebatadora ao então professor Freire. O diálogo pode ser lido na transcrição do livro abaixo, quando o Educador lhe disse:

“Admitamos, absurdamente, que todos os homens do mundo morressem, mas ficasse a terra, ficassem as árvores, os pássaros, os animais, os rios, o mar, as estrelas, não seria tudo isto mundo?”

Daí o camponês responde enfático: “Faltaria quem dissesse Isto é mundo.”

O que camponês quis dizer, exatamente é que faltaria a consciência do mundo que, necessariamente implica o mundo da consciência.

Este trecho me faz refletir minha prática docente, me relação a considerar mais o que o outro tem a dizer, mesmo que este saber, não seja um saber acadêmico ou mesmo letrado. Em Educação Ambiental a via proposta, deve ser sempre a do diálogo, e indo além sempre posta em relação ao cotidiano do educando, como propunha Freire em seus círculos de cultura.

Do que adianta debates sobre os grandes temas ambientais, abstratos para a grande maioria das pessoas, e ignorar o cotidiano e o particular. Querer mudar o mundo sem se transformar as realidades mais próximas dos sujeitos.

Voltando ao camponês, lembro as não poucas vezes em que aprendi muito, com os relatos de docentes durantes algumas aulas em que eu propunha debates sobre as realidades em que vivem meus alunos, deixando-os mais falar do que eu mesma, não intervindo de maneira a tolher suas percepções de mundo.

É um primeiro passo, e isso já foi dito neste blog, que ao trabalharmos com Educação ambiental devemos considerar o olhar dos grupos envolvidos, pois, temos que entender quais representações sociais, norteiam o pensar e o agir dos grupos, diante de suas realidades.

Reafirmo a posição sábia do Camponês em que “Não existe mundo sem homem” e não existe Educação Ambiental sem prática social, analisando o modo em que nós organizamos e vivemos em sociedade, como compreendemos a natureza e o mundo, sem reflexões sobre a realidade cotidiana, sem ação crítica, política e de conscientização coletiva, sem embate de ideias, sem resolução dos conflitos sociais e sem a busca pela justiça social.

Referência:

Freire, P. Pedagogia do Oprimido. São Paulo: ed. 47 Paz e Terra, 2008.

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4 opiniões sobre ““Não existe mundo sem homem”

  1. Olá amigos, deixo aqui a minha dica:
    A Rede de Popularização da Ciência e da Tecnologia da América Latina e do Caribe (Red-POP) recebe até 15 de novembro, propostas de trabalho para a 12ª Reunião Bienal que acontece no Brasil, organizada pelo Museu Exploratório de Ciências (MC), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), de 29 de maio a 2 de junho de 2011.
    Com o tema “A profissionalização do trabalho de divulgação científica”, o encontro aceitará tanto trabalhos de pesquisa, de caráter acadêmico, quanto de profissionais da área, interessados em relatar suas experiências. Cinco eixos temáticos vão nortear a 12ª Reunião: Educação não-formal em ciências; Jornalismo científico; Programas e materiais para museus de ciências: materiais e práticas concretas; Museografia e museologia científica; Público, impacto e avaliação dos programas.

    • Olá Letícia,

      Obrigada pela dica! Neste blog foi tem como objetivo mesmo a Divulgação Científica e de temas relacionados a Educação Ambiental. Estamos ainda bem no início do projeto (o blog tem apenas seis meses), mas estou satisfeita com as visitas crescentes e interesse sobre o tema. Agora pretendo com a enquete ali ao lado, conhecer mais o público que visita o EA Crítica.

      [Votem na enquete —>]

      Para quem quiser saber mais sobre o Evento da Red-Pop que a Letícia anunciou segue o link: http://www.mc.unicamp.br/novidades/artigo/378

      abraços!

  2. Paulo Freire é uma grande referência para todos nós educadores que acreditamos que nosso papel vai muito além da sala de aula.
    Obrigada pela visita e parabéns pelo trabalho.

    • Com certeza Denize, quanto mais leio Paulo Freire, mais me convenço de que a luta é dura mas é nobre pois, “educação é um ato de amor”. Obrigada pela visita e elogio!

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