Coleta Seletiva: Dicas rápidas


A Coleta Seletiva é um sistema de recolhimento de materiais recicláveis, como, por exemplo: papéis, plásticos, vidros e metais, previamente separados em categorias ou não. O lixo seco reciclável pode ser coletado diretamente através de iniciativas municipais ou cooperativas, nas cidades onde já existe efetivamente a coleta seletiva que recolhe na fonte geradora (residências, comércios, escolas e indústrias) estes resíduos sólidos, para serem reutilizados ou reciclados. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) dos 5564 municípios do País, só 994 têm coleta seletiva. No entanto, esses dados ainda não são, nem de longe razoáveis, exigindo esforços mais intensos dos municípios no trato desta questão do lixo.

Moro na cidade do Rio de Janeiro, aqui assim como os outros 4569 municípios do Brasil, a Prefeitura juntamente com a empresa responsável pela coleta de lixo urbano, não tem como política pública a coleta seletiva. Muitos se apropriam desta justificativa para não adotarem esta prática (que deveria ser uma rotina) em suas residências, mas acreditando que devemos ir além, do que apenas nos convém no “pacto social”, eu resolvi por iniciativa própria há alguns meses atrás iniciar uma Coleta Seletiva Solidária aqui em minha casa.

Pretendo neste post, dar umas dicas rápidas de como iniciar e realizar uma coleta seletiva na sua casa, os sites que me ajudaram a entender o processo e achar um local para você possa levar seu lixo.

Após uma palestra sobre a implantação da Coleta Seletiva Solidária nas escolas Estaduais, na qual eu estava presente, entendi que o mais importante na seleção e triagem do lixo em nossas residências, em escolas e condomínios, é basicamente pensar o lixo em duas grandes categorias: (1) o lixo seco, papéis, plásticos, vidros, metais, tetrapak® e (2) o lixo úmido (orgânico), restos de comida, cascas de legumes, frutas e papel higiênico.

O lixo seco tem valor comercial imediato, através do processamento em indústrias que realizam a reciclagem. O lixo úmido será decomposto por fungos e bactérias e só teria via de regra um valor comercial, caso fosse decomposto em composteiras para obtenção de adubo, ou tratado em aterros controlados gerando bioagás (um sonho muito longínquo aqui no Brasil). Se você perceber, bom eu percebi depois que comecei a realizar a coleta seletiva, que a maior parte de lixo doméstico é o lixo seco.

Seguindo então uma separação simples entre lixo seco e lixo úmido, o que tive que fazer inicialmente foi apenas arrumar um local para a deposição do lixo seco (improvisei uma caixa de papelão com saco de lixo dentro):

Separação do lixo reciclável

E para o lixo úmido (orgânico) continuei a utilizar a mesma lixeira que eu já utilizava anteriormente:

Lixo Orgânico (úmido)

Uma dica para reduzir o volume do lixo é amassar as garrafas pet. Outra dica é nas embalagens tetrapak® , antes de colocar no saco de lixo enxaguar com ¼ de água, cortar as quatro pontas da caixa deixar secar, e só depois colocar junto com os outros materiais:

Amassar as garrafas diminui o seu volume e cortar as pontas de embalagens tetrapak evita acúmulo de material orgânico

Após essa etapa inicial, faz-se necessário descobrir algum local que receba os recicláveis. O Rota da Reciclagem disponibiliza um bom serviço de consulta, onde a partir da digitação do endereço, o site lista uma série de Cooperativas de catadores e Pontos de entrega voluntária, mais perto de sua residência. Para quem é do Rio de Janeiro, o site da Coleta Seletiva Solidária do Instituto Estadual de Meio Ambiente, também disponibiliza uma lista com várias Cooperativas de Catadores.

O terceiro passo é armazenar adequadamente o lixo reciclável separado em um local seco, até que você obtenha um bom volume, para que periodicamente você leve a Cooperativa ou ao Ponto de coleta mais próximo. O lixo úmido eu continuo descartando como fazia anteriormente.

Além da certeza cidadã de que estou fazendo algo que irá diminuir o lixo, incentivo também o uso desta temática da coleta seletiva, como uma prática que, pode funcionar bem como uma ação de educação ambiental, desde que, sensibilize os envolvidos a reflexões mais profundas sobre a origem do lixo; a sua destinação inadequada em lixões; sobre os problemas ambientais como, por exemplo, poluição do solo, água, ar; problemas sociais como catadores que trabalham em condições desumanas nos lixões; sobre as relações de consumo e desperdício; sobre o entendimento do funcionamento da cadeia de produção capitalista; entre outros aspectos que não somente ensinar a separar o lixo em lixeiras coloridas.

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Conservação da biodiversidade x desenvolvimento econômico. Quem perde? A rã


Aproveitando o embalo do post anterior sobre a COP10 – Convenção sobre a Diversidade Biológica, aproveito para narrar um fato curioso e correlato as questões de não conservação da biodiversidade ocorrido na Floresta Nacional Mário Xavier, localizada no município de Seropédica na Baixada Fluminense do estado do Rio de Janeiro. Esta Unidade de Conservação foi criada em 1986 pelo Decreto Federal nº 93369 e possui aproximadamente 500 hectares de importante relevância ecológica, pois, dentro de seus limites de conservação abriga uma exclusiva fisionomia de Mata Atlântica de baixada com terreno alagadiço. Este é o único fragmento restante desta fitofisionomia no Estado o que favorece o surgimento de um habitat único para a sobrevivência de algumas espécies endêmicas de peixes e anfíbios.

Pequenina rã Phisalaemus soaresi ameaçada de extinção


No entanto, mesmo sendo uma Unidade de Conservação Federal administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Flona Mário Xavier não está protegida dos constantes incêndios, pastoreio e extração de vegetação para uso humano. Se considerarmos o passado de ocupação sócio-histórico da região, observamos ainda dentro da mesma Floresta algumas áreas com indícios de degradações pretéritas de plantações de eucaliptos e retirada de saibro, além desta possuir para fins de conservação da diversidade biológica, uma área bastante reduzida.
Não bastassem as agressões sofridas pela ocupação sócio-histórica e pela atual comunidade local, a Flona Mário Xavier terá parte de sua área derrubada, devido à construção de um viaduto, parte do projeto maior do Arco Rodoviário Metropolitano do Rio de Janeiro, uma das obras previstas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Dada a característica única desta Unidade de Conservação e o endemismo de algumas espécies, dentre elas a simpática Phisalaemus soaresi, seria mais coerente a transposição deste viaduto do Arco Rodoviário para outro local de menor relevância ecológica e não dentro da área de conservação da Flona Mário Xavier. Em uma reportagem muito esclarecedora, o site ((O Eco)) analisou o Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) do Arco Metropolitano, e comprovou que neste Documento não consta a existência de ameaça a rã.
O papel da Educação Ambiental é levar a uma tomada de consciência, de reflexão crítica e transformadora, tendo como princípio sensibilizar as pessoas, para que mudem posturas individuais diante de causas urgentes como, por exemplo, a conservação da natureza e da biodiversidade. Mas será que a Educação Ambiental tem esse alcance tão amplo em casos como este da pequena rã, onde prevalece interesses de Desenvolvimento Econômico em um país? Fica a certeza que entre a Conservação da biodiversidade e o desenvolvimento econômico… Quem perde é a rã.

COP10 Convenção sobre Diversidade Biológica, avança em defesa da biodiversidade


O Ano Internacional da Biodiversidade 2010 se traduziu em um esforço de uma campanha global instituída para fomentar medidas de proteção da biodiversidade em todo o mundo, estabelecida pela UNESCO.

Teve como objetivo a valorização das organizações que trabalham em todo o mundo para salvaguardar a biodiversidade, aumentando a consciência pública sobre o tema da conservação da biodiversidade e dos esforços já empreendidos nesse aspecto. Visou também incentivar todos a tomarem medidas imediatas em defesa contra a perda da diversidade biológica, estabelecendo diálogo sobre as medidas a serem adotadas após o ano de 2010, garantindo a continuidade dos programas desenvolvidos.

Além dos objetivos acima citados, o Ano Internacional da Biodiversidade ficará marcado também pela realização da COP10 – A Convenção sobre Diversidade Biológica, da ONU, em Nagoya, Japão. O resultado foi positivo com os líderes mundiais firmando um acordo que contempla os seguintes pontos:

(1) o Protocolo de acesso e repartição de benefícios dos recursos genéticos da biodiversidade (Protocolo ABS) que se trata um documento que estabelece normas para uso dos recursos genéticos provenientes da biodiversidade, o que poderá incentivar pesquisas em biotecnologia, valorizar os conhecimentos das populações tradicionais além de ser um instrumento para reduzir a biopirataria;

(2) um Plano Estratégico para o período de 2011 a 2020 visando a redução da perda de biodiversidade nesta década, com criação de mecanismos para diminuição de atividades que põem em risco a biodiversidade e compromisso dentre os signatários do protocolo, de recuperação de pelo menos 15% de suas áreas degradadas. Houve algum avanço no aumento das metas de conservação em áreas protegidas terrestres de 10% para 17% e em ambientes marinhos de 1% para 10%;

(3) a sinalização de financiamento para conservação da biodiversidade, através de um fundo de recursos para a implementação das ações de conservação, além dos países terem assumido compromisso do aumento de seus orçamentos nacionais para o ministério do Meio Ambiente e especificamente para as áreas protegidas.

Esses pontos resumem o que virá a ser chamado de Protocolo de Nagoya, (documento síntese das negociações na COP10), considerado o mais importante protocolo assinado desde Kyoto, também no Japão em 1997.

Após duas semanas de incertezas, a biodiversidade do planeta agradece, e se analisarmos com otimismo os documentos acordados entre os 193 países, representam sim avanços importantes para a conservação e uso sustentável da diversidade biológica, pois no ano em que o Brasil retrocedeu em relação às alterações no Código Florestal, o mundo avançou em direção a um futuro mais sustentável.