Educação Ambiental e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN)


A educação ambiental nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) é um dos temas transversais, e deve ser trabalhada enfatizando-se os aspectos sociais, econômicos, políticos e ecológicos. As vantagens de uma abordagem assim é a possibilidade de uma visão mais integradora e melhora na compreensão das questões socioambientais como um todo. Logo, como tema transversal, a Educação Ambiental deve estar presente em todas as disciplinas, perpassando seus conteúdos, como é desejado pelos educadores ambientais

Ao mesmo tempo ela tem a chance de estar presente em todas as disciplinas, um tema transversal não possui um “status” de ser uma disciplina única, sendo muitas vezes deixada em segundo plano em relação aos conteúdos disciplinares. A proposta dos PCNs é de uma abordagem ambiental integrada, tanto entre as disciplinas como entre a sociedade seus problemas específicos.

Será que a Educação ambiental deve ser trabalhada apenas por um professor?

Assim conseguimos diante desta perspectiva imaginar as dificuldades de se trabalhar um tema transversal como é proposto nos PCNs, pois a educação atual não valoriza esse tipo de abordagem interdisciplinar. A integração de todo o corpo docente ao trabalhar a temática ambiental, ainda é mal entendida e pouco utilizada em projetos e no cotidiano escolar. Isto se deve a maioria dos docentes não estarem capacitados para trabalhar com esses temas e ao mesmo de trabalharem em equipe. Assim a Educação Ambiental fica em geral restrita ao professor de ciências e biologia, e percebemos essa tendência que é reforçada pela inclusão, na maioria das vezes, deste tema somente nos livros de ciências.

Outra dificuldade do trabalho, interdisciplinar em projetos é que o professor, sendo pouco valorizado financeiramente, precisa investir seu tempo em muitas atividades e em diversos estabelecimentos de ensino, para obter retorno financeiro, não sendo de seu interessei ou mesmo disponibilidade de tempo planejar atividades em Educação Ambiental. Este fator também contribui de forma negativa para o desenvolvimento de atividades interdisciplinares, já que os professores não tem espaço e nem tempo remunerado, para trabalhar com os demais colegas.

Dessa forma, ao pensarmos a Educação Ambiental na escola, encontramos esta série de dificuldades, esta acaba na maioria das vezes,se mantendo como um tema pontual somente tratado em semanas pedagógicas ou atividades comemorativas no âmbito escolar, ficando restrita a este espaço e sem aplicação na comunidade.

Mesmo com todas essas dificuldades, ainda faço coro de que, a Educação Ambiental não deve ser trabalhada como uma disciplina, mas sim por todo o corpo docente. Mesmo que para isso, tenhamos que repensar o papel da própria escola e da educação, dividida e compartimentalizada em disciplinas que não se comunicam entre si.

Que no Ano vindouro, todos nós possamos estar pensando mais nesses temas e problemáticas da Educação Ambiental no Brasil, e que juntos consigamos construir novos horizontes para esta temática tão pertinente e necessária nos dias atuais. Um Feliz 2011 a todos, um ano de muitos projetos e realizações ambientais! Espero contribuir cada vez mais com este blog e até 2011.

A Biologia da Conservação e suas considerações éticas e ideológicas


Estava dando uma passada no blog e vi uns dois posts o COP10 Convenção sobre Diversidade Biológica, avança em defesa da biodiversidade e Conservação da biodiversidade x desenvolvimento econômico. Quem perde? A rã, que me remeteram a escrever sobre a Biologia da Conservação e suas considerações éticas e ideológicas.

Afinal, qual a importância de se Conservar a Biodiversidade? A Biologia da Conservação surgiu a partir de um momento em que a crise observada na humanidade começou a afetar diretamente essa diversidade biológica, em seu livro Primack & Rodrigues (2001), descrevem um dos objetivos principais da mesma: “primeiro, entender os efeitos da atividade humana nas espécies, comunidades e ecossistemas, e, segundo desenvolver abordagens práticas para prevenir a extinção de espécies e, se possível, reintegrar as espécies ameaçadas em seu ecossistema funcional”.

Esta função dupla da Biologia da Conservação nos revela então, uma preocupação com os problemas que afetavam a diversidade biológica, pois anteriormente não havia uma área do conhecimento que se ocupava em realizar uma discussão teórica a respeito da conservação da biodiversidade. No entanto, não fica somente em discussões e parte para aplicações mais diretas em da preservação de determinadas espécies cujo risco de extinção tenha sido detectado.

Segundo Primack & Rodrigues (2001) a Biologia da Conservação se apoia em alguns pressupostos básicos à cerca de princípios éticos e ideológicos que deveriam levar a debates sociais em favor da conservação da diversidade biológica. São elas: (I) Toda espécie tem o direito de existir, pois são frutos de uma história evolutiva e são adaptadas; (II) Todas as espécies são interdependentes, pois estas interagem de modo complexo no mundo natural, e a perda de uma espécie leva a consequente influência sobre as demais; (III) Os humanos vivem dentro das mesmas limitações que as demais espécies, que são restritas a um desenvolvimento, em razão a capacidade do meio ambiente, e a espécie humana deveria seguir esta regra, para não prejudicar a sua e as outras espécies; (IV) A sociedade tem responsabilidade de proteger a Terra, devendo usar os recursos de modo a não esgotá-los para as próximas gerações; (V) O respeito pela diversidade humana é compatível com o respeito pela diversidade biológica, pois como apreciamos a diversidade cultural humana deveríamos apreciar a diversidade biológica; (VI) A natureza tem um valor estético e espiritual que transcende o seu valor econômico, e isto deve ser mantido independente de qualquer coisa; (VII) A diversidade biológica é necessária para determinar a origem da vida, espécies que vão se extinguindo poderiam ser importantes nas pesquisas sobre a origem da vida.

Segundo os mesmos autores a ameaça a diversidade biológica provém principalmente da destruição do ecossistema (habitas), fragmentação de habitat, degradação do habitat, poluição ambiental, mudanças globais, superexploração e introdução de espécies exóticas.

A perda de habitas seria a maior ameaça a perda da biodiversidade, uma forma de reduzir esta ameaça, é a criação de Unidades de Conservação para proteção destes habitas e da biodiversidade. A fragmentação de habitat é uma redução de uma área contínua que com intervenção alguma atividade humana, pode se reduzir a manchas vegetacionais, o que leva a perda de espécies e criam barreiras à alimentação, fluxo das espécies, dispersão, colonização e fluxo gênico.

Numa comunidade, a poluição ambiental pode levar a eliminação de algumas espécies mais sensíveis, com substituição de espécies e mudanças na estrutura da comunidade. Esta poluição pode ser em razão do uso de pesticidas ou fertilizantes em culturas agrícolas, contaminação de corpos hídricos por dejetos provenientes de atividades industriais ou esgoto doméstico e poluição atmosférica.

Atualmente podemos considerar como ameaça a diversidade biológica as mudanças em nível global, como, por exemplo, o aquecimento global, onde muitas espécies não se adaptam a estas mudanças, sendo levadas à extinção. Outro fator é a superexploração, pois com o aumento da tecnologia, cada vez mais se criam modos eficientes de caça, pesca e colheita.

A introdução de espécies exóticas, também representa uma ameaça a diversidade biológica, pois em algumas situações, as espécies exóticas se adaptam bem ao ambiente com efeitos negativos sobre as espécies nativas.

Referência:

PRIMACK, R. B.; RODRIGUES, E. Biologia da conservação. Londrina: Vida, 2001. 328 p.