A Biologia da Conservação e suas considerações éticas e ideológicas

Estava dando uma passada no blog e vi uns dois posts o COP10 Convenção sobre Diversidade Biológica, avança em defesa da biodiversidade e Conservação da biodiversidade x desenvolvimento econômico. Quem perde? A rã, que me remeteram a escrever sobre a Biologia da Conservação e suas considerações éticas e ideológicas.

Afinal, qual a importância de se Conservar a Biodiversidade? A Biologia da Conservação surgiu a partir de um momento em que a crise observada na humanidade começou a afetar diretamente essa diversidade biológica, em seu livro Primack & Rodrigues (2001), descrevem um dos objetivos principais da mesma: “primeiro, entender os efeitos da atividade humana nas espécies, comunidades e ecossistemas, e, segundo desenvolver abordagens práticas para prevenir a extinção de espécies e, se possível, reintegrar as espécies ameaçadas em seu ecossistema funcional”.

Esta função dupla da Biologia da Conservação nos revela então, uma preocupação com os problemas que afetavam a diversidade biológica, pois anteriormente não havia uma área do conhecimento que se ocupava em realizar uma discussão teórica a respeito da conservação da biodiversidade. No entanto, não fica somente em discussões e parte para aplicações mais diretas em da preservação de determinadas espécies cujo risco de extinção tenha sido detectado.

Segundo Primack & Rodrigues (2001) a Biologia da Conservação se apoia em alguns pressupostos básicos à cerca de princípios éticos e ideológicos que deveriam levar a debates sociais em favor da conservação da diversidade biológica. São elas: (I) Toda espécie tem o direito de existir, pois são frutos de uma história evolutiva e são adaptadas; (II) Todas as espécies são interdependentes, pois estas interagem de modo complexo no mundo natural, e a perda de uma espécie leva a consequente influência sobre as demais; (III) Os humanos vivem dentro das mesmas limitações que as demais espécies, que são restritas a um desenvolvimento, em razão a capacidade do meio ambiente, e a espécie humana deveria seguir esta regra, para não prejudicar a sua e as outras espécies; (IV) A sociedade tem responsabilidade de proteger a Terra, devendo usar os recursos de modo a não esgotá-los para as próximas gerações; (V) O respeito pela diversidade humana é compatível com o respeito pela diversidade biológica, pois como apreciamos a diversidade cultural humana deveríamos apreciar a diversidade biológica; (VI) A natureza tem um valor estético e espiritual que transcende o seu valor econômico, e isto deve ser mantido independente de qualquer coisa; (VII) A diversidade biológica é necessária para determinar a origem da vida, espécies que vão se extinguindo poderiam ser importantes nas pesquisas sobre a origem da vida.

Segundo os mesmos autores a ameaça a diversidade biológica provém principalmente da destruição do ecossistema (habitas), fragmentação de habitat, degradação do habitat, poluição ambiental, mudanças globais, superexploração e introdução de espécies exóticas.

A perda de habitas seria a maior ameaça a perda da biodiversidade, uma forma de reduzir esta ameaça, é a criação de Unidades de Conservação para proteção destes habitas e da biodiversidade. A fragmentação de habitat é uma redução de uma área contínua que com intervenção alguma atividade humana, pode se reduzir a manchas vegetacionais, o que leva a perda de espécies e criam barreiras à alimentação, fluxo das espécies, dispersão, colonização e fluxo gênico.

Numa comunidade, a poluição ambiental pode levar a eliminação de algumas espécies mais sensíveis, com substituição de espécies e mudanças na estrutura da comunidade. Esta poluição pode ser em razão do uso de pesticidas ou fertilizantes em culturas agrícolas, contaminação de corpos hídricos por dejetos provenientes de atividades industriais ou esgoto doméstico e poluição atmosférica.

Atualmente podemos considerar como ameaça a diversidade biológica as mudanças em nível global, como, por exemplo, o aquecimento global, onde muitas espécies não se adaptam a estas mudanças, sendo levadas à extinção. Outro fator é a superexploração, pois com o aumento da tecnologia, cada vez mais se criam modos eficientes de caça, pesca e colheita.

A introdução de espécies exóticas, também representa uma ameaça a diversidade biológica, pois em algumas situações, as espécies exóticas se adaptam bem ao ambiente com efeitos negativos sobre as espécies nativas.

Referência:

PRIMACK, R. B.; RODRIGUES, E. Biologia da conservação. Londrina: Vida, 2001. 328 p.

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7 opiniões sobre “A Biologia da Conservação e suas considerações éticas e ideológicas

  1. Além dos problemas citados, como, fragmentação de habitats, dregradação, superexploração, etc… a superpopulação humana pode ser considerado um problemão, pois, sem um controle dela, mais áreas serão exploradas para captação de matéria prima, habitats darão lugar a plantações, sem contar na expansão das cidades.

  2. Na verdade o bem maior da consevação da biodiversidade e para a propria sobrevivência do homem, junto com o planeta. Porque não estaremos vivenciando o desequilíbrio dos ecossistemas mas sim o desequilibrio do homem para seu fim.

  3. Pingback: 4 anos do blog Educação Ambiental Crítica |

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