O caso da Região Serrana no Rio de Janeiro

Observo com ar de tristeza a tragédia recentemente ocorrida na Região Serrana do Rio de Janeiro. Este sentimento é inevitável, ao ver pessoas tendo suas vidas ceifadas… Eu estava passando minhas férias em Friburgo, uma das cidades mais afetadas, uma semana antes das fortes chuvas que atingiram não somente esta cidade, mas outras como: Teresópolis, Petrópolis, Sumidouro e São João do Rio Preto. O número de vítimas fatais desde a última quarta-feira (12/01), informado pela secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil, num balanço parcial do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil chegam a 591 óbitos até a tarde deste sábado (15/01). Até agora, segundo informações desta mesma secretaria a Região Serrana, tem 6050 desabrigados (pessoas que perderam as casas) e 7780 desalojados (pessoas que só poderão retornar para casa quando a situação melhorar).

Igrejiha de Santo Antônio na praça do Suspiro em Nova Friburgo, há uma semana atrás. Um dos locais afetados pelos deslizamentos.

Mas quais seriam as causa dessa tragédia, muitas das vezes anunciada, que ocorreu na Região Serrana do Rio de Janeiro? Não é novidade que esse tipo de acontecimentos tem se tornado rotineiros, quem não se lembra nos últimos dias do ano de 2009 do deslizamento de uma encosta atingiu uma pousada e mais algumas casas na Ilha Grande, em Angra dos Reis? Neste mesmo município dezenas de pessoas morreram em outro deslizamento no Morro da Carioca.

O deslizamento em áreas de encosta é um fenômeno natural provocado pelo escorregamento de materiais sólidos, como solos, rochas, vegetação ao longo de um terreno inclinado. As enchentes e alagamentos pode ser explicados pela tendência da água da chuva, de escoar para a parte baixa onde se localizam os rios. Esses são fenômenos próprios de uma dinâmica natural de um ambiente montanhoso, mas se tornam graves uma vez que haja construções e pessoas morando nestas áreas sujeitas a deslizamentos de encostas e áreas onde existem rios que tem sua própria dinâmica de mudança de curso e cheias.

O crescimento desordenado das cidades levou a ocupação destas áreas de risco, muitas das vezes negligenciados Governos, que testemunharam a expansão do crescimento urbano e não fizeram nada, possivelmente com medo de serem intransigentes ou de perderem votos. Essa omissão do poder público é histórica e somente vem a tona com acontecimentos como este de grande comoção nacional. Sem ser pessimista, e fazendo uma projeção futura, e nem preciso ser especialista para isso, é que se continuar o crescimento desordenado aliado a omissão, com certeza para os próximos anos muitos outros casos semelhantes acontecerão.

O que podemos nós, Sociedade Civil, fazer em um momento como esse? De imediato, ajudar, apenas isso e disponibilizo o link com postos de doações de alimentos, produtos de limpeza e higiene pessoal, para quem puder e quiser ajudar de maneira financeira contas bancárias oficiais para deposito.

A longo prazo podemos cobrar mais, estar mais atuante junto aos governos para que sejam feitos projetos de contenção de encostas, que pessoas em áreas de risco sejam removidas com dignidade para outra localidade. Falar em Educação Ambiental neste momento pode parecer até forçar a barra, mas será que a sociedade civil com maior poder de crítica e cientes de seus direitos como cidadãos estariam a mercê desses governos omissos? Particularmente acho que não… Mas isso é um debate para depois. A quem puder ajudar:

Link com pontos de doação no Rio de Janeiro e contas para depósito.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s