Para entender Belo Monte

A usina hidrelétrica de Belo Monte é um projeto polêmico por si só. Vem causando controvérsias desde seu alto custo de construção que gira em torno de 19 bilhões de reais, mas também em relação a escolha da sua implantação, no Rio Xingu (PA), onde vivem inúmeros povos indígenas que foram negligenciados quanto as suas reais necessidades em relação ao desenvolvimento e implantação do projeto. Não bastasse, o seu lago terá uma extensa área de 516 km² o que causará impacto local com a inundação de uma boa parcela de floresta amazônica, além de críticas a parcialidade do Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) que uma vez concluído levou o Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) a conceder a Licença Prévia para a instalação da usina, poucos dias depois da demissão do presidente do órgão.

No vídeo abaixo, feito pelo site ((o))eco a socióloga e professora da PUC-SP, Marijane Lisboa, fala sobre os grandes projetos de hidroelétricas na Amazônia. A Professora após visitar projetos nos rios Madeira e Xingu, incluindo Belo Monte, aponta inúmeras irregularidades em relação as violações dos direitos ambientais e humanos que ocorreram no processo de aprovação desses grandes empreendimentos que, uma vez finalizados terão a capacidade de gerar 11.233 MW, o que a levará ao posto de maior usina hidrelétrica brasileira, produzindo energia suficiente para o abastecimento de 26 milhões de habitantes com alto perfil de consumo.

O que mais me preocupa, além de toda polêmica da construção da usina, é notar a sociedade alheia ou mesmo desconhecendo a causa. O pouco que se veicula na grande mídia transmite informações simplistas e parciais, o que não garante um posicionamento crítico das pessoas. Exemplo disso foi em uma sessão de tutoria para alunos da Graduação em Biologia, onde assuntei sobre Belo Monte. Num total de 12 estudantes, apenas um sabia do que se tratava e ainda se posicionou a favor do empreendimento alegando que acabariam assim os “apagões”.

Os poucos que se interessam efetivamente pela causa são professores, ecólogos, sociólogos e ambientalistas que prevendo um impacto ambiental e social eminente, tentam uma militância de resistência a construção da usina, argumentando sobre outras formas de geração de energia mais limpas e sustentáveis que gerariam menos impactos socioambientais. Uma boa notícia é que não estamos sós, alguns políticos interessados em debater com mais profundidade os temas ambientais criaram uma Frente Parlamentar Ambientalista, na Câmara dos Deputados, que terá entre suas prioridades a oposição ao início da construção da hidrelétrica de Belo Monte e as alterações no Código Florestal (outro assunto pra lá de polêmico).

Enquanto isso vamos fazendo nossa parte: informando e tomando como meta buscar analisar sempre o todo e não as partes dos problemas socioambientais, buscando a sensibilização dos leitores na busca de novas atitudes que levem a mudanças, acima de tudo críticas, em relação aos problemas socioambientais acima de tudo estimulando a participação e ação social ao exercício da cidadania plena.

Leia mais sobre Belo monte em:

Pela imparcialidade em Belo Monte
Campanha Avaaz.org: Pare Belo Monte
Belo monte de conversa fiada…

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4 opiniões sobre “Para entender Belo Monte

  1. Pingback: Educação ambiental crítica pela democratização da comunicação #DemoCom #Eblog « Educação Ambiental Crítica

  2. Pingback: Mergulhe na questão de Belo Monte, não fique apenas na Gota d’Água |

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