Ilha das Flores



O curta metragem Ilha das Flores (Documentário. Diretor: Jorge Furtado, Brasil, 1989) passa em 13 minutos uma mensagem de desigualdade social e degradação ambiental, arrebatadora. Com uma narração intensa, o curta o tempo todo nos remete ao papel de “animais com o telencéfalo altamente desenvolvido e possuidores de um polegar opositor”.

Ilha das flores discute a produção de alimentos, a cadeira de produção agrícola, a partir da trajetória de tomates desde o seu plantio e colheita pelo produtor, sua venda ao mercado, seu consumo por uma dona de casa, o descarte de alguns e o seu destino final no lixão. Em ilha das flores, antes de terem a possibilidade de serem reaproveitados pelos moradores locais, os tomates e demais alimentos descartados passam por uma triagem para servirem de alimento aos porcos, pois esses possuem um dono, que zela por eles, ao contrário dos moradores do lixão de ilha das flores.

Tomando como exemplo a questão do lixo, o filme mostra a degradação ambiental causada pelo lixão e percebemos o quão limitada pode ser uma análise, apenas a partir do olhar biológico, quando tratamos das questões ambientais. Esse olhar parcial, pode levar a um entendimento superficial e distanciado das necessárias análises sociais, políticas e econômicas. Resumindo, não se pode pensar a educação ambiental e a questão ambiental, sem antes pensarmos sobre temas sociais como a desigualdade social e conflito de classes, por exemplo.

Assista no You Tube: http://www.youtube.com/watch?v=KAzhAXjUG28&feature=player_embedded

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Consumo infinito em um planeta finito


Seguindo o pressuposto de que os recursos naturais presentes no mundo são em sua grande maioria finitos, e diante desta constatação, partindo de outro principio, de que no mundo atual ocorre uma má distribuição no uso desses recursos, acontecendo o uso de forma desigual, ou seja, há os que têm mais acesso aos recursos (ricos) e os que têm menos acesso a estes recursos (pobres), chegamos a uma inconclusiva questão o sobre o que temos que fazer para equacionar essa balança?

A suficiência dos recursos naturais preza pela manutenção dos recursos para as populações no presente e no futuro. Ao considerarmos um recurso, devemos ter em mente o uso deste, de modo com que todos possam usufruí-lo da forma mais igualitária possível, isso se chama justiça ambiental, que atua de modo que nenhuma parcela seja injustiçada.

Existem certas correntes ambientalistas que ou por má fé ou mesmo por uma certa ingenuidade, acreditam que a maior parte dos problemas ambientais são causadas pelos pobres. Exatamente porque, estes em situação de risco, ou seja, marginalizados da sociedade, passam a situação de relação direta com a natureza, passando a exercer atividades de extrativismo, caça e pesca, muitas vezes em Unidades de Conservação da natureza. Muitos conseguem até mesmo, fazer uma relação entre desigualdade social e exclusão social com a degradação ambiental.

Como seria se TODOS tivessem acesso a tecnologia, energia, combustíveis, bens de consumo?

Como seria se TODOS tivessem acesso a tecnologia, energia, combustíveis, bens de consumo?

Na minha opinião, isso é uma falácia verde, assim como outras tantas, como por exemplo, o mito da sustentabilidade já comentado neste blog. No artigo Do Ecodesenvolvimento ao Desenvolvimento Sustentável: evolução de um conceito? Layrargues (1997), muito lucidamente faz uma discussão a cerca do Relatório de Brundtland que coloca “a pobreza é uma das principais causas e um dos principais efeitos dos problemas ambientais no mundo”.

Neste mesmo artigo Layrargues, diz que na busca pela erradicação da pobreza, como meio de se diminuir os “problemas ambientais” causados por ela, oculta-se que os verdadeiros vilões da natureza, que são na verdade os que mais acesso tem ao consumo, ou seja os ricos: “Afinal, se hoje um indivíduo numa economia industrial de mercado, consome 80 vezes mais energia que um habitante da África subsaariana.”

Mas será que se todos os habitantes do mundo passarem a ter um padrão de consumo americano, por exemplo, o planeta daria conta de suprir esta demanda com seus recursos finitos? Se seguirmos os princípios do desenvolvimento sustentável, a economia tem que continuar se desenvolvendo, para que “sustentavelmente” todos possam ter acesso as tecnologias, energia, combustíveis, bens de consumo para que assim a pobreza diminua e a degradação da natureza também.

Voltemos a questão da finitude dos recursos, a partir da lógica da justiça ambiental, que garante igual acesso e usufruto dos recursos. Para chegarmos a uma solução equilibrada, os que consomem e assim tem mais acesso aos recursos teriam que diminuir e os que pouco consomem aumentaria seu consumo e assim teríamos justamente um equilíbrio.

Será que essa solução equilibrada segue a linha do sistema econômico dominante? Com certeza não, pois uma vez que uma das características marcantes da sociedade industrial ampliar cada vez mais o consumo…

Referência:

Layrargues, P. P. Do ecodesenvolvimento ao desenvolvimento sustentável: evolução de um conceito? (1997)

Sobre a valorização do magistério


Penso que a melhora na qualidade da educação pode acontecer a partir da valorização do magistério, associada a uma política de valorização global que considere: (1) a formação inicial do professor; (2) a melhora nas condições de trabalho; (3) a valorização salarial e da carreira; (4) e a implementação da formação continuada.

Fica claro que mudanças, pautadas em análises simplistas, que propõem a melhora na educação brasileira, longe da valorização do magistério ou pautadas somente em apenas uma dessas premissas, estão fadadas ao fracasso.

Sala de aula de um colégio estadual no Rio de Janeiro e sua condição de trabalho insatisfatória.

A melhora da educação não se fará, como acreditam muitos, apenas com a modernização tecnológica das escolas ou adoção de novos currículos. Um exemplo disso, não distante da nossa realidade como professores, é a implementação de “reformas” em nome da qualidade do ensino, que quase sempre se resumem a compra de equipamentos e reformas curriculares, como se apenas isso fosse capaz de resolver o problema.

Segundo OLIVEIRA (2009) em seu artigo “A formação de professores e a valorização do magistério após a reforma educacional: para onde apontam as pesquisas sobre o tema?”, as reformas educacionais implementadas pelas políticas públicas no Brasil, não consideram as reflexões e pesquisas realizadas dentro das Universidades, ficando a cargo de empresas privadas e ONGs, quem possuem um viés econômico, ligados aos interesses do Banco Mundial.

Percebemos, que as decisões governamentais, ou seja, as decisões que partem de “cima para baixo” quase nunca elegem como importante para a melhorar a educação, a melhora nas condições de trabalho em geral insatisfatórias, a ausência de uma política de valorização social e econômica dos profissionais da educação, além de historicamente ignorarem os baixos salários dos professores na educação básica.

Referência:

OLIVEIRA, Francisca de Fátima Araújo. A formação de professores e a valorização do magistério após a reforma educacional: para onde apontam as pesquisas sobre o tema? IX Congresso Nacional de Psicologia Escolar e Educacional – ABRAPEE. P.1-12. 6 a 8 de julho de 2009. São Paulo.