O Saber Ambiental


Iniciarei o post, baseada nas ideias de ENRIQUE LEFF, autor do livro SABER AMBIENTAL, 6ª edição ed. vozes. Numa perspectiva história, LEFF pontua que a “crise ambiental” começa se evidenciar nos anos de 1960 do século XX, caracterizando-se por ser um reflexo da “irracionalidade ecológica dos padrões de produção e consumo, e marcando os limites do crescimento econômico” (p. 15).

Segundo o autor o conceito de desenvolvimento sustentável, que levaria teóricamente a uma sustentabilidade ambiental, nada mais é do que uma maneira de ecologizar a economia, na tentativa de eliminar a contradição entre o crescimento econômico e preservação da natureza. Essa resignificação da relação destrutiva do capitalismo, que se encontra em sua “fase ecológica”, com a natureza, através do discurso do desenvolvimento sustentável, faz-se necessária para que o crescimento não cesse.

Assim, o discurso da sustentabilidade apresenta-se num tom neoliberal ambiental, de maneira que “as políticas de desenvolvimento sustentável vão desativando, diluindo e deturpando o conceito de ambiente” (p.21) a fim de que o livre mercado se amplie assegurando o “perpetum mobile” do crescimento econômico. Além do crescimento econômico, o discurso do desenvolvimento sustentável, se apóia em outros dois pontos o equilíbrio ecológico e a igualdade social.

A tecnologia assume um papel importante na manutenção desta tríade: a tecnologia, cujo papel é o de reverter a degradação na produção, distribuição e consumo de mercadorias.

Encontramo-nos em tal situação, que o autor não reconhece apenas a “ambientalização do conhecimento”, realizada em geral nas “aulas de educação ambiental” como solução para dar um horizonte às discussões socioambientais. Segundo LEFF é necessário uma visão mais ampliada, o que ele propõe como o Saber Ambiental.

O Saber Ambiental desafia as ciências em suas bases mais sólidas, pois, uma vez que necessitam de uma analise interdisciplinar das relações natureza-sociedade, coloca as certezas dos paradigmas absolutos e imutáveis sob a incerteza de suas próprias certezas. Assim “o Saber Ambiental se produz numa relação entre a teoria e a práxis” (p. 235). A práxis segundo Paulo Freire é a teoria do fazer, ou seja, para alcançarmos o Saber Ambiental, devemos exercitar nossa práxis em torno de nosso próprio fazer pedagógico diário.

Referência:

LEFF, Enrique. Saber ambiental .6. ed. Petrópolis: Vozes, 2008. 494 p.

Originalmente públicado em no blog: Debates Conceituais no Ensino de Química (como parte da avaliação desta disciplina do Mestrado/IFRJ)

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Cinco de Junho – Dia Mundial do Meio Ambiente


Talvez apenas tenhamos o percebido a ponto de termos sua importância lembrada hoje, inclusive em várias camadas da sociedade, somente após uma irreversível e constante degradação.

É onde a vida, inclusive a nossa, pôde constituir-se biológica e culturalmente diversa. Não tem como marca, ser apenas intocado ou natural, embora, muitos ainda o percebam e imaginam como sendo o próprio paraíso na Terra, é claro, que sem a nossa presença. Aqui, por exemplo, como eu o julgo e vejo, ele se apresenta cinza, caótico e urbano.

No entanto, onde quer que você esteja neste momento, tendo ou não consciência disso, você é, está e faz parte dele. Mesmo que ele somente também exista, a partir de nossas próprias ou coletivas representações a respeito do que ele é ou vem a ser, local de onde se extraem os recursos, planta-se o alimento, constrói-se e vive-se.

Reconhecida sua importância, vamos encará-lo como o espaço físico, biológico, econômico, político e social onde vivemos. Não vamos falar de eminentes crises socioambientais, pois esta anunciação exagerada apenas constrói diante de nós cortina de fumaça que atordoa o refletir e não favorece o agir.

Que o dia de hoje 5 de Junho de 2011, se inicie um pensar, um refletir visando a consciência. Ser consciente não significa apenas mentalmente relacionar-se com o ambiente de maneira subjetiva, auto-consciente, precisa, clara e concisa, é ir além, do perceber-se em estar no mundo, mas ser no mundo e do mundo.

O conceito de meio ambiente: entre signos e representações sociais


No próximo dia 5 de Junho, será o Dia Mundial do Meio Ambiente e pretendo iniciar algumas reflexões sobre este conceito, colocando em pauta, a seguinte questão: O que para nós representa o conceito de meio ambiente? Especialmente eu por estar estudando, semiótica, tenho despertado o interesse em mim, por análises mais profunda de quais são os signos que para nós, especificamente representam o conceito de meio ambiente.

No entanto, antes de ir ao conceito de meio ambiente, vamos definir o que é semiótica, que nada é que o estudo dos signos e das ações dos signos. Os signos seriam “algo no lugar de algo”, ou seja, os signos podem ser qualquer coisa que facilitem e/ou permitam a compreensão do que é objeto (ou conceito) pelo sujeito. Assim os signos só existem, para levar o significado do objeto (ou conceito) ao sujeito, num processo que se denomina semiose, ou seja, a ação do signo sobre o sujeito.

Assim ao refletirmos sobre o conceito de meio ambiente, utilizando algumas noções referentes ao conceito de representação social, principalmente as contidas em REIGOTA (1995), quando ele se apropriando das definições de MOSCOVICI, propõe as representações sociais como sendo um conjunto de princípios construídos na interação entre os grupos sociais.

O sentido de uma representação social, é que ela por sua natureza construída, dentro das relações sociais, portanto cultural, esta irá ser carregada de vários signos, pois, toda representação é um signo, e estes signos irão variar de acordo o grupo o qual estamos inseridos.

Pode a cidade ser considerada meio ambiente?

Quais serão os diferentes signos que participam da formação do conceito de meio ambiente? Talvez sejam muitos, mas com toda certeza as diferentes visões sobre o meio ambiente, se relacionam às imagens mentais de grupos de pessoas a respeito deste conceito. No entanto, nem todos os signos que tentam construir o conceito de “meio ambiente” serão suficientes para o representar em sua totalidade, pois, uma característica da própria representação é sua incompletude, ao tentar representar o objeto, no caso o conceito de meio ambiente.

Esse conceito é deverás polissêmico, e não consensual, carregado de um conjunto simbólico enorme, por exemplo, muitas pessoas relacionarem o conceito de “meio ambiente”, a ecossistemas naturais (sem a presença humana), e isto se relaciona diretamente ao “mito moderno da natureza intocada” de DIEGUES (2004). Essa representação comum de meio ambiente é ao mesmo tempo simbólica quando pensamos em meio ambiente como sendo ambientes florestados (florestas tropicais) e icônica, quando inevitavelmente nos remetemos a cor verde, no que se refere a cor das florestas…

Mas será que o conceito de meio ambiente é composto apenas por florestas ou ecossistemas intocados? A resposta não virá neste post, pois a intenção é mesmo provocar questionamentos e não apenas responder a questão. Pense em quantos e quais, signos participam da formação do conceito de meio ambiente para você? Com toda certeza não serão os mesmos que os meus, mas, certamente poderemos observar nas respostas algumas similaridades no que podemos denominar de núcleo compartilhado de significados. Mesmo que nós nos exercitemos nessa construção coletiva, a soma de todas as representações simbólicas não darão como resultado final o objeto “meio ambiente”, mas podemos ao menos tentar.

Referências:

DIEGUES, A. C. S. O Mito moderno da natureza intocada. São Paulo, Ed. Hucitec, 2004. 382 p.

REIGOTA, M. Meio ambiente e representação social. São Paulo: Cortez, 1995.