Bolsa de Grife


Estava ouvindo um álbum da Vanessa da Mata “Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias” e me deparei com essa música que faz uma crítica bem humorada e irônica das relações de consumo, a canção relata a compra frustrada de uma bolsa de grife. Na compra do item a promessa de amor, cura da gripe, cura do fogo entre outras “mentiras”, que logicamente um objeto não poderia dar a ninguém. A conclusão final se revela no refrão “Ainda tenho a angústia e a sede, a solidão, a gripe e a dor, e a sensação de muita tolice, nas prestações que eu pago pela tal bolsa de grife”.

Pode parecer até brincadeira, mas quantas vezes já não compramos “bolsas de grife” incentivados por uma propaganda, por um impulso, por uma vontade inexplicável de ter aquela roupa, aquele objeto “de nossos sonhos”, o último lançamento do qualquer eletrônico, o último modelo de aparelho de celular… O problema não está no consumir, vivemos em uma sociedade onde precisamos comprar para ter acesso aos bens materiais necessários a nossa própria vida.

O problema é o consumismo, esse sufixo “ismo” dá um tom de que algo é doentio ou relativo à doença, no próprio Wikipedia a definição “ato de consumir produtos e/ou serviços, indiscriminadamente, sem noção de que podem ser nocivos ou prejudiciais para a nossa saúde ou para o ambiente”. Muitas vezes influenciados pelas propagandas de empresas, publicidade e da cultura, somos  induzidos ao consumismo sem necessidade, é a sociedade do consumo.

Paremos um momento para ouvir a música e depois para repensar. A própria música dá a dica “Nem pensei. Impulso pra sanar um momento. Silenciar barulhos. Me esqueci de respirar Um, dois, três. Eu paro. Hoje sei que tenho tudo Será? Escrevi em meu colar. Dentro há o que procuro.

Bolsa de Grife – Vanessa da Mata

Comprei uma bolsa de grife
Mas ouçam que cara de pau.
Ela disse que ia me dar amor
Acreditei, que horror
Ela disse que ia me curar a gripe
Desconfiei, mas comprei
Comprei a bolsa cara pra me curar do mal
Ela disse que me curava o fogo
Achei que era normal
Ela disse que gritava e pedia socorro
Achei natural

Ainda tenho a angústia e a sede
A solidão, a gripe e a dor
E a sensação de muita tolice
Nas prestações que eu pago
Pela tal bolsa de grife (2x)

Nem pensei
Impulso
Pra sanar um momento
Silenciar barulhos.
Me esqueci de respirar
Um, dois, três
Eu paro
Hoje sei que tenho tudo
Será?
Escrevi em meu colar
Dentro há o que procuro

Ainda tenho a angústia e a sede
A solidão, a gripe e a dor
E a sensação de muita tolice
Nas prestações que eu pago
Pela tal bolsa de grife (2x)

Meu amigo comprou um carro pra se curar do mal

O discurso da Sustentabilidade


Esse post baseia-se em um trecho de uma resenha crítica do um artigo “O discurso da sustentabilidade e suas implicações para a educação” de Gustavo da Costa Lima (2003).  O citado autor, realiza tendo como base a teoria discursiva de Foucault, como o discurso da sustentabilidade foi construído e carrega nele as relações de poder tipicamente relacionadas a classe hegemônica.

Para Foucault (2001) “toda sociedade controla e seleciona o que pode ser dito numa certa época, quem pode dizer e em que circunstâncias, como meio de filtrar ou afastar os perigos e possíveis subversões que daí possam advir”. Segundo Foucault, o modo como falamos e pensamos afetam profundamente a vida social, condicionando nosso comportamento e experiência, nossa visão de mundo e, por fim, o próprio mundo que ajudamos a criar.

Será que e existe apenas um discurso para a sustentabilidade?

Segundo Lima (2003) o histórico da construção do discurso da sustentabilidade tem início a partir dos anos 70 do século XX, através das movimentações sociais pela defesa da “ecologia”, das grandes Conferências da ONU que inclusive levaram a substituição do conceito do ecodesenvolvimento, por Sachs pelo conceito de Desenvolvimento Sustentável, imposto pela Comissão Brundtland. Com o termo “desenvolvimento sustentável” pretende-se, grosso modo “ecologizar a economia”. No âmbito da necessidade de hegemonizar o sistema e implantar as políticas neoliberais.

O discurso da sustentabilidade só funciona, pois, visa demonstrar que mesmo com a conservação ecológica é possível o crescimento dos negócios e economia. Esse discurso é considerado a vanguarda do ecocapitalismo mundial que visa reestruturação política e econômica do sistema aliada a conservação ambiental. No entanto a “sustentabilidade de mercado” não responde igualmente à crise social, pois, a orientação continua sendo concentração e não para a distribuição de riquezas e oportunidades. A prática tem demonstrado, por numerosas evidências, que o mercado é um eficiente instrumento de alocação de recursos, mas um perverso gestor das disparidades sociais e ambientais.

O discurso é uma expressão e exercício de poder. Assim o discurso da sustentabilidade, além de ser polissêmico, se constrói em diferentes interpretações em busca de que as diferentes visões envolvidas sejam aceitas como “verdadeira”. Embora o discurso da sustentabilidade possua um núcleo comum, a questão de um “futuro viável”, essa ideia pode ser alcançada de diferentes maneiras e através de diferentes discursos.

Segundo Lima (2003) existem algumas características que distinguem em dois grandes blocos discursivos o conceito de sustentabilidade:

1) O discurso oficial (hegemônico) da sustentabilidade em geral é considerado “verdadeiro”; aceito pelos setores governamentais, não governamentais e empresariais; quase sempre é um discurso pragmático; possui dimensão econômica e tecnológica da sustentabilidade; a economia de mercado regula o “desenvolvimento sustentável”; é baseado em tecnologias limpas e no processo econômico e de preservação ambiental; e possui como traço marcante a tendência a MODERNIZAÇÃO ECOLOGICA.

2) O discurso contra-hegemônico, da sustentabilidade tem como características: a concepção complexa e não apenas economicista da sustentabilidade social (equidade social) e ambiental; o Estado deve intervir no mercado ou estado se subordinar a sociedade civil (democracia participativa); baseia-se em sociedades sustentáveis; é avesso aos reducionismos econômicos e tecnológicos; possui como traço a ampla crítica a civilização capitalista, ao mito do progresso, ao fetiche consumista e a idolatria cientifica.

Diante do exposto é possível estabelecer qual discurso da Sustentabilidade é predominante. Fica claro também, perceber que mesmo sendo hegemônico, o discurso oficial que tenta dar conta da “crise ambiental”, e propõe “crescer sem destruir”, deixa algumas brechas contraditórias, o que o tornam ineficaz em reação a sua proposta inicial: crescer sem destruir.

Referências

FOUCAULT,  M.  A ordem do discurso. São Paulo: Edições Loyola, 2001.

LIMA, Gustavo da Costa. O discurso da sustentabilidade e suas implicações para a educação. Ambiente e sociedade, jul/dez 2003, vol. 6, n. 2, p. 99-119. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/asoc/v6n2/a07v06n2.pdf Acesso em: maio 2011

Educação ambiental crítica pela democratização da comunicação #DemoCom #Eblog


Não é de hoje que este blog vem assumindo alguns posicionamentos políticos e até mesmo se aventurando, a ir além… Para um blog que tem como objetivo a educação ambiental, este teor político, pode causar até uma certa estranheza, no entanto, isso só ocorre quando se tem em mente, uma educação ambiental que possui um viés biológico. Essa visão “biologizante” da educação ambiental vem sendo desconstruída neste blog (Educação ambiental não é campanha de “Não jogue lixo no chão!” Desenvolvimento sustentável, uma ideia construída), a fim de superarmos essa, na minha opinião, limitada forma de educar apenas para o ambiente.

Uma proposta crítica da educação ambiental permite e necessita de uma politização no tema, uma vez que os impactos causados pelos diferentes interesses políticos e econômicas acabam por materializar-se na própria degradação socioambiental. Logo as discussões sobre a raiz dessa degradação podem e devem superar apenas a visão da biologia, trazendo e assumindo a influência da política, econômica, social, histórica e cultural em todo o processo.

Um das propostas iniciais desse blog foi realizar a divulgação científica do que é a educação ambiental crítica, no entanto, considerando que, esta assume um posicionamento político inevitável, com o passar o tempo alguns posts (Erro no sistemailha das floresConsumo infinito em um planeta finito)  foram se enveredando para essa crítica necessária. Foi nessa perspectiva que assumidamente, decidi assinar o manifesto do #Eblog, e coletivamente de alguma forma contribuir com a Democratização a Comunicação #DemoCom, especificamente sobre as questões relacionadas a temática socioambiental.

Este post “Educação ambiental crítica pela democratização da comunicação”, precisamente tem essa função de apresentação de alguns outros posts, que já haviam sido postados, como contribuição dada outrora a democratização da comunicação #DemoCom. Temos como exemplo, dois temas, que foram veiculados na grande mídia, de uma maneira imparcial e não elucidativa, ou mesmo com informações erradas ou tendenciosas. Falo de duas questões de interesse socioambiental, como a concessão da permissão para construção da usina de Belo Monte e da votação do novo código florestal.

Nestes dois exemplos citados, a intenção foi, ao escrever os posts, contribuir para a democratização da comunicação, a respeito de informações que estavam sendo distorcidas, ou mesmo omitidas pelos grandes meios comunicação, como por exemplo: a TV, Jornais, pela internet e infelizmente por alguns “blogs verdes”. Esse papel cabe, tranquilamente a crítica que devemos ter ao pensarmos a educação ambiental.

Outra questão que me levou a participar do #Eblog e da blogagem coletiva pela #DemoCom é assumir a partir de então um posicionamento deste blog em relação a uma educação ambiental crítica, uma educação ambiental transformadora e emancipatória, ou seja, uma  #Eeducaçãoambiental. Assim, continuamos tendo como objetivo a divulgação científica, da educação ambiental crítica, mais indo além, pretendemos também proporcionar análises de tema atuais, vinculados a esta temática socioambiental, de maneira a contribuir além da crítica, para a democratização da comunicação.

#Eblog, muito mais que virtual: anticapitalista e libertário


#Eblog – Nota política da nova frente de luta de blogueiros e blogueiras de esquerda brasileiros.

Quem somos

O #Eblog é um grupo de blogueir@s de esquerda, unidos ao redor das bandeiras anticapitalista, antirracismo, antihomofobia, antimachismo, feminista, ecossocialista, em defesa dos povos indígenas e quilombolas, sobretudo pelas lutas cotidianas das trabalhadoras e dos trabalhadores pela emancipação de sua classe internacionalmente, que defende uma concepção material de democracia socialista, revolucionária, de baixo para cima feita, vivida e instaurada cotidianamente pelos de baixo, isto é, que não se restrinja à democracia capitalista liberal, sua liberdade formal e seus direitos abstratos.

Progressismo ou anticapitalismo?

O #Eblog não se propõe ser uma associação orgânica de “blogueir@s de oposição ao governo” (embora conosco possam atuar opositores/as de esquerda ao atual governo), ou uma associação jornalística extraoficial, mas um agrupamento de lutadores e lutadoras que, reunid@s numa frente de lutas comuns, pretende ocupar e resistir no caminho abandonado por forças outrora de esquerda.

A atual guinada liberal-conservadora do Governo Dilma, sob o argumento da “correlação de forças”, está acometendo parte da blogosfera que se coloca no campo de esquerda, e que, recentemente, assumiu para si o adjetivo “progressista”. Não negamos o fato de que a política também se faz no jogo de forças entre as classes sociais, na chamada “correlação de forças”, mas é preciso reconhecer o momento em que essa expressão se torna um argumento universal para se responder a qualquer questionamento e se esquivar de todas as críticas políticas. É preciso construir projetos políticos capazes de ir além da consolidação de burocracias e aparelhos, que acabam ficando pra trás do movimento das forças sociais vivas de resistência e luta em geral.

Propomos, pois, lutar por alternativas a essas práticas políticas, colocando-nos sempre à disposição de ações de luta unificadas em favor de bandeiras políticas emancipatórias em comum que vão para além da defesa deste ou daquele governo, este ou aquele partido, e sim de emancipações inadiáveis e urgentes.

Pontes e limites

Não abrimos mão da impaciência e do combate a atual conciliação/colaboraçãodeclasses da qual é cúmplice e conivente uma maioria dos que se dizem progressistas, que, por sua vez, instauram o silêncio sobre questões essenciais em nome de um pragmatismo que já perdeu toda razão de ser. Sem perder o senso prático, questionamos: qual a correlação de forças que justifica o ataque à reputação d@s blogueir@s que se propõem defender as causas emancipatórias de esquerda, às quais os “progressistas” sistematicamente e sintomaticamente se omitem e se calam, desviando o assunto e por vezes desqualificando debatedores/as?

As pontes tem limites, não aguentam todas as intempéries e hoje estão em obras, sem data para terminar e com orçamentos sigilosos. O macartismo, o senso de ombudsman em defesa do Governo Dilma ou de Lula não é à toa, não é pessoal, não é só dos “blogueiros progressistas”: é comum em qualquer discussão com a maioria d@s apoiadores/as do atual governo. Infelizmente, isso não ocorre de modo isolado, pois tornou-se tática constante.

A coordenação dos autoproclamados “blogueiros progressistas” vem praticando um jornalismo tão vertical que até a forma de reagir às críticas tem seguido um corporativismo que remete às práticas da grande imprensa oligárquica. Telefonam uns para os outros e vão coordenando ataques de descrédito: deslegitimar a fonte, desviar a questão política para verdade/mentira, estabelecer o “fato” e a “verdade” como resultado de uma técnica específica, de certo efeito de discurso jornalístico. A campanha empreendida por alguns líderes do BlogProg contraIdelberAvelar, logo após o processo eleitoral de 2010, foi sintomática e exemplar nesse sentido, acabando por reproduzir o típico denuncismo da mídia oligarca sobre o “mensalão” – que, aliás, os mesmos “progressistas” criticam! A reação corporativista dos jornalistas do BlogProg às críticas políticas parece-nos entrar no mesmo modus operandi da grande imprensa – que dizem combater, chamando-os de “Partido da imprensa Golpista – PIG” em função de constantes ataques, fruto do ódio de classe elitista, contra Lula e o Partido dos Trabalhadores, ou seja, agindo como verdadeiro “PartidodaImprensaFavorávelPIF”.

Dentre muit@s que participam dos Encontros dos Blogueiros Progressistas na esperança de construir uma alternativa, sabemos que nem tod@s adotam este posicionamento, mas entendemos também que acabam, de um modo ou outro, alinhad@s e/ouconiventes com as orientações políticas hegemônicas de sua direção. Para alguns destes “blogueiros progressistas” as dissidências e/ou a oposição de esquerda frente a linha política hegemônica (simpática ao atual governo) são tratadas como “esquerda que a direita gosta”, “psolismo”, “jogo da direita” ou “ultraesquerdismo”. Inclusive, alguns dos participantes das listas de discussão dos “progressistas” ou mesmo pelo Twitter, tratam a suas próprias dissidências com sufocamento por meio de ataques virulentos e desqualificadores.

Na realidade, percebemos que os “blogueiros progressistas” não constituem uma alternativa efetiva, mas uma mera luta de hegemonia contra a grande imprensa oligarca, enquanto proclamam ser os principais porta-vozes da democracia midiática. Esta luta acaba por cair em um maniqueísmo que em nada colabora politicamente, pelo contrário: tornam rasas as análises e, consequentemente, adotam posições políticas de apoio cada vez mais acríticas, cegas e fanáticas, sempre defendendo o legado de governos e pessoas, e não as bandeiras e programas socialistas. Assim, visam tornarem-se as principais referências políticas na blogosfera brasileira. Estas práticas tem levado muitos “blogueiros progressistas” a prestarem-se ao papel de correia de transmissão das políticas da máquina partidária do atual governo, diga-se, a mais bem acabada e incorporada à institucionalidade da democracia liberal de nosso país. Portanto, parece-nos que o sonho destes blogueiros tem sido tornarem-se uma “grande imprensa”, com um público enorme, com plateia de milhares e milhares, ao invés de radicalizar a democracia na produção midiática em sua cauda longa, ou seja, na práxis cotidiana, multitudinária e concreta das lutas.

Estamos falando de um grupo de blogueiros que vem tentando construir uma certa hegemonia na blogosfera, tentando torná-la politicamente uniforme no apoio ao atual governo e adjetivando-a enquanto “militância progressista” e, por fim, ligando-a de forma indelével às políticas liberais-conservadoras deste novo petismo que vai se consolidando no e por meio do governo, que já não possui qualquer tintura de esquerda, e, por vezes pior, está ligado a um governismo pragmático que historicamente faz política de mãos dadas com a direita oligárquica e rentista.

Contestamos, pois, esta prática de considerarem-se como “a blogosfera progressista” e não como parte de uma blogosfera política muito mais antiga, ampla, diversa e de rico potencial emancipatório.

Tendo em vista estas reflexões críticas, propomo-nos a lutar para criar e fomentar alternativas a este tipo de prática na blogosfera, colocando-nos sempre à disposição de ações unificadas em favor de bandeiras comuns que vão para além da defesa deste ou daquele governo, este ou aquele partido.

Governo Progressista?

Somente nos primeiros seis meses do Governo Dilma, o povo brasileiro foi derrotado sucessivas vezes, a começar pelas nomeaçõesdeliberaiseconservadoresparaosministérios. Entre os exemplos mais gritantes, evidenciamos a posição do governo e sua “base aliada”: em defesa do salário mínimo de R$ 545,00 aprovado enquanto aprovaram salários de R$ 26.723,13 para os parlamentares; a nãoaprovaçãodoProjetodeLei 122 e o kit antihomofobia (em nome da “governabilidade” com a bancada reacionária dos evangélicos, que integram a “Base Aliada”); o imobilismo em favor de um projeto de reformaagrária; a aprovação do Código (des)Florestal para favorecer a expansão das fronteiras do agronegócio exportador; a privatização de vários dos principais aeroportos do país; a conivência e defesa da manutenção de um granderetrocessonapautacultural; se colocando contra a liberdade na rede e o compartilhamentolivre; respondendo processosnaOrganizaçãodosEstadosAmericanosOEA por violações dos direitos humanos (em função da criminosaanistiaaostorturadores ao caso de Araguaia); e, principalmente, arepressãoaospovosindígenasdoXingu com a finalidade de construir a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, que favorecerá as oligarquias e a instalação de grandes transnacionais eletrointensivas na região.

Este é um governo cujo MinistrodaDefesaatua diariamente contra os interesses nacionais, agindo como cúmplice dos EUA e parceiro de Israel, chegando ao ponto de anunciar ter “perdido” os documentos militares sobre a repressão da ditadura militar brasileira. Um governo que atropela os interesses populares ao continuar impondo a criminosa transposição das águas do rio São Francisco ignorando o diálogo com as populações atingidas, os impactos socioambientais envolvidos e as alternativas de convivência com o semiárido proposta pelo povo e sociedade civil organizada.

Este é um governo que atua lado a lado com o grande capital e as oligarquias em detrimento dos interesses da população, garantindo grandes volumes de verba às “UniEsquinas” sem qualquer garantia de qualidade no ensino (ao mesmo tempo em que não realiza qualquer investimento significativo em educação básica) ou às empresas de telecomunicação com umPNBL (PlanoNacionaldeBandaLarga, hojeapelidadodePlanoNeoliberaldeBandaLerda) risível, que não garante qualidade ou velocidade e, pior, ainda impõe um limite absurdo aos dados durante a navegação. Além de financiar com dinheiro público, via BNDES, quase todos os megaempreendimentos privados e socioambientalmente impactantes das indústrias de papel e celulose, das eletrointensivas e das empresas do agronegócio, entre outros.

Este é um governo que se diz preocupado com os direitos humanos e que quer ser potência global, mas atua de modo imperialista em defesa dos interesses de seu capital monopolista nacional, com as empreiteiras, Petrobras, Vale, enquanto renunciaàpolíticasoberanaeativa, que Celso Amorim conquistou em termos de política externa, por uma aproximação torpe com os EUA – com direito a presospolíticos na visita de Obama à cidade do Rio de Janeiro para silenciar a voz crítica da população. Que diz que irá priorizar a educação mas continua reduzindo o orçamentoestrangulado, assim como faz com a saúde, enquanto o bolsa rentista semanalmente paga um programa bolsa família em dinheiro para os credores da dívida interna.

Este é o governo que atua com desenvoltura na condução, em parceria com governos estaduais e municipais, de uma políticadanosaparaaspopulaçõesatingidaspelosmegaeventosesportivos. As remoções no Rio de Janeiro são exemplo da implementação de um modelo de política urbana que despreza o direito à cidade e atende a uma lógicaprivatizantequalificadacomoradicalmentedanosapeloMinistérioPúblicoFederal. Exemplo disso é a cessão ao estado e ao município do Rio de Janeiro de imóveis públicos federais para repasse à iniciativa privada. Esta cessão não é para a criação de projetosdemoradia, mas para uma “revitalizaçãodaáreaPortuária que será cedida a um consórcio privado, atendendo às necessidades do mercado imobiliário especulativo. Este tipo de ação não é restrita ao estado e município do Rio de Janeiro, pois acontece com igual gravidade, por exemplo, em Fortaleza cuja prefeitura do PT utiliza os mesmos métodos adotados por Eduardo Paes (PMDB). Em várias cidades-sede da Copa do Mundo de 2014, está em curso um violento processo de remoção, inclusive comandados por governos de “esquerda” que em nada se diferem de administrações tucanas que em São Paulo, por exemplo, agem violentamente contra moradores/asamedrontados/aspelasremoções em Itaquera, onde a faveladoMetrô também é alvo desta política vil. Em quase todas as cidades que sediarão a Copa do Mundo, populações vulnerabilizadas tem sofrido com remoções forçadas que desrespeitam sua história e os laços criados com seus territórios de vida.

Estes crimes são cometidos em nome de uma “imagem” do país no exterior, de um modelo de desenvolvimento que despreza tudo e tod@s em prol de números favoráveis para a propaganda governamental e eleitoral, ignorando inclusive acordos internacionais firmados com relação aos direitos humanos e ao meio ambiente. O resultado é o agravamento dos problemas socioambientais e o desrespeito às populações atingidas pelo avanço impiedoso de uma máquina que premiaocapitalemarginalizaapopulaçãoquesofrecomoprocessodecriminalizaçãodapobreza por meio do avanço das forças de repressão travestidasdepolíticadesegurança, mas que trazem no fundo um terrível sentido de manutenção de uma vigilância feroz ao que foge do sonho de consumo das elites.

O que queremos e pelo que vamos lutar

Não é este o “desenvolvimento social” e o “crescimento econômico” que a esquerda anticapitalista precisa reivindicar, e sim alternativas com base nas experiências e lutas populares que contemplem a reivindicação intransigente da reforma agrária, da democratização da comunicação, da justiça ambiental, da abertura dos arquivos da ditadura e da redução de jornada de trabalho, de uma sociedade mais justa e com plenos direitos para seu povo. As bandeiras devem progredir, não a paciência, pois só se avança resistindo e lutando.

Lutamos pela democratização da comunicação e da cultura, pela possibilidade de ampliação dos meios de vivência e produção midiática, por universidades públicas para tod@s, gratuita e de qualidade, bem como uma Educação básica que possa ser pilar para novas gerações, com salários dignos a noss@s professores/as; assim como também lutamos pela saúde pública de nosso povo, pelo direito a um meio ambiente produtivo e saudável, pela igualdade de raça, gênero e etnia. Para avançar em tudo isto, defendemos a auditoria cidadã das dívidas da União para viabilizar estes recursos.

Lutamos pela verdade das lutas, pela abertura irrestrita dos arquivos da ditadura militar e justiça como reparação às vítimas e à verdade sobre quem participou e corroborou com este regime, direta ou indiretamente, e, claro, todos os métodos autoritários, tão comuns no Brasil inclusive antes e depois dos anos de chumbo.

Lutamos para que se coloquem em marcha processos de empoderamento d@s sem-voz, d@s sem terra, d@s sem renda, d@s sem teto, d@s sem universidade, d@s sem internet, d@s despossuíd@s, d@s sem acesso à cultura, d@s sem educação de qualidade, e, principalmente, daqueles e daquelas sem a possibilidade de viver e produzir dignamente.

O Eblog convida tod@s que se identificam com estas lutas a se unirem conosco para organizar diversas blogagens coletivas, campanhas, encontros, oficinas, discussões, cobertura e divulgação de lutas. É hora de nos organizarmos e avançarmos com as lutas históricas sem esperar que governos e partidos o façam por nós.

A partir do Eblog, defendemos a DEMOCRATIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO como princípio, o que significa dizer que lutamos por: a) Um Plano Nacional de Banda Larga que universalize o acesso oferecendo internet de alta velocidade em regime público; b) A luta pela aprovação do Marco Civil da Internet que endosse a liberdade civil na rede; c) Um novo Marco Regulatório dos Meios de Comunicação (“Ley de Medios”) que ponha fim nos monopólios e oligopólios da comunicação brasileira. Paralelo a isso, estamos atent@s esomos combatentes nas lutas: d) pelo fortalecimento do Estado laico; e) pelo fim do machismo e do patriarcado com o fim da violência contra as mulheres e pela descriminalização do aborto; f) contra o racismo; g) contra a homofobia e pela aprovação do PLC 122 sem nenhuma alteração que privilegie os interesses de grupos religiosos; h) contra todas as formas de discriminação; i) pela abertura dos arquivos da ditadura militar e pela punição legal dos torturadores e cumprimento das decisões da Corte Interamericana de direitos Humanos (CIDH); j) pela justiça socioambiental e contra Belo Monte; l) contra a criminalização da pobreza e dos movimentos sociais; m) por uma reforma agrária ampla e popular; n) contra toda e qualquer forma de censura, na Internet ou fora dela;

Para não ficarmos apenas elencando lutas, estamos propondo uma blogagem coletiva pela DEMOCRATIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO (que incluem os itens “a”, “b” e “c” das nossas lutas/bandeiras) para JÁ, de 7 a 10 de Julho de 2011. Está na hora de tod@s arregaçarmos as mangas – blogueir@s progressistas, de esquerda, nerds, independentes, músic@s, escritores/as, jornalistas etc. – e somarmos esforços em torno das lutas que nos unificam.

Escreva seu texto pela democratização da comunicação e divulgue nas redes com a hashtag #DemoCom e não esqueça de “taguear” a postagem também como “blogagem coletiva pela democratização da comunicação” e “democom” entre os dias 7 e 10 de Julho.

Se você concorda com nossos princípios (ou com a maioria deles), pode aderir e assinar esta nota publicando-a em seu blog e incluindo sua assinatura ao final. Temos identidade e temos lado, mas não queremos ficar restritos a guetos e nem apenas organizando encontros. Ousemos lutar!

Eblogs que assinam este documento:

Alexandre Haubrich – www.jornalismob.wordpress.com – Jornalismo B

Amanda Vieira – http://amanditas.wordpress.com/ – Nós

Bárbara de Castro Dias – https://eacritica.wordpress.com – Educação Ambiental Crítica

Bruno Cava – http;//www.quadradodosloucos.com.br – Quadrado dos LOucos

Danilo Marques – http://www.dandi.blogspot.com – Inferno de Dandi

Israel Sassá Tupinambá – http://uniaocampocidadeefloresta.wordpress.com – Uniao Campo Cidade e Floresta

Gilson Moura Jr. – http://tranversaldotempo.blogspot.com/– Transversal do Tempo

Givanildo Manoel – http://infanciaurgente.blogspot.com – Infância Urgente!!!

Lucas Morais – http://www.diarioliberdade.orgCrítica Radical

Luciano Egidio Palagano – http://razaoaconta-gotas.blogspot.com/ – Razão à Conta-Gotas!

Luka – http:www.bdbrasil.org – Bidê Brasil / A segunda luta

Mario Marsillac Lapolli e Sturt Silva – http://ousarlutar.blogspot.com/ – Ousar Lutar Ousar Vencer

Mayara Melo – http://mayroses.wordpress.com/ – May Roses

Niara de Oliveira – http://pimentacomlimao.wordpress.com – Pimenta com Limão

Paulo Piramba – http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/ – Ecossocialismo ou Barbárie

Pedro Henrique Amaral – www.terezacomz.blogspot.com – Tereza Com Z

Raphael Tsavkko – http://www.tsavkko.com.br – The Angry Brazilian / Defendei a casa de meu pai

Rodolfo Mohr – http://rodomundo.juntos.org.br/ – Rodomundo

Rodrigo Dugulin – http://lavandoloucas.blogspot.com/ – Lavando Louças

Renata Lins – http://chopinhofeminino.blogspot.com/ – Chopinho Feminino

Sandro Ivo – http://noticiasfragmentos.wordpress.com – Fragmentos Ativo Notícias

Sérgio Domingues – http://pilulas-diarias.blogspot.com/ – Pilulas Diárias

Tiago Costa – http://tapesinmyhead.wordpress.com – Tapes in my Head

(atualizado em 05/07/2011) – A cada dia novas adesões e novas assinaturas de Ebloguers)

Erro no sistema


Quando pensamos nas grandes questões ambientais, é interessante, não realizar a separação, entre o ser humano e a natureza. Este modo de pensar caracterizou por muito tempo as lutas ambientalistas, dos anos 70, 80 e 90… No entanto atualmente, as linhas de pensamento mais modernas sobre o assunto, inserem o ser humano nessa análise e logo o mais correto é a análise das questões socioambientais.

Se considerarmos que a maior parte dos problemas socioambientais, não  estão especificamente no fato em si da degradação, como por exemplo a poluição, o desflorestamento e a exploração de recursos, mas especificamente no modo, como essa degradação acontece, ou seja, como o próprio ser humano se relaciona com a natureza. No atual modelo de desenvolvimento econômico e social, a natureza é vista como uma mercadoria, objeto de consumo ou meio de produção.

É esta crítica mais profunda que buscamos neste blog. Ao falarmos apenas da degradação, poluição, desflorestamento e exploração de recursos, estamos caindo numa análise reducionista. Pois, não considerando o ser humano na questão, logo, estamos falando apenas de problemas ambientais. Mas, essas relações de degradação dependem estritamente da própria ação do ser humano para que elas aconteçam.

E o ser humano está diretamente inserido nessa relação, seja extraindo ou produzindo seja lucrando ou sendo explorado. O ponto que gostaria de chegar é, como foi dito acima, neste caso estamos analisando a relação do ser humano com a natureza: uma relação socioambiental. É impossível pensar no meio ambiente sem a presença humana, pois é através de seu trabalho que o ser humano modifica a natureza e é por ela modificado.

E esta exploração da natureza, quase sempre se relaciona com a exploração do próprio ser humano. A lógica do capital é explorar o trabalhador e a natureza, assim o aviltamento das condições humanas de trabalho, está diretamente relacionado à lógica predatória que devasta a natureza.

Por este mesmo motivo, na minha opinião, é impossível dissociar uma análise de problemas socioambientais, de uma crítica ao próprio sistema capitalista. A educação ambiental crítica, não pode e não deve fugir a esse debate. Inclusive, acredito que e a forma mais eficaz de se pensar em educação ambiental, é educar para a crítica, educar para o debate e para o embate.

O ser humano produz o meio que o cerca e é ao mesmo tempo seu produto, e as nossas relações com a natureza fazem parte de nossa própria história. Temos que deixar de lado essas análises meramente ambientais e começar a desvelar a raiz mais radical do problema, ou seja, o modo de produção. Há uma necessidade urgente de evocarmos um novo paradigma, no qual é necessária uma mudança nesta relação destrutiva com a natureza, nem que para isso tenhamos que mudar o sistema.

Erro de sistema O capitalismo deixou de funcionar! Instalar novo sistema? OK