Bolsa de Grife

Estava ouvindo um álbum da Vanessa da Mata “Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias” e me deparei com essa música que faz uma crítica bem humorada e irônica das relações de consumo, a canção relata a compra frustrada de uma bolsa de grife. Na compra do item a promessa de amor, cura da gripe, cura do fogo entre outras “mentiras”, que logicamente um objeto não poderia dar a ninguém. A conclusão final se revela no refrão “Ainda tenho a angústia e a sede, a solidão, a gripe e a dor, e a sensação de muita tolice, nas prestações que eu pago pela tal bolsa de grife”.

Pode parecer até brincadeira, mas quantas vezes já não compramos “bolsas de grife” incentivados por uma propaganda, por um impulso, por uma vontade inexplicável de ter aquela roupa, aquele objeto “de nossos sonhos”, o último lançamento do qualquer eletrônico, o último modelo de aparelho de celular… O problema não está no consumir, vivemos em uma sociedade onde precisamos comprar para ter acesso aos bens materiais necessários a nossa própria vida.

O problema é o consumismo, esse sufixo “ismo” dá um tom de que algo é doentio ou relativo à doença, no próprio Wikipedia a definição “ato de consumir produtos e/ou serviços, indiscriminadamente, sem noção de que podem ser nocivos ou prejudiciais para a nossa saúde ou para o ambiente”. Muitas vezes influenciados pelas propagandas de empresas, publicidade e da cultura, somos  induzidos ao consumismo sem necessidade, é a sociedade do consumo.

Paremos um momento para ouvir a música e depois para repensar. A própria música dá a dica “Nem pensei. Impulso pra sanar um momento. Silenciar barulhos. Me esqueci de respirar Um, dois, três. Eu paro. Hoje sei que tenho tudo Será? Escrevi em meu colar. Dentro há o que procuro.

Bolsa de Grife – Vanessa da Mata

Comprei uma bolsa de grife
Mas ouçam que cara de pau.
Ela disse que ia me dar amor
Acreditei, que horror
Ela disse que ia me curar a gripe
Desconfiei, mas comprei
Comprei a bolsa cara pra me curar do mal
Ela disse que me curava o fogo
Achei que era normal
Ela disse que gritava e pedia socorro
Achei natural

Ainda tenho a angústia e a sede
A solidão, a gripe e a dor
E a sensação de muita tolice
Nas prestações que eu pago
Pela tal bolsa de grife (2x)

Nem pensei
Impulso
Pra sanar um momento
Silenciar barulhos.
Me esqueci de respirar
Um, dois, três
Eu paro
Hoje sei que tenho tudo
Será?
Escrevi em meu colar
Dentro há o que procuro

Ainda tenho a angústia e a sede
A solidão, a gripe e a dor
E a sensação de muita tolice
Nas prestações que eu pago
Pela tal bolsa de grife (2x)

Meu amigo comprou um carro pra se curar do mal

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6 opiniões sobre “Bolsa de Grife

  1. O álbum é ótimo e a música também, achei sua inspiração muito boa; uma sacada bem interessante!! Até o texto ficou gostoso de ler. Bem bacana!

  2. Pingback: Compre sua “consciência tranquila”, aceitamos cartão de crédito « Educação Ambiental Crítica

  3. Pingback: Paz verde « BLOG EA CRÍTICA

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