AMAZÔNIA PÚBLICA – MADEIRA

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Nesta segunda série de reportagens a equipe de reportagem da Pública foi ouvir os moradores do entorno das hidrelétricas de Jirau e Santo Antonio. Em Porto Velho, ouviu histórias sobre ondas que estão engolindo casas e grandes mortandades de peixes, enquanto pescadores passam necessidade depois de perder seu sustento.

Entre os meses de julho e outubro, três equipes de repórteres da Agência Pública de Reportagem e Jornalismo Investigativo percorreram três regiões amazônicas: no pólo de mineração em Marabá (PA); na bacia do Rio Tapajós; e em
Porto Velho e as hidrelétricas do rio Madeira. Todas as reportagens buscam explorar a complexidade dos investimentos atuais na Amazônia, incluindo as negociações e articulações políticas e ouvindo todos os atores envolvidos – governos, empresas, sociedade civil  para traçar o contexto em que esses projetos têm sido desenvolvidos. O prisma essencial destas reportagens, assim como de toda a produção da Pública, é sempre o interesse público: como as ações e negociações políticas e econômicas têm tido  impacto, na prática, a vida da população.

Visando alcançar uma divulgação maior desta série de reportagens, foi firmada uma pareceria entre a Agência Pública de Reportagem e Jornalismo Investigativo e diversos meios impressos e eletrônicos de divulgação, que serão oficialmente os republicadores do conteúdo da série.  Desta maneira, pretendemos nessa semana e nas duas semanas seguintes, republicar trechos dessas reportagem aqui no blog EA Crítica. Por se tratar de um volume muito grande de informações, realizamos apenas a chamada para a reportagem e “linkamos” para as matérias completas no hotsite do projeto.

MADEIRA – AS USINAS QUE ENGOLIRAM O RIO

Na capital de Rondônia, mostramos como a construção das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio já está trazendo impactos  sobre a população, a economia e o meio ambiente, num anúncio do que novas obras levarão a outras regiões da Amazônia. Uma série de  condicionantes era prevista para esses empreendimentos: elas estão sendo aplicadas? A cidade está, de fato, conseguindo absorver o impacto trazido pelo afluxo de pessoas e dinheiro que as obras geraram?

Vamos também conferir como estão as condições de trabalho nas usinas, foco de grandes manifestações de trabalhadores nos
últimos anos. E como os ribeirinhos e moradores de Porto Velho que foram atingidos pelas obras estão vivendo hoje. Além de verificar o comportamento dos empreendedores, vamos conferir como o poder público municipal e estadual está atuando frente ao desafio de administrar o enorme afluxo de pessoas e recursos. O dinheiro está sendo devidamente aplicado na
melhoria das condições de vida em Porto Velho? Afinal, qual a cara do progresso trazido pelas obras do PAC?

A Guerra dos Megawatts (por Ana Aranha)

Enquanto as empresas disputam entre si para extrair o máximo de energia do rio Madeira, aumentam os impactos das obras sobre a população local e o meio ambiente

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Usina hidrelétrica de Jirau, em Rondônia Foto: Marcelo Min

Uma briga entre peixes grandes revolta o curso do rio Madeira. As usinas hidrelétricas de Jirau e de Santo Antônio, segundo e terceiro maior potencial hidrelétrico do Programa de Aceleração do Crescimento, disputam cada megawatt a ser extraído das águas de Rondônia.  Desde que ganharam o leilão para explorar o rio, entre 2007 e 2008, os empreendimentos tentam antecipar as obras e fazem alterações ao projeto para aumentar a geração de energia. Mas, construídas com 110 quilômetros de distância entre elas, ambas as usinas alegam que as mudanças pleiteadas pela vizinha prejudicariam o seu projeto. E batem na porta do governo federal, responsável por autorizar cada alteração, com argumentos técnicos e ameaças jurídicas. Continue lendo aqui

Rio em fúria (por Ana Aranha)

Ondas engolem casas, e peixes aparecem mortos, enquanto pescadores passam fome. A usina de Santo Antônio mudou o rio e a vida em Rondônia

Dois dias antes do início dos testes na primeira turbina da hidrelétrica de Santo Antônio, em Rondônia, o telefone tocou na casa da pescadora Maria Iêsa Reis Lima. “Vai começar”, avisou o amigo que trabalhava na construção da usina. Iêsa sentou na varanda e se pôs a observar as águas, esperando o que sabia ser uma mudança sem volta. “O rio Madeira tem um jeito perigoso, exige respeito. Os engenheiros dizem que têm toda a tecnologia, mas nada controla a reação desse rio.” Semanas depois, no início de 2012, as águas que banham a capital Porto Velho começaram a ficar agitadas. As ondas cresciam a cada dia, cavando a margem e arrancando árvores. O deque do porto municipal se rompeu. O rio alcançou as casas, até que a primeira delas ruiu junto com o barranco para dentro das águas. Continue lendo aqui

Vidas em Trânsito (por Ana Aranha)

Em meio às obras em Rondônia, milhares de homens e mulheres se encontram e desencontram, e o dinheiro desaparece com a mesma velocidade que surge, em meio a sexo, violência e ausência dos órgãos públicos

Prostituta em salão de beleza em Jaci Paraná, a vila mais próxima da usina de Jirau  Foto: Marcelo Min

Prostituta em salão de beleza em Jaci Paraná, a vila mais próxima da usina de Jirau Foto: Marcelo Min

“Quando cheguei aqui, achei triste, chorava toda noite. Essa poeira, as ruas sem asfalto. Eu trabalhava lavando louça, não lembro como fui pela primeira vez. Ele era estranho, levou pó pra cheirar no quarto, queria beijar na boca, transar de novo. Depois chorei. Se fosse na minha cidade, ia ter vergonha, nojo. Aqui é normal, quase todas as meninas fazem. Eu mudei, não sou a mesma mulher.” Micheli (nome fictício) tem 20 anos. Há quatro meses, deixou sua cidade natal, no Pará, e desembarcou na vila de Jaci Paraná, distrito de Porto Velho, Rondônia. Encontrou trabalho e morada em um brega, nome local para bordel, onde começou ajudando na limpeza. Em duas semanas estava se prostituindo, como “quase todas as meninas”. Continue lendo aqui

Assista ao vídeo Rio em fúria

Não perca na próxima semana dia 10/12 Tapajós uma região à espera da chegada de empreendimentos que podem afetá-la de forma decisiva.

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