AMAZÔNIA PÚBLICA – TAPAJÓS

Em torno de um dos mais belos rios da Amazônia, o Tapajós, no oeste do Pará, a movimentação do governo federal para construir pelo menos duas usinas hidrelétricas nos próximos anos já começa a impulsionar a mineração, ameaçando um mosaico de áreas protegidas.

Entre os meses de julho e outubro, três equipes de repórteres da Agência Pública de Reportagem e Jornalismo Investigativo percorreram três regiões amazônicas: no pólo de mineração em Marabá (PA); na bacia do Rio Tapajós; e em
Porto Velho e as hidrelétricas do rio Madeira. Todas as reportagens buscam explorar a complexidade dos investimentos atuais na Amazônia, incluindo as negociações e articulações políticas e ouvindo todos os atores envolvidos – governos, empresas, sociedade civil  para traçar o contexto em que esses projetos têm sido desenvolvidos. O prisma essencial destas reportagens, assim como de toda a produção da Pública, é sempre o interesse público: como as ações e negociações políticas e econômicas têm tido  impacto, na prática, a vida da população.

Visando alcançar uma divulgação maior desta série de reportagens, foi firmada uma pareceria entre a Agência Pública de Reportagem e Jornalismo Investigativo e diversos meios impressos e eletrônicos de divulgação, que serão oficialmente os republicadores do conteúdo da série.  Desta maneira, pretendemos nessa semana e nas duas semanas seguintes, republicar trechos dessas reportagem aqui no blog EA Crítica. Por se tratar de um volume muito grande de informações, realizamos apenas a chamada para a reportagem e “linkamos” para as matérias completas no hotsite do projeto.

TAPAJÓS –  FLORESTA EM TRANSE

Vista da orla de Santarém (PA) / Foto: Fernanda Ligabue

Nossos repórteres vão relatar o que está acontecendo na bacia do rio Tapajós, onde a construção de uma série de usinas Hidrelétricas nos próximos anos pode impulsionar ainda mais os empreendimentos econômicos na região, e particularmente a mineração. Se Belo Monte já rendeu enorme discussão, o que se dirá das pelo menos quatro usinas que estão planejadas para
essa bacia? Em Juruti, mostramos como está a produção de bauxita pela multinacional Alcoa e como tem sido a relação entre as comunidades da região e a empresa. Em Santarém, vamos saber como ficará, nos próximos anos, o papel da cidade no escoamento da safra agrícola, em função das novas obras previstas para a região, como a conclusão do asfaltamento da BR-163.

Subindo o rio até Itaituba e Jacareacanga, vamos mostrar como as novas usinas, como São Luis do Tapajós e Jatobá, vão mexer mais uma vez essas águas e na história dos que ali vivem, que acumulam as consequências de projetos equivocados e práticas agressivas ao meio ambiente, como o garimpo de ouro com o uso de mercúrio. Que áreas serão efetivamente alagadas? Quais os possíveis impactos sobre as imensas áreas de conservação ambiental na região? As populações indígenas da região serão devidamente consultadas? Essas são algumas das questões que o especial abordará.

Arquitetura da destruição (por Por Carlos Juliano Barros)

O governo prevê construir pelo menos duas hidrelétricas até o fim da década no Tapajós, atingindo em cheio um rincão de biodiversidade e beleza

Quando decidiu encarar de carro os 3.338 quilômetros que separam o Rio de Janeiro do município de Itaituba, no oeste do Pará, o geólogo Juan Doblas – especialista em imagens de satélite – nem imaginava que daria uma contribuição e tanto à biologia da Amazônia. Enquanto dirigia pelo trecho da BR 163 que atravessa o Parque Nacional do Jamanxim, uma das doze unidades federais de conservação ambiental que protegem essa parte da floresta alimentada pela bacia do rio Tapajós, ele se deparou com uma macaca que, atordoada pelo barulho do automóvel, abandonou em plena estrada o filhote que carregava.

Máquina movimenta minério de bauxita na mina da Alcoa localizada em Juruti (PA) / Foto: Fernanda Ligabue

Depois de deixar o pequeno animal em uma árvore, permitindo que ele fosse resgatado pela mãe, Doblas resolveu filmar e tirar fotos do reencontro. “Quando cheguei a Itaituba, mostrei as imagens para um amigo do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) especialista em macacos”, conta o geólogo. A surpresa de ambos não poderia ser maior. Continue lendo aqui

A discórdia do desenvolvimento (por Por Carlos Juliano Barros)

Nas comunidades a serem afetadas pelas usinas no rio Tapajós, entre angústia e anseios, a desinformação impera, enquanto avançam os planos para as obras

“Morrer na lama, debaixo d’água, é que é triste, né? Mas, achando um lugar onde a gente escape para morrer sossegado, quem me acompanha é Deus e meus filhos”. É humanamente impossível deixar de prestar atenção às palavras que pausadamente saem da boca de Maria Bibiana da Silva, apelidada de Gabriela em homenagem ao pai, José Gabriel. Do alto de seus 104 anos, comprovados pelo rosto profundamente enrugado e pelas pernas arqueadas em forma de alicate, a profética anciã responde de bate-pronto quando questionada sobre o que o rio Tapajós representa para ela: “o sossego”.

No longínquo ano de 1917, Gabriela partiu do Ceará rumo aos seringais do Acre. No meio do caminho, porém, a família resolveu fincar raízes em Pimental, uma vila de pescadores erguida na beira das águas esverdeadas do Tapajós, numa área que hoje pertence ao município de Trairão, no oeste do Pará. E de lá jamais saíram. Desde aquela remota época, os dias no modesto povoado onde atualmente vivem cerca de 800 pessoas nunca foram tão agitados… Continue lendo aqui

Juruti: um pacto possível?  (por Por Carlos Juliano Barros)

Detalhe do minério de bauxita / Foto: Fernanda Ligabue

A negociação entre a multinacional Alcoa e ribeirinhos do oeste do Pará gerou um inédito acordo por “perdas e danos”, mas ainda há dúvidas sobre a viabilidade do modelo

Fisicamente, Franklin Feder e Gerdeonor Pereira têm pouco em comum. O primeiro é um norte-americano naturalizado brasileiro, de barba grisalha e ar bonachão – ele preside atualmente a divisão da Alcoa na América Latina e no Caribe, companhia que lidera o bilionário mercado mundial de alumínio. Alcoa é sigla para Aluminum Company of America, explicitando a origem da empresa.

Já Pereira tem os olhos amendoados e o semblante sereno típicos dos que nasceram nas comunidades ribeirinhas de Juruti, município de quase 50 mil habitantes no extremo oeste do Pará, erguido na margem direita do rio Amazonas. Continue lendo aqui

Rio de ouro e soja (Por Carlos Juliano Barros)

Muito além da discussão sobre as hidrelétricas, o Tapajós vive problemas relativos ao garimpo – clandestino ou oficial – e a expansão do agronegócio

Ivo Lubrinna não se conforma com o fato de seu candidato à reeleição para a prefeitura de Itaituba – “mesmo com a máquina na mão” – ter perdido o pleito realizado em outubro passado. Dono de uma voz grave e de uma franqueza espantosa, ele sabe que os próximos anos serão bastante movimentados no município de 100 mil habitantes que cresceu às margens do rio Tapajós, no oeste do Pará.

Enquanto concede a entrevista, Lubrinna é vigiado silenciosamente pelo filho, que acaba de voltar à Amazônia depois de nove anos na capital da Inglaterra, onde comandava uma prestadora de serviços de limpeza. Como a crise europeia não dá sinais de trégua, ele acha que é possível ganhar até três vezes mais investindo em Itaituba. Continue lendo aqui

Assista ao vídeo Tapajós em Transe

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