Trabalho de campo em educação ambiental

Esse post não tem como objetivo ser uma orientação metodológica pronta, pois estaríamos perdendo a essência do que é o próprio desenvolvimento de uma perspectiva crítica em educação ambiental. Ele apenas irá propor algumas formas de se repensar a importância do trabalho de campo em atividades de educação ambiental, pois essa ferramenta pedagógica, desperta um senso crítico nos envolvidos e pode ajudar na sensibilização inicial, na motivação para que estudantes e grupos sociais se mobilizem e participem de projetos de educação ambiental.

 Vale lembrar que um trabalho de campo em Educação Ambiental não deve levar em consideração apenas o aspecto ecológico, mas também a concepção do meio ambiente em sua totalidade, considerando a interdependência entre o meio natural, socioeconômico e o cultural sob o enfoque da sustentabilidade, conforme Art. 4º da Lei nº 9795/99 (Política Nacional de Educação Ambiental). O Art. 5º nos fala dos objetivos fundamentais da educação ambiental: “o desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio, ambiente em suas múltiplas e complexas relações, envolvendo aspectos, ecológicos, psicológicos, legais, políticos, sociais, econômicos, científicos, culturais e éticos.”

Vamos ao campo na cidade?

Logo devemos aproveitar o desenvolvimento de um campo para entender e visualizar, além da importância dos conhecimentos ecológicos para a compreensão do meio ambiente, também os problemas ambientais, fatores econômicos, históricos, sociais e políticos, pois o meio ambiente é muito mais do que apenas ecologia, e pode ser interpretado de diferentes formas durante um trabalho de campo, dependendo do olhar de quem o observa.

Como conteúdo escolar o tema meio ambiente deve levar a discussões a respeito das relações entre os problemas ambientais e fatores econômicos, políticos, sociais e históricos. Inclusive os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) orientam a importância de se trabalhar a realidade dos alunos e nisso o trabalho de campo, onde visamos à educação para o meio ambiente em que os alunos estão inseridos, partindo da realidade de cada um.

Rotineiramente, as atividades em campo costumam ser realizadas em florestas, riachos, restingas, lagoas e manguezais e outros ecossistemas, o que às vezes leva o estudante a conhecer outras regiões e ecossistemas, mas não a sua propria cidade.  Se considerarmos que a maior parte dos brasileiros vivem em cidades  (oito em cada dez), o trabalho de campo nesse ambiente pode e deve ser considerado, como ferramenta de educação ambiental. Mas como seria visitar um ecossistema urbano realizando uma visita uma visita à cidade?

 Pense na sua cidade, casas, prédios, ruas, enfim, um ambiente construído pelo ser humano. Mas é só isso? Certamente um rio, montanhas, praias ou outros vestígios de ecossistemas naturais. Há também nas cidades o meio socioeconômico, que é o meio das relações entre serviços, negócios, comércios, indústrias, instituições…

 E o ecossistema urbano como se caracteriza? Segundo Odum (1983) Uma cidade industrializada, é um ecossistema heterotrófico incompleto, dependendo de grandes áreas  para obtenção de energia, alimentos, água e outros materiais. Assim as cidades se caracterizam por possuírem um metabolismo muito intenso, exigindo uma demanda energética maior, suprida muitas das vezes por combustíveis fósseis. E uma entrada e saída de materiais, como metais para consumo industriais, além de materiais para a sustentação da própria vida na cidade.  E por último uma saída de resíduos e substâncias químicas, mais tóxicas do que os materiais de entrada, na forma de poluição.

 É interessante durante um trabalho de campo que se desenvolvam algumas questões para serem trabalhadas enquanto são realizadas as observações, levando a um olhar mais direcionado e um despertar crítico para as em relação ao ecossistema de uma cidade em seus aspectos ecológicos e sociais. Não devemos esquecer também de elaborar perguntas que possibilitem a reflexão sobre alguns dos aspectos presentes no artigo 5º da lei 9795, os aspectos envolvendo aspectos, ecológicos, psicológicos, legais, políticos, sociais, econômicos, científicos, culturais e éticos.

 Cito abaixo algumas perguntas que podem ser discutidas durante o trablho de campo em uma cidade:

1)      As industrias, comércio e residencias geram quais benefícios e quais desvantagens para a sua cidade?

2)      Quais os grupos que são mais beneficiados e mais afetados nessas atividades?

3)      Descreva de que forma o ambiente é afetado?

Vamos ao campo na cidade?

Referência Bibliográfica

ODUM, Eugene. 1983. Ecologia. Rio de Janeiro: Guanabara

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