Para não nos perdermos da crítica

O que nos faz ser crítico? Será uma boa formação acadêmica? Será nossa história de vida? Será algo estritamente subjetivo, ou seja, não mensurável ou quantificável do ponto de vista material? O fato é que para não nos perdermos da crítica, eu comecei a tentar entender, o que diferencia uma pessoa dentro da educação ambiental, vou me ater a esse campo do conhecimento e pesquisa, consegue alcançar uma visão e discurso mais crítico, daquelas que, mesmo tendo recebido algum tipo de formação ou contato com a educação ambiental crítica, não alcança, como diz o professor Alexandre Maia do Bomfim “a crítica em volume máximo”.

Ter contato com a perspectiva da educação ambiental crítica, e não vivenciá-la plenamente em sua práxis pedagógica, e para além da educação, em sua vida diária, é tão igual, e somente, a reprodução de uma educação ambiental conservadora.

Explico-me, em minha vivência como acadêmica da área e professora que tenta por em ação-reflexão uma educação (ambiental) mais crítica, percebo que muitas pessoas (professores), mas muitas mesmo, que tiveram contato com uma formação mais crítica em educação ambiental, não conseguem mudar estruturas de pensamentos mais conservadores e individualistas; ou seja, não analisam profundamente, ou fazem a crítica a lógica do sistema capitalista, que é em verdade é o grande responsável pelos problemas socioambientais. O contrário também acontece, pessoas que ao terem contato com a perspectiva crítica, se tornam um educador mais crítico, mas isso é mais difícil de acontecer…

M.C. Escher, “Liberation” (libertação)

O que nos faz crítico? Volto a questão anterior… Por que algumas pessoas que mesmo após o contato com a perspectiva crítica da educação ambiental, continuam reproduzindo os conceitos de maneira conservadora de “reciclagem”; de “cada um faz a sua parte”; de “sustentabilidade”, de “fechar torneira ao escovar os dentes”…

Certo que, todos esses temas mais conservadores, podem ser trabalhados dentro da perspectiva crítica se forem contextualizados com a realidade socioambiental em questão. Particularmente prefiro não utilizá-los, pois, é preciso muita sensibilidade para desconstruir essas idéias conservadoras para se chegar a crítica… Particularmente, prefiro começar de uma questão que  permita captar a crítica facilmente, pois, podemos cair num entendimento dúbio da questão, caso se opte, por exemplo, em iniciar um projeto de coleta seletiva, para que esse se torne crítico… Ou seja, que para além de coletar o lixo reciclável e orgânico, chegar nas discussões sobre a produção e consumo do sistema capitalista… Será que alcançaríamos essa crítica em volume máximo? A minha experiência na área sempre mostra que é complicado…

Sabemos que os aparatos de reprodução são sempre muito fortes, alienantes, mas tomar conhecimento de uma possibilidade crítica e não se apropriar dessa perspectiva, desse discurso e para além, pô-lo em prática na sua atuação como docente, é ser conivente com a própria reprodução que tenta manter o status quo, ou seja, ao invés de estar tentando resolver o problema, você esta apenas ajudando a perpetuá-lo… Como disse Eldridge Cleaver, um dos líderes dos Panteras Negras “se você não é parte da solução, então é parte do problema”.

Algo tem me provocado há muito tempo na educação ambiental crítica, após dar uma pequena contribuição para o entendimento, do que seria uma práxis crítica em educação ambiental, em minha pesquisa de mestrado, fico me questionando porque os professores que tem o contato com essa perspectiva, alguns não se apropriam integralmente dela em sua práxis pedagógica? Ou, como se acessa a crítica, e depois a descarta em prol das reproduções que visam manter apenas o status quo?

Bem, esse post foi mais para questionar do que para responder, mas sei que algo aí, tem que ser melhor entendido, se quisermos alcançar a crítica plena, que viabilize o trabalho dos problemas socioambientais, tendo em vista a resolução e entendimento dos mesmos. Não de maneira superficial, mas pela raiz, de acordo com Vázquez  “a crítica há de ser radical”, e para isso devemos nos apropriar de uma práxis crítica, que é talvez, o caminho mais difícil, e não o caminho fácil da reprodução de conceitos e práticas de uma educação ambiental conservadora.

Anúncios

3 opiniões sobre “Para não nos perdermos da crítica

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s