Em busca de uma práxis em educação ambiental crítica: Contribuição de alguns pesquisadores do Brasil


Vamos participar de mais um evento: O VI EREBIO – VI Encontro Regional de Ensino de Biologia, nos dias  1, 2 e 3 de Agosto de 2012 no CEFET-RJ. Além estar presente em um evento que é importante no ensino de Biologia, vamos apresentar  a nossa pesquisa acadêmica de mestrado: “EM BUSCA DE UMA PRÁXIS EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL CRÍTICA: CONTRIBUIÇÕES DE ALGUNS PESQUISADORES DO BRASIL”.

Neste post tentarei resumir os elementos principais da pesquisa, que pretende propor uma retomada da própria trajetória da Continuar lendo

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BLOG EA CRÍTICA: Divulgando a educação ambiental crítica no ciberespaço


Para quem acompanha o blog temos uma boa notícia, estaremos participando do III ENECiências – III Encontro Nacional de Ensino de Ciências da Saúde e do Ambiente, na UFF em Niterói, apresentando o trabalho “BLOG EA CRÍTICA: DIVULGANDO A EDUCAÇÃO AMBIENTAL CRÍTICA NO CIBERESPAÇO” no próximo sábado dia 19 de Maio, onde relatamos a além da  proposta inicial da criação do blog, seus objetivos, trilhas percorridas e inclusive o resultado da recente pesquisa  exploratória que realizamos com alguns dos nossos leitores. Segue abaixo o resumo do trabalho: Continuar lendo

Educação ambiental não é campanha de “Não jogue lixo no chão!”


Sabemos que a consciência ecológica emerge, ao longo da história recente, diante de uma realidade insustentável que ameaça a qualidade de vida das pessoas em um mundo, onde a tecnologia industrial e a explosão da população caminham, lado a lado, a degradação do meio ambiente.

No entanto, apenas o “crescimento da consciência da importância da preservação da natureza, que vem se dando nos últimos 30 anos em todo o mundo, não fez com que a sociedade atual viesse progressivamente diminuindo a destruição do meio ambiente.” (Gimarães, 2007).

Por que será que então, ao longo deste tempo, não vimos uma melhora significativa nos problemas ambientais? Por que será que a Educação Ambiental que muitos acreditam ser a “salvação da humanidade” não tem resolvido o problema apenas “conscientizando” a população.

Uma educação ambiental crítica deve ir além de campanhas de conscientização do tipo "Não jogue lixo no chão".

Como já foi dito aqui neste blog a Educação Ambiental NÃO conscientiza ninguém.

E para que as pessoas se sensibilizem, se motivem e se envolvam em relação aos problemas socioambientais é preciso que o trabalho da Educação Ambiental esteja imerso em uma proposta que considere a questão ambiental, e a contextualize em relação ao processo social, histórico, político e cultural, estabelecendo subsídio para que os sujeitos envolvidos possam se situar como cidadãos integrantes de um meio social, haja vista que somos seres sociais e como integrantes de um meio natural, pois também somos seres biológicos, sem é claro dicotomizar estas duas visões.

A Educação Ambiental deve também favorecer o desenvolvimento de um posicionamento crítico, tornado os sujeitos envolvidos em cidadãos capazes de rediscutir valores existentes em sua realidade, muitas das vezes impostos por uma cultura vigente, além propor alternativas aos problemas, incentivando a participação popular e o protagonismo social.

Os problemas socioambientais só serão resolvidos através da participação dos atores sociais envolvidos, quando estes se interessarem pelo problema e a partir daí se posicionarem na resolução do mesmo. Logo esta participação depende de uma mobilização civil, que motivada por um objetivo em comum pode trazer efetivamente a atuação de atores sociais comprometidos com o processo.

Deu para perceber o quão complexo é uma ação em Educação Ambiental. É imprescindível a reflexão crítica dos atores envolvidos na problemática para que estes exerçam seus papéis sociais. Apenas a “conscientização das pessoas” em nada sensibilizará, motivará e mobilizará a população a, por exemplo: “Não jogar lixo no chão!”, se por trás disso tudo, não estiver uma contextualização social, histórica, política e cultural deste problema… Que envolva os sujeitos envolvidos, para que estes atuem como cidadãos e, a partir daí sim não joguem no chão!

Referência:

GUIMARÃES, M. A formação de educadores ambientais. Campinas, SP: Papirus (Coleção Papirus Educação) 2007, 174p.

Coleta Seletiva: Dicas rápidas


A Coleta Seletiva é um sistema de recolhimento de materiais recicláveis, como, por exemplo: papéis, plásticos, vidros e metais, previamente separados em categorias ou não. O lixo seco reciclável pode ser coletado diretamente através de iniciativas municipais ou cooperativas, nas cidades onde já existe efetivamente a coleta seletiva que recolhe na fonte geradora (residências, comércios, escolas e indústrias) estes resíduos sólidos, para serem reutilizados ou reciclados. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) dos 5564 municípios do País, só 994 têm coleta seletiva. No entanto, esses dados ainda não são, nem de longe razoáveis, exigindo esforços mais intensos dos municípios no trato desta questão do lixo.

Moro na cidade do Rio de Janeiro, aqui assim como os outros 4569 municípios do Brasil, a Prefeitura juntamente com a empresa responsável pela coleta de lixo urbano, não tem como política pública a coleta seletiva. Muitos se apropriam desta justificativa para não adotarem esta prática (que deveria ser uma rotina) em suas residências, mas acreditando que devemos ir além, do que apenas nos convém no “pacto social”, eu resolvi por iniciativa própria há alguns meses atrás iniciar uma Coleta Seletiva Solidária aqui em minha casa.

Pretendo neste post, dar umas dicas rápidas de como iniciar e realizar uma coleta seletiva na sua casa, os sites que me ajudaram a entender o processo e achar um local para você possa levar seu lixo.

Após uma palestra sobre a implantação da Coleta Seletiva Solidária nas escolas Estaduais, na qual eu estava presente, entendi que o mais importante na seleção e triagem do lixo em nossas residências, em escolas e condomínios, é basicamente pensar o lixo em duas grandes categorias: (1) o lixo seco, papéis, plásticos, vidros, metais, tetrapak® e (2) o lixo úmido (orgânico), restos de comida, cascas de legumes, frutas e papel higiênico.

O lixo seco tem valor comercial imediato, através do processamento em indústrias que realizam a reciclagem. O lixo úmido será decomposto por fungos e bactérias e só teria via de regra um valor comercial, caso fosse decomposto em composteiras para obtenção de adubo, ou tratado em aterros controlados gerando bioagás (um sonho muito longínquo aqui no Brasil). Se você perceber, bom eu percebi depois que comecei a realizar a coleta seletiva, que a maior parte de lixo doméstico é o lixo seco.

Seguindo então uma separação simples entre lixo seco e lixo úmido, o que tive que fazer inicialmente foi apenas arrumar um local para a deposição do lixo seco (improvisei uma caixa de papelão com saco de lixo dentro):

Separação do lixo reciclável

E para o lixo úmido (orgânico) continuei a utilizar a mesma lixeira que eu já utilizava anteriormente:

Lixo Orgânico (úmido)

Uma dica para reduzir o volume do lixo é amassar as garrafas pet. Outra dica é nas embalagens tetrapak® , antes de colocar no saco de lixo enxaguar com ¼ de água, cortar as quatro pontas da caixa deixar secar, e só depois colocar junto com os outros materiais:

Amassar as garrafas diminui o seu volume e cortar as pontas de embalagens tetrapak evita acúmulo de material orgânico

Após essa etapa inicial, faz-se necessário descobrir algum local que receba os recicláveis. O Rota da Reciclagem disponibiliza um bom serviço de consulta, onde a partir da digitação do endereço, o site lista uma série de Cooperativas de catadores e Pontos de entrega voluntária, mais perto de sua residência. Para quem é do Rio de Janeiro, o site da Coleta Seletiva Solidária do Instituto Estadual de Meio Ambiente, também disponibiliza uma lista com várias Cooperativas de Catadores.

O terceiro passo é armazenar adequadamente o lixo reciclável separado em um local seco, até que você obtenha um bom volume, para que periodicamente você leve a Cooperativa ou ao Ponto de coleta mais próximo. O lixo úmido eu continuo descartando como fazia anteriormente.

Além da certeza cidadã de que estou fazendo algo que irá diminuir o lixo, incentivo também o uso desta temática da coleta seletiva, como uma prática que, pode funcionar bem como uma ação de educação ambiental, desde que, sensibilize os envolvidos a reflexões mais profundas sobre a origem do lixo; a sua destinação inadequada em lixões; sobre os problemas ambientais como, por exemplo, poluição do solo, água, ar; problemas sociais como catadores que trabalham em condições desumanas nos lixões; sobre as relações de consumo e desperdício; sobre o entendimento do funcionamento da cadeia de produção capitalista; entre outros aspectos que não somente ensinar a separar o lixo em lixeiras coloridas.

A Natureza objeto


Será esta árove uma máquina?

Observamos quase sempre, a natureza como algo exterior a nós mesmos, e isso tem uma explicação

Tendo como foco a análise temporal do desenvolvimento da sociedade ocidental, a atual crise ambiental é produto histórico de um modelo de desenvolvimento econômico, social e cultural. Neste processo, esta crise veio sendo apoiada e constituída por valores e paradigmas que a transformaram no que ela é hoje. Assim a realidade atual foi reciprocamente construída e reforçada por paradigmas e valores, e a superação da crise, implica necessariamente na superação desses paradigmas e valores.

Essa crise ambiental, não é simples de ser analisada, é complexa, multifacetada e multidimensional, afeta nossa saúde, nosso modo de vida, qualidade do meio ambiente, relações sociais, economia, tecnologia e política, daí a necessidade de ser analisada por diferentes seguimentos da sociedade, ou seja, de uma maneira interdisciplinar.

O autor Mauro Grün (1996) em seu livro Ética e Educação Ambiental – A conexão necessária, analisa e reconstrói esse processo histórico e identifica alguns valores e paradigmas em que se apoiou a construção da atual sociedade e ainda continua a apoiando…

O autor identifica que a ética antropocêntrica surgida a partir do renascimento, como sendo uma das principais causas da degradação ambiental, esta ética centrada no ser humano, está diretamente associada ao paradigma mecanicista, o qual inaugura a visão de que a natureza é uma máquina.

Esta mudança de modelo para uma visão que deixa de lado Deus como centro de tudo e coloca neste papel o ser humano e transforma o orgânico e natural em algo mecânico. O ser humano desde então se coloca em posição central no universo e a natureza de maneira secundária. Nesta época que ocorre cisão entre natureza e cultura, uma separação que levaria o futuro da humanidade a um antropocentrismo radical e apoiado fortemente pela razão.

A ciência moderna teve também um papel fundamental na difusão da lógica mecanicista da natureza, através do próprio método cientifico utilizado nas pesquisas, onde – a natureza, passa a ser não mais que, um objeto passivo de estudo dos cientistas. Percebemos que o ser humano se retira da natureza para que possa estudá-la cientificamente. Ao se retirar o ser humano se põe num lugar de descobridor e dominador da natureza…

Segundo Grün, o paradigma mecanicista; a ciência e sua metodologia objetificante; os valores individualistas, pragmáticos e racionais; a cisão cartesiana entre ser humano e natureza constitui uma barreira invisível para o entendimento da crise ambiental complexa e multifacetada e também para o desenvolvimento de uma educação ambiental realmente efetiva, nas palavras do mesmo autor constituem “uma impossibilidade radical de uma educação ambiental no cartesianismo”.

Uma das possíveis saídas para que seja realizada uma educação ambiental consistente, é que haja a superação da dicotomia ser humano x natureza. É necessário, que seja superada a visão da natureza como sendo uma fotografia de uma paisagem natural na parede onde nós, não nos reconhecemos e nem nos vemos; Por uma visão de uma natureza filme, em pleno desenvolvimento e movimento, cheio de cores, sons, perspectivas, problemas, onde nós somos atores em condição de atuar num cenário não menos importante, e ao mesmo tempo em que atuamos podemos assim mudar o desenrolar na história a todo o e qualquer momento.

Referência:

GRÜN, M. Ética e educação ambiental: a conexão necessária. 13ª ed. São Paulo: Papirus, 1996.

Uma crítica ao conceito ecológico de ecossistema


Tomemos como exemplo o Brasil, nosso país possui nove ecossistemas: floresta amazônica, mata dos cocais, caatinga,  cerrado, pantanal, mata atlântica, manguezais,  pampas e mata de araucária. Os ecossistemas ou biomas caracterizam-se pelas relações entre os componentes ambientais, tais como: luminosidade, pluviosidade,  temperatura, influenciados sobretudo pela latitude em que se localiza e em alguns casos pela altitude; A esses componentes ambientais definimos como  fatores abióticos dos ecossistemas, os fatores bióticos são os seres vivos que ali vivem:  a fauna,  a flora, os fungos, os seres microscópicos, ou seja, todas as formas de vida existentes nestes biomas.  Esta é uma definição ecológica de ecossistema, no entanto, será que ela está completamente correta?

A ecologia é definida por RICKLEFS (2003), como a “a ciência pela qual estuda como os organismos interagem entre si e com o meio natural”, mas a não consideração do ser humano como um ser social de modificação e da sua relação específica com a natureza, é um erro considerável, pois não assume que as atividades humanas tais como as transformações e alteração da cobertura do solo, retirada de cobertura vegetal, instalação de infra-estrutura, construção de cidades, alterações dos cursos d´água, como sendo relações também inclusas na dinâmica do funcionamento dos ecossistemas.

Desses nove biomas brasileiros, alguns mais que outros, passaram por um intenso processo histórico de transformação antrópica, como por exemplo, a mata atlântica reduzida a 8% de sua cobertura original, inclusive neste blog tentei descrever como foi  sendo traçada estas relações ao longo de um processo histórico entre ser humano e natureza.

Sendo um ser social, o ser humano transforma a natureza e assim também o é transformado por ela, no entanto, a falta de conhecimento de causa do que essas transformações ocasionariam ao longo dos séculos,  aliada a interesses desenvolvimentistas e do próprio sistema capitalista  levou este resultado de degradação ambiental.

No século XX a partir da década de 70  os movimentos socioambientalistas denunciaram ao mundo essa degradação humana nos ecossistemas, vindo a tona, o que era antes apenas interesse dos cientistas, a toda a sociedade.  Isto significa dizer que a pouco mais de 40 anos atrás, o que particularmente acho pouquíssimo tempo, que  a sociedade foi “informada” de que a interferência humana nos ecossistemas pode levar a sua destruição,  fragmentação, a redução da biodiversidade, a poluição entre outros problemas bastante conhecidos hoje, até mesmo por uma criança de 8 anos.

Diante deste alerta podemos concluir que ao inserir os seres humanos como seres sociais que interagem e modificam os ecossistemas, e saber que isso nem sempre pode ser trazer consequencias positivas para a dinâmica dos mesmos é um começo quando se analisa a origem dos problemas socioambientais atuais. No entanto, não é somente essa análise que nos permitirá entender o todo de um processo complexo e histórico, social, econômico …

Referências:

RICKLEFS, R.E. A economia da natureza. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.

Educação antes de ser ambiental


“Educação ambiental, antes de tudo é educação”, é com esta frase de LOUREIRO (2004), que pretendo iniciar este post sobre esta observação que traduz a importância da educação como força transformadora do mundo.

Em resposta a grave crise socioambiental que o mundo passa, usar o adjetivo ambiental para qualificar Educação, caracteriza o foco de atuAÇÃO e debate deste prática, na degradação do ambiente,  no entanto, esta análise deve estar articulada também a uma contextualização social, cultural, histórica política, ideológica  e econômica. Para isso devemos nos desligar de uma visão de mundo dualista e que dicotomiza a visão natural e social como se uma não se relacionasse com a outra.

Não haveria a necessidade de uma Educação Ambiental, se tivessemos uma  efetiva educação a qual cumprisse seu papel social, e não como tem feito essa  educação genérica, tal qual a conhecemos atualmente, sem propósito pedagógico, sem vinculação histórica, sem critica, sem contextualização, sem o objetivo de formar cidadãos e sem a intenção real de orientar a sociedade a uma mudança de paradigma. Essa Educação é meramente conteudistas, tradicional, repressora e contribui para a reprodução do atual sistema.

Logo, na ausência de, uma Educação que cumpra o seu papel, surge o termo Educação Ambiental, que assume a responsabilidade em si mesmo de ser a agente de modificação e como acreditam muitos de salvação do mundo.

Para colocar ingredientes a mais nessa discussão, devemos nos lembrar que dentro do enfoque teórico e prático da própria Educação Ambiental, existem ainda alguns enfoques, como por exemplo,  a de uma Educação Ambiental conservadora e tradicional; e a de uma Educação Ambiental critica, emancipatória e transformadora. Como já deve ter ficado claro, neste blog priorizo a segunda vertente, por acreditar ser a mais interessante sobre o aspecto de ser mais efetiva, humanizadora e libertária.

E como identifcar uma abordagem da outra? Às vezes é fácil quando percebemos a falta de um viés interdisciplinar, a descontinuidade nos projetos de Educação Ambiental,  isso tudo somando a pouca capacitação de Educadores ambientais, ao pouco conhecimento teórico sobre o tema, a visões limitadas impostas pela mídia e personalidades que usam o termo para mera promoção de ideias e imagem.  Será que essa é a Educação Ambiental que vai fazer alguma diferença? Provavelmente não…

O tema é complexo exige tempo e estudos para ser elucidado, pretendo aqui continuar colocando essas ideias paralelo aos meus estudos sobre o tema e ajudando quem sabe a mais pessoas se interessarem por uma Educação Ambiental que realmente valha a pena.

Referência:

LOUREIRO, C. F. B Trajetória e fundamentos da educação ambiental. São Paulo: Cortez, 2004.