BLOG EA CRÍTICA: Divulgando a educação ambiental crítica no ciberespaço


Para quem acompanha o blog temos uma boa notícia, estaremos participando do III ENECiências – III Encontro Nacional de Ensino de Ciências da Saúde e do Ambiente, na UFF em Niterói, apresentando o trabalho “BLOG EA CRÍTICA: DIVULGANDO A EDUCAÇÃO AMBIENTAL CRÍTICA NO CIBERESPAÇO” no próximo sábado dia 19 de Maio, onde relatamos a além da  proposta inicial da criação do blog, seus objetivos, trilhas percorridas e inclusive o resultado da recente pesquisa  exploratória que realizamos com alguns dos nossos leitores. Segue abaixo o resumo do trabalho: Continuar lendo

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Uma outra visão: ciência, tecnologia e meio ambiente


Há uma espécie de consenso entre muitos ambientalistas, quando o assunto é a questão da degradação ambiental, de que a ciência e tecnologia podem ser grandes mitigadores, restauradoras e até mesmo salvadoras de todos os nossos problemas. Podemos, por exemplo, analisar a questão do aquecimento global antrópico, cuja principal causa é a queima de combustível fóssil, emitida por indústrias e automóveis. Neste caso, é muito difundido que a substituição por meios de produção menos poluentes e a produção de carros elétricos, por exemplo, podem trazer a miraculosa solução para esta questão Continuar lendo

O Saber Ambiental


Iniciarei o post, baseada nas ideias de ENRIQUE LEFF, autor do livro SABER AMBIENTAL, 6ª edição ed. vozes. Numa perspectiva história, LEFF pontua que a “crise ambiental” começa se evidenciar nos anos de 1960 do século XX, caracterizando-se por ser um reflexo da “irracionalidade ecológica dos padrões de produção e consumo, e marcando os limites do crescimento econômico” (p. 15).

Segundo o autor o conceito de desenvolvimento sustentável, que levaria teóricamente a uma sustentabilidade ambiental, nada mais é do que uma maneira de ecologizar a economia, na tentativa de eliminar a contradição entre o crescimento econômico e preservação da natureza. Essa resignificação da relação destrutiva do capitalismo, que se encontra em sua “fase ecológica”, com a natureza, através do discurso do desenvolvimento sustentável, faz-se necessária para que o crescimento não cesse.

Assim, o discurso da sustentabilidade apresenta-se num tom neoliberal ambiental, de maneira que “as políticas de desenvolvimento sustentável vão desativando, diluindo e deturpando o conceito de ambiente” (p.21) a fim de que o livre mercado se amplie assegurando o “perpetum mobile” do crescimento econômico. Além do crescimento econômico, o discurso do desenvolvimento sustentável, se apóia em outros dois pontos o equilíbrio ecológico e a igualdade social.

A tecnologia assume um papel importante na manutenção desta tríade: a tecnologia, cujo papel é o de reverter a degradação na produção, distribuição e consumo de mercadorias.

Encontramo-nos em tal situação, que o autor não reconhece apenas a “ambientalização do conhecimento”, realizada em geral nas “aulas de educação ambiental” como solução para dar um horizonte às discussões socioambientais. Segundo LEFF é necessário uma visão mais ampliada, o que ele propõe como o Saber Ambiental.

O Saber Ambiental desafia as ciências em suas bases mais sólidas, pois, uma vez que necessitam de uma analise interdisciplinar das relações natureza-sociedade, coloca as certezas dos paradigmas absolutos e imutáveis sob a incerteza de suas próprias certezas. Assim “o Saber Ambiental se produz numa relação entre a teoria e a práxis” (p. 235). A práxis segundo Paulo Freire é a teoria do fazer, ou seja, para alcançarmos o Saber Ambiental, devemos exercitar nossa práxis em torno de nosso próprio fazer pedagógico diário.

Referência:

LEFF, Enrique. Saber ambiental .6. ed. Petrópolis: Vozes, 2008. 494 p.

Originalmente públicado em no blog: Debates Conceituais no Ensino de Química (como parte da avaliação desta disciplina do Mestrado/IFRJ)

Educação ambiental em foco – por CH e Celso Sánches


Hoje, ouvi uma entrevista em um podcast (uma espécie de programa de rádio divulgado pela Internet) do Estúdio CH, realizado pelo Instituto Ciência Hoje. O tema foi Educação ambiental e o entrevistado o biólogo e educador ambiental Celso Sánchez.

Através de uma retrospectiva das origens da educação ambiental, que datam da década de 70, do século XX, Sánchez, nos coloca que no principio a educação ambiental era entendida apenas como uma “aula de ciências”, associada ao ensino de biologia, e inserida nos livros didáticos como temas de meio ambiente e ecologia. A questão é, será que mudamos muito dos anos de 1970 para cá? Conforme ele mesmo coloca, hoje em dia sabemos que a inclusão da visão social é importante, mas será que isso é realizado na prática, ou a educação ambiental continua reproduzindo ideias ultrapassadas?

O biólogo coloca muito bem, a relação dos problemas ambientais com a questão da justiça ambiental, e que o meio ambiente não existe a parte da sociedade humana (visão dicotomizada). Segundo o biólogo a tendência atual é que a educação seja realizada para além dos muros das escolas, nos espaços informais, nas empresas, comunidades, ONGs. E que a união desses movimentos sociais e com as visões acadêmicas, levam a uma oxigenação dos temas, das práticas e das teorias levando a construção de uma educação ambiental multifacetada.

Sánchez ainda cita os objetivos da Ciência, Tecnologia Sociedade e Ambiente (CTS & A), onde o ensino de ciências passa ter como foco a formação de pessoas críticas e aptas a se posicionarem em discussões sobre ciência, tecnologia e ambiente, temas estes presentes em suas e nossas vidas. Como citado pelo biólogo, para ter por opiniões sobre Belo Monte e as alterações no Código Florestal, a Educação Ambiental “É fundamental que a gente tenha uma população consciente da questão ambiental, que saiba se posicionar diante desta temática, que tenha uma alternativa, para se discutir o que está se querendo como desenvolvimento” disse Sánchez.

Perguntando pelo entrevistador, se o ensino de educação ambiental consegue dar conta de ser também um ato político, Sánchez finaliza dizendo que entre avanços e retrocessos, as reflexões críticas sobre a temática ambiental continuam incipientes… No erro de uma educação ingênua, conservacionista, sem um viés político.

Para ouvir clique aqui.

Blog Educação Ambiental Crítica: uma auto-análise necessária


O blog Educação Ambiental Crítica, ultrapassou o número de 5000 vistas, totalizadas deste abril de 2010, isto é, em menos de um ano de existência já conseguimos uma visibilidade considerável. Isto, sem grandes divulgações patrocinadas, dedicação exclusiva (às vezes falta tempo de atualizar), utilizando apenas as redes sociais para divulgação do conteúdo e agregando interessados na temática.

Resultado da pesquisa

A fim de traçar o perfil dos leitores do blog, foi criada uma enquete que ficou exposta na página inicial, por aproximadamente 4 meses recebendo 27 votos no total. Podemos perceber pelos resultados expostos na figura ao lado, que não há um perfil padrão ou um grupo específico de pessoas que buscam informações sobre Educação Ambiental, pois recebemos votos em todas as categorias pesquisadas.

No entanto vale ressaltar que o maior percentual de pessoas que entram no blog Educação Ambiental Crítica, 22,2 % são curiosos sobre o assunto ou são estudantes de graduação em busca de informações para realizarem um trabalho acadêmico. Pós-graduandos e professores também fazem parte de grande número dos leitores, cada um representando um percentual de 14,8 %.

Esta pesquisa teve como objetivo apenas obter o levantamento preliminar, do perfil dos leitores sem pretensão de ser um resultado final, até porque o número de pesquisados foi bem pequeno. No entanto, ela reforçou o quanto é necessário, o trabalho de divulgação de ideias sérias e fundamentadas em educação ambiental para todos, esta educação ambiental que tanto necessita de uma postura crítica diante da análise complexa dos problemas socioambientais do mundo atual.

Há muito que fazer ainda. Escrever e estudar Educação Ambiental, é atualmente uma área de interesse plena em minhas práticas docentes, acadêmicas e de pesquisa.

Tive a ideia de criar um blog, com a proposta de falar sobre a educação ambiental crítica, transformadora e emancipatória buscando: (1) Analisar criticamente o processo pelo qual se tem feito Educação Ambiental no Brasil; (2) Elucidar o uso popularizado de termos ecológicos como, por exemplo, sustentabilidade, reciclagem, aquecimento global, entre outras temáticas pertinentes; (3) Buscar analisar sempre o todo e não as partes dos problemas socioambientais; (4) Sensibilizar os leitores na busca de novas atitudes que levem a mudanças, acima de tudo críticas, em relação aos problemas socioambientais; e (5) Estimular a participação e ação social ao exercício da cidadania plena.

Acredito que a avaliação é necessária para julgarmos qualquer trabalho desenvolvido. Pelo exposto, pelos números e perspectivas em relação ao desenvolvimento deste Blog, esta auto-análise sugere que o Educação Ambiental Crítica tende a um crescimento como meio de divulgação na temática da Educação Ambiental.

Ps. Aceito comentários, críticas e sugestões sobre o blog. A opinião de vocês é essencial para o desenvolvimento de novos posts.

O mito da sustentabilidade


O que há de errada não é a ideia em si, mas como o discurso dominante que se apropriou ideologicamente do significado da palavra sustentabilidade, para dar a ele uma ideia de que é possível desenvolver sem agredir o meio ambiente, desde que seja um desenvolvimento tecnológico feito através do “know how” da ciência e financiado pela economia de mercado…

Aí é que jaz o problema, esse discurso hegemônico apoiado no paradigma cientificista-tecnológico que vivenciamos na sociedade moderna, capitalista, urbana e globalizada nos leva a uma lógica muito contrária ao que apregoa o discurso da sustentabilidade… Na verdade a lógica é a produção e o consumo. E para haver produção há de se ter recursos, buscados na exploração no meio ambiente (mas isso ninguém precisa saber, ou a gente dá um jeito de falar que estamos fazendo isso de uma maneira sustentável) e assim essa relação se retroalimenta pelo discurso que a produção se justifica, pois, garante a qualidade de vida (consumo exagerado e supérfluo).

E assim empresas que querem ser corretas do ponto de vista socioambiental, divulgam suas imagens em comerciais publicitários em horário nobre e os clientes e consumidores daquela marca, por terem uma visão simplificada do processo caem na armadilha do senso comum.

Um outro exemplo, da armadilha do senso comum é de que através de mudanças de comportamentos, haverá uma solução milagrosa de todos os problemas ambientais: locais e globais. Esses argumentos que se destinam à “conscientização” podem parecer convincentes para grande parte do público e apesar de conterem falácias, não são totalmente falsos. É importante sim que cada um faça a sua parte, mas , para haver mudanças significativas da realidade socioambiental não bastam apenas as transformações individuais, são necessárias também transformações ao mesmo tempo na sociedade.

E aí voltamos ao tema que deu início a esse “post” o mito da sustentabilidade. Se fosse empregado através do sentido dado pela Comissão Mundial da ONU sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (UNCED) deveria ser entendido da seguinte forma: “O desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações se satisfazerem.” No entanto, muitos acreditam que seguindo a lógica mercadológica do capitalismo atual, isso simplesmente seria impossível e somente uma quebra de modelo (paradigma) e mudança nos rumos sociais poderia possibilitar o um desenvolvimento efetivamente sustentável, mas isso pode vir a ser tema para um outro momento, possivelmente um outro “post.”
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