Blog EA Crítica: Perspectivas daqui em diante


Esse é o primeiro post do blog EA Crítica nesse ano de 2014. Devo admitir que após o término do mestrado, onde estive incessantemente em contato com a busca de uma práxis em Educação Ambiental Crítica, dei uma relaxada com as atividades do blog. A defesa foi uma espécie de fechamento de ciclo em minha vida, e com isso reconheço que a frequência com que eu escrevo aqui diminuiu drasticamente. Não que eu tenha deixado de pensar a educação ambiental e o ambiente criticamente, pelo contrário, mas falta-me ânimo, e na maioria das vezes tempo, para compartilhar isso aqui no blog. Continuar lendo

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Cidade limpa, povo civilizado?


Dia desses, numa atividade de educação ambiental com estudantes de um colégio estadual situado na baixada fluminense (Rio de Janeiro), realizamos uma caminhada no entorno da comunidade na qual o colégio se insere, e durante essa caminhada pude perceber algo que alguns autores vêm propondo, e que eu como educadora ambiental e pesquisadora na área também concordo: de como a educação ambiental se mal encaminhada, ou seja, se realizada de maneira conservadora, pode internalizar os valores do sistema, servindo como instrumento de reprodução e dominação social. Continuar lendo

Sorteio: “Almanaque Ecológico do Lucas”


Numa parceria do Blog EA Crítica com o cartunista Léo Valença, vamos realizar o sorteio de um exemplar do “Almanaque Ecológico do Lucas”. Para participar basta se inscrever nos comentários desse post e divulgar essa promoção através do Twitter e Facebook (cole o link de sua divulgação), as inscrições são válidas até o dia 20/03/2013 às 12:00. O sorteio que será realizado através do site RANDON.ORG e o resultado sai após às 15:00 do dia 20/03/2013, participe! Entraremos em contato com o vencedor para o envio do livro. Continuar lendo

Sobre o dia mundial sem carro


Gostaria de ter escrito esse post ontem 22 de Setembro,  mas estava deveras ocupada para tal, vale lembrar que a motivação era poder realizar uma análise sobre a campanha do “Dia mundial sem carro”. Talvez eu seja uma das poucas pessoas que não vai apoiar integralmente a campanha a favor do “dia mundial sem carro”, mas para isso eu tenho argumentos e pretendo compartilhar com vocês, no final fique a vontade, para concordar ou não concordar. A ideia original do post é ser provocativa mesmo. Continuar lendo

Cinco de Junho – Dia Mundial do Meio Ambiente


Talvez apenas tenhamos o percebido a ponto de termos sua importância lembrada hoje, inclusive em várias camadas da sociedade, somente após uma irreversível e constante degradação.

É onde a vida, inclusive a nossa, pôde constituir-se biológica e culturalmente diversa. Não tem como marca, ser apenas intocado ou natural, embora, muitos ainda o percebam e imaginam como sendo o próprio paraíso na Terra, é claro, que sem a nossa presença. Aqui, por exemplo, como eu o julgo e vejo, ele se apresenta cinza, caótico e urbano.

No entanto, onde quer que você esteja neste momento, tendo ou não consciência disso, você é, está e faz parte dele. Mesmo que ele somente também exista, a partir de nossas próprias ou coletivas representações a respeito do que ele é ou vem a ser, local de onde se extraem os recursos, planta-se o alimento, constrói-se e vive-se.

Reconhecida sua importância, vamos encará-lo como o espaço físico, biológico, econômico, político e social onde vivemos. Não vamos falar de eminentes crises socioambientais, pois esta anunciação exagerada apenas constrói diante de nós cortina de fumaça que atordoa o refletir e não favorece o agir.

Que o dia de hoje 5 de Junho de 2011, se inicie um pensar, um refletir visando a consciência. Ser consciente não significa apenas mentalmente relacionar-se com o ambiente de maneira subjetiva, auto-consciente, precisa, clara e concisa, é ir além, do perceber-se em estar no mundo, mas ser no mundo e do mundo.

Para entender Belo Monte


A usina hidrelétrica de Belo Monte é um projeto polêmico por si só. Vem causando controvérsias desde seu alto custo de construção que gira em torno de 19 bilhões de reais, mas também em relação a escolha da sua implantação, no Rio Xingu (PA), onde vivem inúmeros povos indígenas que foram negligenciados quanto as suas reais necessidades em relação ao desenvolvimento e implantação do projeto. Não bastasse, o seu lago terá uma extensa área de 516 km² o que causará impacto local com a inundação de uma boa parcela de floresta amazônica, além de críticas a parcialidade do Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) que uma vez concluído levou o Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) a conceder a Licença Prévia para a instalação da usina, poucos dias depois da demissão do presidente do órgão.

No vídeo abaixo, feito pelo site ((o))eco a socióloga e professora da PUC-SP, Marijane Lisboa, fala sobre os grandes projetos de hidroelétricas na Amazônia. A Professora após visitar projetos nos rios Madeira e Xingu, incluindo Belo Monte, aponta inúmeras irregularidades em relação as violações dos direitos ambientais e humanos que ocorreram no processo de aprovação desses grandes empreendimentos que, uma vez finalizados terão a capacidade de gerar 11.233 MW, o que a levará ao posto de maior usina hidrelétrica brasileira, produzindo energia suficiente para o abastecimento de 26 milhões de habitantes com alto perfil de consumo.

O que mais me preocupa, além de toda polêmica da construção da usina, é notar a sociedade alheia ou mesmo desconhecendo a causa. O pouco que se veicula na grande mídia transmite informações simplistas e parciais, o que não garante um posicionamento crítico das pessoas. Exemplo disso foi em uma sessão de tutoria para alunos da Graduação em Biologia, onde assuntei sobre Belo Monte. Num total de 12 estudantes, apenas um sabia do que se tratava e ainda se posicionou a favor do empreendimento alegando que acabariam assim os “apagões”.

Os poucos que se interessam efetivamente pela causa são professores, ecólogos, sociólogos e ambientalistas que prevendo um impacto ambiental e social eminente, tentam uma militância de resistência a construção da usina, argumentando sobre outras formas de geração de energia mais limpas e sustentáveis que gerariam menos impactos socioambientais. Uma boa notícia é que não estamos sós, alguns políticos interessados em debater com mais profundidade os temas ambientais criaram uma Frente Parlamentar Ambientalista, na Câmara dos Deputados, que terá entre suas prioridades a oposição ao início da construção da hidrelétrica de Belo Monte e as alterações no Código Florestal (outro assunto pra lá de polêmico).

Enquanto isso vamos fazendo nossa parte: informando e tomando como meta buscar analisar sempre o todo e não as partes dos problemas socioambientais, buscando a sensibilização dos leitores na busca de novas atitudes que levem a mudanças, acima de tudo críticas, em relação aos problemas socioambientais acima de tudo estimulando a participação e ação social ao exercício da cidadania plena.

Leia mais sobre Belo monte em:

Pela imparcialidade em Belo Monte
Campanha Avaaz.org: Pare Belo Monte
Belo monte de conversa fiada…

Educação ambiental não é campanha de “Não jogue lixo no chão!”


Sabemos que a consciência ecológica emerge, ao longo da história recente, diante de uma realidade insustentável que ameaça a qualidade de vida das pessoas em um mundo, onde a tecnologia industrial e a explosão da população caminham, lado a lado, a degradação do meio ambiente.

No entanto, apenas o “crescimento da consciência da importância da preservação da natureza, que vem se dando nos últimos 30 anos em todo o mundo, não fez com que a sociedade atual viesse progressivamente diminuindo a destruição do meio ambiente.” (Gimarães, 2007).

Por que será que então, ao longo deste tempo, não vimos uma melhora significativa nos problemas ambientais? Por que será que a Educação Ambiental que muitos acreditam ser a “salvação da humanidade” não tem resolvido o problema apenas “conscientizando” a população.

Uma educação ambiental crítica deve ir além de campanhas de conscientização do tipo "Não jogue lixo no chão".

Como já foi dito aqui neste blog a Educação Ambiental NÃO conscientiza ninguém.

E para que as pessoas se sensibilizem, se motivem e se envolvam em relação aos problemas socioambientais é preciso que o trabalho da Educação Ambiental esteja imerso em uma proposta que considere a questão ambiental, e a contextualize em relação ao processo social, histórico, político e cultural, estabelecendo subsídio para que os sujeitos envolvidos possam se situar como cidadãos integrantes de um meio social, haja vista que somos seres sociais e como integrantes de um meio natural, pois também somos seres biológicos, sem é claro dicotomizar estas duas visões.

A Educação Ambiental deve também favorecer o desenvolvimento de um posicionamento crítico, tornado os sujeitos envolvidos em cidadãos capazes de rediscutir valores existentes em sua realidade, muitas das vezes impostos por uma cultura vigente, além propor alternativas aos problemas, incentivando a participação popular e o protagonismo social.

Os problemas socioambientais só serão resolvidos através da participação dos atores sociais envolvidos, quando estes se interessarem pelo problema e a partir daí se posicionarem na resolução do mesmo. Logo esta participação depende de uma mobilização civil, que motivada por um objetivo em comum pode trazer efetivamente a atuação de atores sociais comprometidos com o processo.

Deu para perceber o quão complexo é uma ação em Educação Ambiental. É imprescindível a reflexão crítica dos atores envolvidos na problemática para que estes exerçam seus papéis sociais. Apenas a “conscientização das pessoas” em nada sensibilizará, motivará e mobilizará a população a, por exemplo: “Não jogar lixo no chão!”, se por trás disso tudo, não estiver uma contextualização social, histórica, política e cultural deste problema… Que envolva os sujeitos envolvidos, para que estes atuem como cidadãos e, a partir daí sim não joguem no chão!

Referência:

GUIMARÃES, M. A formação de educadores ambientais. Campinas, SP: Papirus (Coleção Papirus Educação) 2007, 174p.