Compre mais!


O motivo dessas divagações  sobre as relações de consumo talvez seja, pois recentemente minha televisão com apenas dois anos de uso, queimou uma  peça e parou de funcionar. Entendo que aparelhos eletrônicos são passíveis de defeito, mas acredito que dois anos é um tempo muito curto para que uma TV pare de funcionar, ainda mais levando em consideração o seu valor de mercado e suposta durabilidade… Continuar lendo

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Comprar, jogar fora, comprar: A história da obsolescência programada


O documentário The Light Bulb Conspiracy (A conspiração da lâmpada) de Cosima Dannoritzer 2011, com o título em português de Comprar, jogar fora, comprar: A história da obsolescência programada evidencia a prática da obsolescência programada (ou planejada) como o motor da sociedade de consumo, onde desde os anos de 1920 fabricantes começaram a diminuir a vida útil dos produtos para aumentar as vendas.

Para nosso espanto, logo nas primeiras cenas é contada a história de uma lâmpada incandescente que funciona Continuar lendo

Steve Jobs e sua maçã


Steve Jobs morreu e está todo mundo falando, nós do EA Crítica então vamos comentar esse acontecimento da semana também. A análise, dentro de uma perspectiva crítica, focará a maneira como sua empresa, a Apple, realiza de maneira exploratória, a produção de seus eletrônicos. Essa exploração vai desde as pessoas (inclusive crianças) que trabalham em suas fábricas ao ambiente que sofre com a poluição. Abordaremos também a questão do consumo insustentável incentivado pela empresa, que tem como logomarca uma maça mordida. Continuar lendo

Bolsa de Grife


Estava ouvindo um álbum da Vanessa da Mata “Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias” e me deparei com essa música que faz uma crítica bem humorada e irônica das relações de consumo, a canção relata a compra frustrada de uma bolsa de grife. Na compra do item a promessa de amor, cura da gripe, cura do fogo entre outras “mentiras”, que logicamente um objeto não poderia dar a ninguém. A conclusão final se revela no refrão “Ainda tenho a angústia e a sede, a solidão, a gripe e a dor, e a sensação de muita tolice, nas prestações que eu pago pela tal bolsa de grife”.

Pode parecer até brincadeira, mas quantas vezes já não compramos “bolsas de grife” incentivados por uma propaganda, por um impulso, por uma vontade inexplicável de ter aquela roupa, aquele objeto “de nossos sonhos”, o último lançamento do qualquer eletrônico, o último modelo de aparelho de celular… O problema não está no consumir, vivemos em uma sociedade onde precisamos comprar para ter acesso aos bens materiais necessários a nossa própria vida.

O problema é o consumismo, esse sufixo “ismo” dá um tom de que algo é doentio ou relativo à doença, no próprio Wikipedia a definição “ato de consumir produtos e/ou serviços, indiscriminadamente, sem noção de que podem ser nocivos ou prejudiciais para a nossa saúde ou para o ambiente”. Muitas vezes influenciados pelas propagandas de empresas, publicidade e da cultura, somos  induzidos ao consumismo sem necessidade, é a sociedade do consumo.

Paremos um momento para ouvir a música e depois para repensar. A própria música dá a dica “Nem pensei. Impulso pra sanar um momento. Silenciar barulhos. Me esqueci de respirar Um, dois, três. Eu paro. Hoje sei que tenho tudo Será? Escrevi em meu colar. Dentro há o que procuro.

Bolsa de Grife – Vanessa da Mata

Comprei uma bolsa de grife
Mas ouçam que cara de pau.
Ela disse que ia me dar amor
Acreditei, que horror
Ela disse que ia me curar a gripe
Desconfiei, mas comprei
Comprei a bolsa cara pra me curar do mal
Ela disse que me curava o fogo
Achei que era normal
Ela disse que gritava e pedia socorro
Achei natural

Ainda tenho a angústia e a sede
A solidão, a gripe e a dor
E a sensação de muita tolice
Nas prestações que eu pago
Pela tal bolsa de grife (2x)

Nem pensei
Impulso
Pra sanar um momento
Silenciar barulhos.
Me esqueci de respirar
Um, dois, três
Eu paro
Hoje sei que tenho tudo
Será?
Escrevi em meu colar
Dentro há o que procuro

Ainda tenho a angústia e a sede
A solidão, a gripe e a dor
E a sensação de muita tolice
Nas prestações que eu pago
Pela tal bolsa de grife (2x)

Meu amigo comprou um carro pra se curar do mal

Ilha das Flores



O curta metragem Ilha das Flores (Documentário. Diretor: Jorge Furtado, Brasil, 1989) passa em 13 minutos uma mensagem de desigualdade social e degradação ambiental, arrebatadora. Com uma narração intensa, o curta o tempo todo nos remete ao papel de “animais com o telencéfalo altamente desenvolvido e possuidores de um polegar opositor”.

Ilha das flores discute a produção de alimentos, a cadeira de produção agrícola, a partir da trajetória de tomates desde o seu plantio e colheita pelo produtor, sua venda ao mercado, seu consumo por uma dona de casa, o descarte de alguns e o seu destino final no lixão. Em ilha das flores, antes de terem a possibilidade de serem reaproveitados pelos moradores locais, os tomates e demais alimentos descartados passam por uma triagem para servirem de alimento aos porcos, pois esses possuem um dono, que zela por eles, ao contrário dos moradores do lixão de ilha das flores.

Tomando como exemplo a questão do lixo, o filme mostra a degradação ambiental causada pelo lixão e percebemos o quão limitada pode ser uma análise, apenas a partir do olhar biológico, quando tratamos das questões ambientais. Esse olhar parcial, pode levar a um entendimento superficial e distanciado das necessárias análises sociais, políticas e econômicas. Resumindo, não se pode pensar a educação ambiental e a questão ambiental, sem antes pensarmos sobre temas sociais como a desigualdade social e conflito de classes, por exemplo.

Assista no You Tube: http://www.youtube.com/watch?v=KAzhAXjUG28&feature=player_embedded

Consumo infinito em um planeta finito


Seguindo o pressuposto de que os recursos naturais presentes no mundo são em sua grande maioria finitos, e diante desta constatação, partindo de outro principio, de que no mundo atual ocorre uma má distribuição no uso desses recursos, acontecendo o uso de forma desigual, ou seja, há os que têm mais acesso aos recursos (ricos) e os que têm menos acesso a estes recursos (pobres), chegamos a uma inconclusiva questão o sobre o que temos que fazer para equacionar essa balança?

A suficiência dos recursos naturais preza pela manutenção dos recursos para as populações no presente e no futuro. Ao considerarmos um recurso, devemos ter em mente o uso deste, de modo com que todos possam usufruí-lo da forma mais igualitária possível, isso se chama justiça ambiental, que atua de modo que nenhuma parcela seja injustiçada.

Existem certas correntes ambientalistas que ou por má fé ou mesmo por uma certa ingenuidade, acreditam que a maior parte dos problemas ambientais são causadas pelos pobres. Exatamente porque, estes em situação de risco, ou seja, marginalizados da sociedade, passam a situação de relação direta com a natureza, passando a exercer atividades de extrativismo, caça e pesca, muitas vezes em Unidades de Conservação da natureza. Muitos conseguem até mesmo, fazer uma relação entre desigualdade social e exclusão social com a degradação ambiental.

Como seria se TODOS tivessem acesso a tecnologia, energia, combustíveis, bens de consumo?

Como seria se TODOS tivessem acesso a tecnologia, energia, combustíveis, bens de consumo?

Na minha opinião, isso é uma falácia verde, assim como outras tantas, como por exemplo, o mito da sustentabilidade já comentado neste blog. No artigo Do Ecodesenvolvimento ao Desenvolvimento Sustentável: evolução de um conceito? Layrargues (1997), muito lucidamente faz uma discussão a cerca do Relatório de Brundtland que coloca “a pobreza é uma das principais causas e um dos principais efeitos dos problemas ambientais no mundo”.

Neste mesmo artigo Layrargues, diz que na busca pela erradicação da pobreza, como meio de se diminuir os “problemas ambientais” causados por ela, oculta-se que os verdadeiros vilões da natureza, que são na verdade os que mais acesso tem ao consumo, ou seja os ricos: “Afinal, se hoje um indivíduo numa economia industrial de mercado, consome 80 vezes mais energia que um habitante da África subsaariana.”

Mas será que se todos os habitantes do mundo passarem a ter um padrão de consumo americano, por exemplo, o planeta daria conta de suprir esta demanda com seus recursos finitos? Se seguirmos os princípios do desenvolvimento sustentável, a economia tem que continuar se desenvolvendo, para que “sustentavelmente” todos possam ter acesso as tecnologias, energia, combustíveis, bens de consumo para que assim a pobreza diminua e a degradação da natureza também.

Voltemos a questão da finitude dos recursos, a partir da lógica da justiça ambiental, que garante igual acesso e usufruto dos recursos. Para chegarmos a uma solução equilibrada, os que consomem e assim tem mais acesso aos recursos teriam que diminuir e os que pouco consomem aumentaria seu consumo e assim teríamos justamente um equilíbrio.

Será que essa solução equilibrada segue a linha do sistema econômico dominante? Com certeza não, pois uma vez que uma das características marcantes da sociedade industrial ampliar cada vez mais o consumo…

Referência:

Layrargues, P. P. Do ecodesenvolvimento ao desenvolvimento sustentável: evolução de um conceito? (1997)

Mudanças de hábitos de consumo e de produção


Partindo do princípio que somos seres biológicos, temos necessidades básicas para a nossa sobrevivência: uso da água, ingestão de alimentos, proteção e abrigo… No entanto, como vivemos em sociedade, somos também seres sociais, e além das necessidades básicas, temos outros tipos de necessidades, variáveis de cultura para cultura, mas imprescindíveis como, por exemplo, estudo, arte, diversão, felicidade… consumo!

Os hábitos de consumo, também tem origens sociais, é parte, de um ato através do qual as pessoas expressam identidades individuais e do grupo. O problema surge, da maneira como se dá este consumo, muitas das vezes influenciado por uma forte propaganda e distorções de valores da chamada sociedade de consumo. É ai que começamos a perceber o enorme abismo entre o TER de poucos e o NÃO TER de muitos. Gastos anuais em itens considerados de luxo como perfumes, cosméticos, cruzeiros marítimos, superam em muito os investimentos em saúde reprodutiva para mulheres, erradicação da fome e má nutrição, alfabetização, água potável e vacinação de crianças.

Além do abismo social mencionado acima, devemos ter em mente as consequencias ambientais do atual alto padrão de consumo, que proporcionam problemas diretos, como por exemplo: a produção excessiva de lixo,  disseminação de doenças causadas por animais que vivem no lixo, poluição do solo, aumento da emissão de gases estufa, contaminação das águas subterrâneas… E como resolver esta questão afinal?

Quem pensa que a Reciclagem é a salvação do mundo… Está enganado! A reciclagem no fim das contas apenas reduz parcialmente a deposição final de algumas categorias do lixo no ambiente (os recicláveis), e não desacelera o consumo exagerado, até o incentiva, pois, alivia o “peso na consciência” de que parte do lixo que produzimos diminuirá, pois, será reciclado.

Outros diriam que a solução talvez seja o Consumo Sustentável, aliado a inovações tecnológicas, que poderá resolver a questão do lixo, mas isso não irá desacelerar a produção, mantendo o sistema de consumo atual em pleno vapor e mais uma vez aliviando o “peso na consciência”. Está linha do consumo consciente por não ser contra-hegemônica é amplamente divulgada nos meios de comunicação.

Há os que acreditam, como eu, que a Redução do Consumo é o primeiro passo, e que a questão da geração do lixo é cultural, não podendo ser encarada como apenas um assunto técnico ou com paliativos como os até então apresentados a grande parte dos consumidores. No entanto, esse pensamento é contrário ao sistema de consumo, e ataca diretamente o capitalismo, pois uma vez que haja a redução do consumo a cadeia produtiva não se sustenta.

Não estou dizendo que é fácil reduzir o que compramos, ou mesmo filtrar o que realmente precisamos, diante dos apelos midiáticos e propagandísticos, que a sociedade do consumo praticamente nos faz engolir o tempo todo. Mas fica neste post um tema instigante de uma proposta de sairmos da nossa zona de acomodação e consumo, e que possamos pensar e fazer algo que seja diferente do que nos é imposto.