Entrevistas e publicação da Revista Ciências e Ideias


Olá leitores do blog Educação Ambiental Crítica, é com grande alegria e satisfação que comunico a todos os interessados em educação, ensino de ciências e educação ambiental (principalmente a vertente crítica) que saiu a publicação das entrevistas que fiz em meu mestrado. Essas entrevistas compõem o produto educacional da pesquisa e foi publicado numa edição temática sobre educação Ambiental da Revista Ciências e Ideias, além das entrevistas, o exemplar possui alguns artigos e relatos de experiência docente no mesmo tema. Continuar lendo

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Estamos em greve!


As duas maiores redes de educação pública do Rio de Janeiro, que dão conta de grande parte do ensino básico, no município e no estado do Rio de Janeiro estão em greve. Eu dou apoio, total e irrestrito a greve da rede municipal, até porque, é que sofreu a maior arbitrariedade com a votação a fórceps de seu plano de cargos e salários numa câmara municipal, sem a possibilidade democrática da presença dos profissionais da educação dentro da câmara dos vereadores e com forte repressão policial do lado de fora na Cinelândia. No entanto, eu sou e estou em greve pela rede estadual, cabe lembrar que a rede estadual está em greve desde o dia 8 de agosto, e com uma adesão menor do que a da rede municipal.  Continuar lendo

Os números de blog EA Crítica em 2012


Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2012 deste blog.

Aqui está um resumo:

4.329 filmes foram submetidos ao Festival de Cinema de Cannes 2012. Este blog teve 42,000 visitas em 2012. Se cada visualização fosse um filme, este blog teria o poder 10 Festivais de Cinema de Cannes! Continuar lendo

Em busca de uma práxis em educação ambiental crítica: Contribuição de alguns pesquisadores do Brasil


Vamos participar de mais um evento: O VI EREBIO – VI Encontro Regional de Ensino de Biologia, nos dias  1, 2 e 3 de Agosto de 2012 no CEFET-RJ. Além estar presente em um evento que é importante no ensino de Biologia, vamos apresentar  a nossa pesquisa acadêmica de mestrado: “EM BUSCA DE UMA PRÁXIS EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL CRÍTICA: CONTRIBUIÇÕES DE ALGUNS PESQUISADORES DO BRASIL”.

Neste post tentarei resumir os elementos principais da pesquisa, que pretende propor uma retomada da própria trajetória da Continuar lendo

Blog EA Crítica 1 ano


O blog EAcrítica completa hoje em 24 de Abril, um ano de divulgação de ideias críticas e autorais sobre o tema da educação ambiental. Há aproximadamente uns três anos, quando comecei a estudar e trabalhar com esta temática, percebi que algumas “coisas” que intitulam de educação ambiental, na verdade não eram educação ambiental… E isso me levou a uma intensa inquietação.

Foi através dessa inquietação seguida de uma busca, mque conheci a educação ambiental, em sua vertente mais crítica, onde entendi que este processo não deve ser realizado com vem sido feito pela maioria. A educação ambiental é antes de tudo um processo de reflexão profunda que leva a uma conscientização, de cada envolvido no processo e não pode ser realizada da maneira ingênua e trivial… Isto é, quando ela é feita, pois às vezes nem o básico acontece.

Voltando um pouco na história, sou professora de ciências e biologia e desde ano de 2009 iniciamos um projeto de criação Espaço Livre de Organização de Ações Sócioambientais no Colégio Estadual Yonne Maria Siqueira de Andrade, onde eu leciono. Esse projeto de Educação Ambiental teve como objetivo realizar um diagnóstico socioambiental, para conjuntamente construirmos a nossa Agenda 21 Escolar, que seria o ponto de partida para a implantação de projetos socioambientais no Colégio.

Entre erros e acertos conseguimos chegar pelo menos a construção da nossa Agenda 21. Por razões fundamentalmente institucionais, o trabalho foi se esvaziando e não conseguimos (infelizmente) dar continuidade ao projeto, que tinha um caráter de ser permanente… Pude mais uma vez perceber o quando a educação ambiental não pode ser feita apenas pela vontade de uma pessoa, mas pelos esforços coletivos do todo.

Não me abati e logo ingressei neste projeto do blog EAcrítica. A ideia surgiu, após perceber a carência que temos de divulgação cientifica de ideias sérias sobre educação ambiental, principalmente a educação ambiental crítica que é muito pouco conhecida. Se eu disser que existem milhares de blogs e sites que pegaram esse mote ambientalista e de educação ambiental eu não estaria mentindo. No entanto, vejo pouco de criação autoral ou mesmo de divulgação de ideias cientificas e acadêmicas sobre o assunto. Assim, aproveitando este vácuo e diante da necessidade de divulgar estas ideias, criei o blog.

Tenho uma visão de que a Educação Ambiental deve ultrapassar práticas isoladas e pautadas apenas em mudanças atitudinais. A sua prática deve estimular a formação do cidadão crítico, capacitado a realizar reflexões sobre seu mundo e a interferir no mesmo. É interessante que seja realizada de maneira interdisciplinar e com foco crítico, fugindo de projetos prontos, os quais eu não acredito terem eficácia, para que seja efetivamente transformadora e emancipatória.

A educação ambiental, tem como desafios, atualmente se desvencilhar da ideologia dominante, pensando em teorias e práticas que efetivamente levem a formação do cidadão crítico e reflexivo, capacitado compreender e a interferir no mundo. Formando sujeitos participativos, e atuantes como cidadãos, no sentido estrito da palavra. E no que eu puder fazer para contribuir, com certeza o farei por aqui no EAcrítica, nos meus projetos, na escola, no mestrado… na minha vida.

EAcrítica 1 ano! Obrigada aos leitores do blog, estamos rumando aos 10000 acessos!

Sobre a valorização do magistério


Penso que a melhora na qualidade da educação pode acontecer a partir da valorização do magistério, associada a uma política de valorização global que considere: (1) a formação inicial do professor; (2) a melhora nas condições de trabalho; (3) a valorização salarial e da carreira; (4) e a implementação da formação continuada.

Fica claro que mudanças, pautadas em análises simplistas, que propõem a melhora na educação brasileira, longe da valorização do magistério ou pautadas somente em apenas uma dessas premissas, estão fadadas ao fracasso.

Sala de aula de um colégio estadual no Rio de Janeiro e sua condição de trabalho insatisfatória.

A melhora da educação não se fará, como acreditam muitos, apenas com a modernização tecnológica das escolas ou adoção de novos currículos. Um exemplo disso, não distante da nossa realidade como professores, é a implementação de “reformas” em nome da qualidade do ensino, que quase sempre se resumem a compra de equipamentos e reformas curriculares, como se apenas isso fosse capaz de resolver o problema.

Segundo OLIVEIRA (2009) em seu artigo “A formação de professores e a valorização do magistério após a reforma educacional: para onde apontam as pesquisas sobre o tema?”, as reformas educacionais implementadas pelas políticas públicas no Brasil, não consideram as reflexões e pesquisas realizadas dentro das Universidades, ficando a cargo de empresas privadas e ONGs, quem possuem um viés econômico, ligados aos interesses do Banco Mundial.

Percebemos, que as decisões governamentais, ou seja, as decisões que partem de “cima para baixo” quase nunca elegem como importante para a melhorar a educação, a melhora nas condições de trabalho em geral insatisfatórias, a ausência de uma política de valorização social e econômica dos profissionais da educação, além de historicamente ignorarem os baixos salários dos professores na educação básica.

Referência:

OLIVEIRA, Francisca de Fátima Araújo. A formação de professores e a valorização do magistério após a reforma educacional: para onde apontam as pesquisas sobre o tema? IX Congresso Nacional de Psicologia Escolar e Educacional – ABRAPEE. P.1-12. 6 a 8 de julho de 2009. São Paulo.

“Não existe mundo sem homem”


Livro Pedagogia do Oprimido, grande clássico de Paulo Freire.

Paulo Freire nos conta em seu livro Pedagogia do Oprimido, que em um de seus “círculos de cultura” em um trabalho realizado no Chile, que um camponês o fez descobrir, que “Não existe mundo sem homem”, este camponês definiu o conceito antropológico de cultura, mesmo que de maneira simples, mas arrebatadora ao então professor Freire. O diálogo pode ser lido na transcrição do livro abaixo, quando o Educador lhe disse:

“Admitamos, absurdamente, que todos os homens do mundo morressem, mas ficasse a terra, ficassem as árvores, os pássaros, os animais, os rios, o mar, as estrelas, não seria tudo isto mundo?”

Daí o camponês responde enfático: “Faltaria quem dissesse Isto é mundo.”

O que camponês quis dizer, exatamente é que faltaria a consciência do mundo que, necessariamente implica o mundo da consciência.

Este trecho me faz refletir minha prática docente, me relação a considerar mais o que o outro tem a dizer, mesmo que este saber, não seja um saber acadêmico ou mesmo letrado. Em Educação Ambiental a via proposta, deve ser sempre a do diálogo, e indo além sempre posta em relação ao cotidiano do educando, como propunha Freire em seus círculos de cultura.

Do que adianta debates sobre os grandes temas ambientais, abstratos para a grande maioria das pessoas, e ignorar o cotidiano e o particular. Querer mudar o mundo sem se transformar as realidades mais próximas dos sujeitos.

Voltando ao camponês, lembro as não poucas vezes em que aprendi muito, com os relatos de docentes durantes algumas aulas em que eu propunha debates sobre as realidades em que vivem meus alunos, deixando-os mais falar do que eu mesma, não intervindo de maneira a tolher suas percepções de mundo.

É um primeiro passo, e isso já foi dito neste blog, que ao trabalharmos com Educação ambiental devemos considerar o olhar dos grupos envolvidos, pois, temos que entender quais representações sociais, norteiam o pensar e o agir dos grupos, diante de suas realidades.

Reafirmo a posição sábia do Camponês em que “Não existe mundo sem homem” e não existe Educação Ambiental sem prática social, analisando o modo em que nós organizamos e vivemos em sociedade, como compreendemos a natureza e o mundo, sem reflexões sobre a realidade cotidiana, sem ação crítica, política e de conscientização coletiva, sem embate de ideias, sem resolução dos conflitos sociais e sem a busca pela justiça social.

Referência:

Freire, P. Pedagogia do Oprimido. São Paulo: ed. 47 Paz e Terra, 2008.