Steve Jobs e sua maçã


Steve Jobs morreu e está todo mundo falando, nós do EA Crítica então vamos comentar esse acontecimento da semana também. A análise, dentro de uma perspectiva crítica, focará a maneira como sua empresa, a Apple, realiza de maneira exploratória, a produção de seus eletrônicos. Essa exploração vai desde as pessoas (inclusive crianças) que trabalham em suas fábricas ao ambiente que sofre com a poluição. Abordaremos também a questão do consumo insustentável incentivado pela empresa, que tem como logomarca uma maça mordida. Continuar lendo

Ilha das Flores



O curta metragem Ilha das Flores (Documentário. Diretor: Jorge Furtado, Brasil, 1989) passa em 13 minutos uma mensagem de desigualdade social e degradação ambiental, arrebatadora. Com uma narração intensa, o curta o tempo todo nos remete ao papel de “animais com o telencéfalo altamente desenvolvido e possuidores de um polegar opositor”.

Ilha das flores discute a produção de alimentos, a cadeira de produção agrícola, a partir da trajetória de tomates desde o seu plantio e colheita pelo produtor, sua venda ao mercado, seu consumo por uma dona de casa, o descarte de alguns e o seu destino final no lixão. Em ilha das flores, antes de terem a possibilidade de serem reaproveitados pelos moradores locais, os tomates e demais alimentos descartados passam por uma triagem para servirem de alimento aos porcos, pois esses possuem um dono, que zela por eles, ao contrário dos moradores do lixão de ilha das flores.

Tomando como exemplo a questão do lixo, o filme mostra a degradação ambiental causada pelo lixão e percebemos o quão limitada pode ser uma análise, apenas a partir do olhar biológico, quando tratamos das questões ambientais. Esse olhar parcial, pode levar a um entendimento superficial e distanciado das necessárias análises sociais, políticas e econômicas. Resumindo, não se pode pensar a educação ambiental e a questão ambiental, sem antes pensarmos sobre temas sociais como a desigualdade social e conflito de classes, por exemplo.

Assista no You Tube: http://www.youtube.com/watch?v=KAzhAXjUG28&feature=player_embedded

Educação ambiental não é campanha de “Não jogue lixo no chão!”


Sabemos que a consciência ecológica emerge, ao longo da história recente, diante de uma realidade insustentável que ameaça a qualidade de vida das pessoas em um mundo, onde a tecnologia industrial e a explosão da população caminham, lado a lado, a degradação do meio ambiente.

No entanto, apenas o “crescimento da consciência da importância da preservação da natureza, que vem se dando nos últimos 30 anos em todo o mundo, não fez com que a sociedade atual viesse progressivamente diminuindo a destruição do meio ambiente.” (Gimarães, 2007).

Por que será que então, ao longo deste tempo, não vimos uma melhora significativa nos problemas ambientais? Por que será que a Educação Ambiental que muitos acreditam ser a “salvação da humanidade” não tem resolvido o problema apenas “conscientizando” a população.

Uma educação ambiental crítica deve ir além de campanhas de conscientização do tipo "Não jogue lixo no chão".

Como já foi dito aqui neste blog a Educação Ambiental NÃO conscientiza ninguém.

E para que as pessoas se sensibilizem, se motivem e se envolvam em relação aos problemas socioambientais é preciso que o trabalho da Educação Ambiental esteja imerso em uma proposta que considere a questão ambiental, e a contextualize em relação ao processo social, histórico, político e cultural, estabelecendo subsídio para que os sujeitos envolvidos possam se situar como cidadãos integrantes de um meio social, haja vista que somos seres sociais e como integrantes de um meio natural, pois também somos seres biológicos, sem é claro dicotomizar estas duas visões.

A Educação Ambiental deve também favorecer o desenvolvimento de um posicionamento crítico, tornado os sujeitos envolvidos em cidadãos capazes de rediscutir valores existentes em sua realidade, muitas das vezes impostos por uma cultura vigente, além propor alternativas aos problemas, incentivando a participação popular e o protagonismo social.

Os problemas socioambientais só serão resolvidos através da participação dos atores sociais envolvidos, quando estes se interessarem pelo problema e a partir daí se posicionarem na resolução do mesmo. Logo esta participação depende de uma mobilização civil, que motivada por um objetivo em comum pode trazer efetivamente a atuação de atores sociais comprometidos com o processo.

Deu para perceber o quão complexo é uma ação em Educação Ambiental. É imprescindível a reflexão crítica dos atores envolvidos na problemática para que estes exerçam seus papéis sociais. Apenas a “conscientização das pessoas” em nada sensibilizará, motivará e mobilizará a população a, por exemplo: “Não jogar lixo no chão!”, se por trás disso tudo, não estiver uma contextualização social, histórica, política e cultural deste problema… Que envolva os sujeitos envolvidos, para que estes atuem como cidadãos e, a partir daí sim não joguem no chão!

Referência:

GUIMARÃES, M. A formação de educadores ambientais. Campinas, SP: Papirus (Coleção Papirus Educação) 2007, 174p.

Coleta Seletiva: Dicas rápidas


A Coleta Seletiva é um sistema de recolhimento de materiais recicláveis, como, por exemplo: papéis, plásticos, vidros e metais, previamente separados em categorias ou não. O lixo seco reciclável pode ser coletado diretamente através de iniciativas municipais ou cooperativas, nas cidades onde já existe efetivamente a coleta seletiva que recolhe na fonte geradora (residências, comércios, escolas e indústrias) estes resíduos sólidos, para serem reutilizados ou reciclados. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) dos 5564 municípios do País, só 994 têm coleta seletiva. No entanto, esses dados ainda não são, nem de longe razoáveis, exigindo esforços mais intensos dos municípios no trato desta questão do lixo.

Moro na cidade do Rio de Janeiro, aqui assim como os outros 4569 municípios do Brasil, a Prefeitura juntamente com a empresa responsável pela coleta de lixo urbano, não tem como política pública a coleta seletiva. Muitos se apropriam desta justificativa para não adotarem esta prática (que deveria ser uma rotina) em suas residências, mas acreditando que devemos ir além, do que apenas nos convém no “pacto social”, eu resolvi por iniciativa própria há alguns meses atrás iniciar uma Coleta Seletiva Solidária aqui em minha casa.

Pretendo neste post, dar umas dicas rápidas de como iniciar e realizar uma coleta seletiva na sua casa, os sites que me ajudaram a entender o processo e achar um local para você possa levar seu lixo.

Após uma palestra sobre a implantação da Coleta Seletiva Solidária nas escolas Estaduais, na qual eu estava presente, entendi que o mais importante na seleção e triagem do lixo em nossas residências, em escolas e condomínios, é basicamente pensar o lixo em duas grandes categorias: (1) o lixo seco, papéis, plásticos, vidros, metais, tetrapak® e (2) o lixo úmido (orgânico), restos de comida, cascas de legumes, frutas e papel higiênico.

O lixo seco tem valor comercial imediato, através do processamento em indústrias que realizam a reciclagem. O lixo úmido será decomposto por fungos e bactérias e só teria via de regra um valor comercial, caso fosse decomposto em composteiras para obtenção de adubo, ou tratado em aterros controlados gerando bioagás (um sonho muito longínquo aqui no Brasil). Se você perceber, bom eu percebi depois que comecei a realizar a coleta seletiva, que a maior parte de lixo doméstico é o lixo seco.

Seguindo então uma separação simples entre lixo seco e lixo úmido, o que tive que fazer inicialmente foi apenas arrumar um local para a deposição do lixo seco (improvisei uma caixa de papelão com saco de lixo dentro):

Separação do lixo reciclável

E para o lixo úmido (orgânico) continuei a utilizar a mesma lixeira que eu já utilizava anteriormente:

Lixo Orgânico (úmido)

Uma dica para reduzir o volume do lixo é amassar as garrafas pet. Outra dica é nas embalagens tetrapak® , antes de colocar no saco de lixo enxaguar com ¼ de água, cortar as quatro pontas da caixa deixar secar, e só depois colocar junto com os outros materiais:

Amassar as garrafas diminui o seu volume e cortar as pontas de embalagens tetrapak evita acúmulo de material orgânico

Após essa etapa inicial, faz-se necessário descobrir algum local que receba os recicláveis. O Rota da Reciclagem disponibiliza um bom serviço de consulta, onde a partir da digitação do endereço, o site lista uma série de Cooperativas de catadores e Pontos de entrega voluntária, mais perto de sua residência. Para quem é do Rio de Janeiro, o site da Coleta Seletiva Solidária do Instituto Estadual de Meio Ambiente, também disponibiliza uma lista com várias Cooperativas de Catadores.

O terceiro passo é armazenar adequadamente o lixo reciclável separado em um local seco, até que você obtenha um bom volume, para que periodicamente você leve a Cooperativa ou ao Ponto de coleta mais próximo. O lixo úmido eu continuo descartando como fazia anteriormente.

Além da certeza cidadã de que estou fazendo algo que irá diminuir o lixo, incentivo também o uso desta temática da coleta seletiva, como uma prática que, pode funcionar bem como uma ação de educação ambiental, desde que, sensibilize os envolvidos a reflexões mais profundas sobre a origem do lixo; a sua destinação inadequada em lixões; sobre os problemas ambientais como, por exemplo, poluição do solo, água, ar; problemas sociais como catadores que trabalham em condições desumanas nos lixões; sobre as relações de consumo e desperdício; sobre o entendimento do funcionamento da cadeia de produção capitalista; entre outros aspectos que não somente ensinar a separar o lixo em lixeiras coloridas.

Mudanças de hábitos de consumo e de produção


Partindo do princípio que somos seres biológicos, temos necessidades básicas para a nossa sobrevivência: uso da água, ingestão de alimentos, proteção e abrigo… No entanto, como vivemos em sociedade, somos também seres sociais, e além das necessidades básicas, temos outros tipos de necessidades, variáveis de cultura para cultura, mas imprescindíveis como, por exemplo, estudo, arte, diversão, felicidade… consumo!

Os hábitos de consumo, também tem origens sociais, é parte, de um ato através do qual as pessoas expressam identidades individuais e do grupo. O problema surge, da maneira como se dá este consumo, muitas das vezes influenciado por uma forte propaganda e distorções de valores da chamada sociedade de consumo. É ai que começamos a perceber o enorme abismo entre o TER de poucos e o NÃO TER de muitos. Gastos anuais em itens considerados de luxo como perfumes, cosméticos, cruzeiros marítimos, superam em muito os investimentos em saúde reprodutiva para mulheres, erradicação da fome e má nutrição, alfabetização, água potável e vacinação de crianças.

Além do abismo social mencionado acima, devemos ter em mente as consequencias ambientais do atual alto padrão de consumo, que proporcionam problemas diretos, como por exemplo: a produção excessiva de lixo,  disseminação de doenças causadas por animais que vivem no lixo, poluição do solo, aumento da emissão de gases estufa, contaminação das águas subterrâneas… E como resolver esta questão afinal?

Quem pensa que a Reciclagem é a salvação do mundo… Está enganado! A reciclagem no fim das contas apenas reduz parcialmente a deposição final de algumas categorias do lixo no ambiente (os recicláveis), e não desacelera o consumo exagerado, até o incentiva, pois, alivia o “peso na consciência” de que parte do lixo que produzimos diminuirá, pois, será reciclado.

Outros diriam que a solução talvez seja o Consumo Sustentável, aliado a inovações tecnológicas, que poderá resolver a questão do lixo, mas isso não irá desacelerar a produção, mantendo o sistema de consumo atual em pleno vapor e mais uma vez aliviando o “peso na consciência”. Está linha do consumo consciente por não ser contra-hegemônica é amplamente divulgada nos meios de comunicação.

Há os que acreditam, como eu, que a Redução do Consumo é o primeiro passo, e que a questão da geração do lixo é cultural, não podendo ser encarada como apenas um assunto técnico ou com paliativos como os até então apresentados a grande parte dos consumidores. No entanto, esse pensamento é contrário ao sistema de consumo, e ataca diretamente o capitalismo, pois uma vez que haja a redução do consumo a cadeia produtiva não se sustenta.

Não estou dizendo que é fácil reduzir o que compramos, ou mesmo filtrar o que realmente precisamos, diante dos apelos midiáticos e propagandísticos, que a sociedade do consumo praticamente nos faz engolir o tempo todo. Mas fica neste post um tema instigante de uma proposta de sairmos da nossa zona de acomodação e consumo, e que possamos pensar e fazer algo que seja diferente do que nos é imposto.