Divulgação – 25 anos sem Chico Mendes: Resgate Histórico e Novas Reflexões


Estamos utilizando o espaço do blog para a divulgação do evento organizado pelo GPTEEA – Grupo de Pesquisa em Trabalho-Educação e Educação Ambiental do IFRJ, que marca os 25 anos do assassinato do líder seringueiro, sindicalista e ativista ambiental Chico Mendes: 25 anos sem Chico Mendes: Resgate Histórico e Novas Reflexões que ocorrerá de 26 a 28 de Novembro de 17h30 às 20h no IFRJ do Campus de Nilópolis.   Continuar lendo

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Os números do blog EA Crítica em 2011


Os “duendes de estatísticas do WordPress.com” prepararam um relatório para o ano de 2011, do blog Educação Ambiental Crítica.

Aqui está um resumo:

A sala de concertos da Ópera de Sydney tem uma capacidade de 2.700 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 22.000 vezes em 2011. Se fosse a sala de concertos, eram precisos 8 concertos egostados para sentar essas Continuar lendo

Cinco de Junho – Dia Mundial do Meio Ambiente


Talvez apenas tenhamos o percebido a ponto de termos sua importância lembrada hoje, inclusive em várias camadas da sociedade, somente após uma irreversível e constante degradação.

É onde a vida, inclusive a nossa, pôde constituir-se biológica e culturalmente diversa. Não tem como marca, ser apenas intocado ou natural, embora, muitos ainda o percebam e imaginam como sendo o próprio paraíso na Terra, é claro, que sem a nossa presença. Aqui, por exemplo, como eu o julgo e vejo, ele se apresenta cinza, caótico e urbano.

No entanto, onde quer que você esteja neste momento, tendo ou não consciência disso, você é, está e faz parte dele. Mesmo que ele somente também exista, a partir de nossas próprias ou coletivas representações a respeito do que ele é ou vem a ser, local de onde se extraem os recursos, planta-se o alimento, constrói-se e vive-se.

Reconhecida sua importância, vamos encará-lo como o espaço físico, biológico, econômico, político e social onde vivemos. Não vamos falar de eminentes crises socioambientais, pois esta anunciação exagerada apenas constrói diante de nós cortina de fumaça que atordoa o refletir e não favorece o agir.

Que o dia de hoje 5 de Junho de 2011, se inicie um pensar, um refletir visando a consciência. Ser consciente não significa apenas mentalmente relacionar-se com o ambiente de maneira subjetiva, auto-consciente, precisa, clara e concisa, é ir além, do perceber-se em estar no mundo, mas ser no mundo e do mundo.

Novo Código Florestal: Licença para desmatar


É com esse trocadilho presente no título do post, que pretendo iniciar minha análise. Tenho o objetivo de tentar nortear, através de uma visão mais multifacetada possível, no entanto, não isenta de uma opinião pessoal, mas incluindo além do meu posicionamento algumas informações que eu vim colhendo ao longo de todo esse tempo que se estendeu a “novela” da votação do Novo Código Florestal.

Ontem, dia 24 de Maio, como todos bem sabem ocorreu a aprovação do relatório, diga-se de passagem não científico, do deputado relator Aldo Rebelo (PCdoB–SP) na Câmara dos Deputados. Esse relatório (projeto de Lei 1876/1999, de alteração do Código Florestal do Brasil), que visava a alteração do Código Florestal Brasileiro, Lei 4771/1965, teve aprovação significativa, totalizando 410 votos a favor, 63 contra e 1 abstenção.

Uma das primeiras críticas que podemos fazer é que o relatório de Aldo não é cientifico, e isso foi denunciado por vários pesquisadores da área ambiental, ecólogos, pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e pelo próprio Alceo Magnanini, engenheiro agrônomo de 85 anos, responsável em 1965, juntamente com a participação de outros pesquisadores, pela autoria do Código Florestal. Em entrevista a Folha de São Paulo, Magnanini afirma que “o relatório do deputado Rebelo é um atentado à soberania nacional”.

A questão principal que devemos ter em mente é: Por que aprovaram um Novo Código Florestal se o antigo era ambientalmente mais conservacionista? Não há duvidas que em pleno século XXI, é anacrônica a aprovação de uma Lei que anistiará desmatadores e suas infrações em relação ao deflorestamento de ecossistemas nativos, com consequente redução de áreas de relevante interesse ecológico e social, e que inclusive não exigirá a recuperação dessas áreas desmatadas indevidamente, inclusive nas Áreas de Proteção Permanente (APPs) localizadas em topos de morro, encostas e beiras de rios.

Há um interesse em que se flexibilize esta Lei de proteção ambiental, principalmente pelos empresários do agronegócio, que em sua maioria plantam soja para exportação para alimentação do gado europeu, cana de açúcar para produção do álcool (biocombustível) e para que se aumentem as extensas áreas de criação de gado. Ao contrário do que Aldo Rebelo dizia, que a lei não tinha por interesse beneficiar os pequenos produtores ou termos ampliação da fronteira agrícola, para uma enganosa “segurança alimentar”, ou seja, produção de mais alimento para a população brasileira.

Numa bancada composta em sua maior parte por representantes dos ruralistas, ou por deputados com pouco conhecimento das implicações de uma flexibilização de uma legislação ambiental ou mesmo parlamentares regidos por interesses espúrios… Ignorou-se todo apelo feito pelos pesquisadores, pela sociedade civil, ONGs e movimentos socioambientais, contrários as alterações, e o temido aconteceu. Inclusive numa perspectiva pior do que a imaginada, pois além do relatório, foram aprovadas emendas, dentre elas a mais polêmica, a emenda 164, que permite a continuidade das atividades agrícolas nas APPs, autoriza os Estados a participarem da regularização ambiental e a anistia os desmatadores que dilapidaram os ecossistemas brasileiros.

Após a aprovação na Câmara, o projeto de Lei será encaminhado ao Senado Federal, e posteriormente para a sansão ou veto da Presidenta Dilma… Acredito que não teremos surpresas e que a decisão permanecerá, com a vitória da alteração do Novo Código Florestal. No entanto, acredito que a revelia dos princípios democráticos e éticos, baseados no interesses e influencias de alguns grupos, não trará benefícios econômicos e nem ambientais. O que pode parecer bom em curto prazo irá permitir impactos que, em médio e longo prazo inviabilizarão a continuidade do próprio agronegócio.

Com a intensificação do desflorestamento, a intervenção direta nos cursos de água com a retirada de mata ciliar, e a ocupação em topos de morro, a dinâmica ambiental será extremamente prejudicada, e isso terá direta influência na própria produtividade das culturas agrícolas e pastos de gado. Esqueceram de dizer aos produtores que a natureza se auto-sustenta ciclicamente, e se algo neste ciclo faltar ele não se completa. Em médio prazo os riscos ambientais como, por exemplo, a desertificações, improdutividade de terras férteis, erosão do solo, assoreamento dos rios, destruição de mananciais de água, aumento da emissão de gases estufa, deslizamentos de áreas em topos de morro, não terão valido o lucro da não conservação dos ecossistemas.

Daí valerá a frase que pode ser usada com muita pertinência em situações como essa “A natureza não se engana nunca; somos nós que nos enganamos” de Jean-Jacques Rousseau.

Aproveito o final desse post, para homenagear a memória de um líder ambientalista do Pará, o José Cláudio Ribeiro (Zé Cláudio) da Silva e sua esposa Maria do Espírito Santo da Silva, que ontem foram assassinados. Graças às denuncias de Zé Cláudio, conhecido como símbolo de luta pela castanheira, pelo menos 10 serrarias foram fechadas em 2010, no entanto, sua voz foi silenciada, tristemente no mesmo dia, em que na minha opinião aconteceu um grande retrocesso em relação a defesa do ambiente.

Para entender Belo Monte


A usina hidrelétrica de Belo Monte é um projeto polêmico por si só. Vem causando controvérsias desde seu alto custo de construção que gira em torno de 19 bilhões de reais, mas também em relação a escolha da sua implantação, no Rio Xingu (PA), onde vivem inúmeros povos indígenas que foram negligenciados quanto as suas reais necessidades em relação ao desenvolvimento e implantação do projeto. Não bastasse, o seu lago terá uma extensa área de 516 km² o que causará impacto local com a inundação de uma boa parcela de floresta amazônica, além de críticas a parcialidade do Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) que uma vez concluído levou o Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) a conceder a Licença Prévia para a instalação da usina, poucos dias depois da demissão do presidente do órgão.

No vídeo abaixo, feito pelo site ((o))eco a socióloga e professora da PUC-SP, Marijane Lisboa, fala sobre os grandes projetos de hidroelétricas na Amazônia. A Professora após visitar projetos nos rios Madeira e Xingu, incluindo Belo Monte, aponta inúmeras irregularidades em relação as violações dos direitos ambientais e humanos que ocorreram no processo de aprovação desses grandes empreendimentos que, uma vez finalizados terão a capacidade de gerar 11.233 MW, o que a levará ao posto de maior usina hidrelétrica brasileira, produzindo energia suficiente para o abastecimento de 26 milhões de habitantes com alto perfil de consumo.

O que mais me preocupa, além de toda polêmica da construção da usina, é notar a sociedade alheia ou mesmo desconhecendo a causa. O pouco que se veicula na grande mídia transmite informações simplistas e parciais, o que não garante um posicionamento crítico das pessoas. Exemplo disso foi em uma sessão de tutoria para alunos da Graduação em Biologia, onde assuntei sobre Belo Monte. Num total de 12 estudantes, apenas um sabia do que se tratava e ainda se posicionou a favor do empreendimento alegando que acabariam assim os “apagões”.

Os poucos que se interessam efetivamente pela causa são professores, ecólogos, sociólogos e ambientalistas que prevendo um impacto ambiental e social eminente, tentam uma militância de resistência a construção da usina, argumentando sobre outras formas de geração de energia mais limpas e sustentáveis que gerariam menos impactos socioambientais. Uma boa notícia é que não estamos sós, alguns políticos interessados em debater com mais profundidade os temas ambientais criaram uma Frente Parlamentar Ambientalista, na Câmara dos Deputados, que terá entre suas prioridades a oposição ao início da construção da hidrelétrica de Belo Monte e as alterações no Código Florestal (outro assunto pra lá de polêmico).

Enquanto isso vamos fazendo nossa parte: informando e tomando como meta buscar analisar sempre o todo e não as partes dos problemas socioambientais, buscando a sensibilização dos leitores na busca de novas atitudes que levem a mudanças, acima de tudo críticas, em relação aos problemas socioambientais acima de tudo estimulando a participação e ação social ao exercício da cidadania plena.

Leia mais sobre Belo monte em:

Pela imparcialidade em Belo Monte
Campanha Avaaz.org: Pare Belo Monte
Belo monte de conversa fiada…

O caso da Região Serrana no Rio de Janeiro


Observo com ar de tristeza a tragédia recentemente ocorrida na Região Serrana do Rio de Janeiro. Este sentimento é inevitável, ao ver pessoas tendo suas vidas ceifadas… Eu estava passando minhas férias em Friburgo, uma das cidades mais afetadas, uma semana antes das fortes chuvas que atingiram não somente esta cidade, mas outras como: Teresópolis, Petrópolis, Sumidouro e São João do Rio Preto. O número de vítimas fatais desde a última quarta-feira (12/01), informado pela secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil, num balanço parcial do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil chegam a 591 óbitos até a tarde deste sábado (15/01). Até agora, segundo informações desta mesma secretaria a Região Serrana, tem 6050 desabrigados (pessoas que perderam as casas) e 7780 desalojados (pessoas que só poderão retornar para casa quando a situação melhorar).

Igrejiha de Santo Antônio na praça do Suspiro em Nova Friburgo, há uma semana atrás. Um dos locais afetados pelos deslizamentos.

Mas quais seriam as causa dessa tragédia, muitas das vezes anunciada, que ocorreu na Região Serrana do Rio de Janeiro? Não é novidade que esse tipo de acontecimentos tem se tornado rotineiros, quem não se lembra nos últimos dias do ano de 2009 do deslizamento de uma encosta atingiu uma pousada e mais algumas casas na Ilha Grande, em Angra dos Reis? Neste mesmo município dezenas de pessoas morreram em outro deslizamento no Morro da Carioca.

O deslizamento em áreas de encosta é um fenômeno natural provocado pelo escorregamento de materiais sólidos, como solos, rochas, vegetação ao longo de um terreno inclinado. As enchentes e alagamentos pode ser explicados pela tendência da água da chuva, de escoar para a parte baixa onde se localizam os rios. Esses são fenômenos próprios de uma dinâmica natural de um ambiente montanhoso, mas se tornam graves uma vez que haja construções e pessoas morando nestas áreas sujeitas a deslizamentos de encostas e áreas onde existem rios que tem sua própria dinâmica de mudança de curso e cheias.

O crescimento desordenado das cidades levou a ocupação destas áreas de risco, muitas das vezes negligenciados Governos, que testemunharam a expansão do crescimento urbano e não fizeram nada, possivelmente com medo de serem intransigentes ou de perderem votos. Essa omissão do poder público é histórica e somente vem a tona com acontecimentos como este de grande comoção nacional. Sem ser pessimista, e fazendo uma projeção futura, e nem preciso ser especialista para isso, é que se continuar o crescimento desordenado aliado a omissão, com certeza para os próximos anos muitos outros casos semelhantes acontecerão.

O que podemos nós, Sociedade Civil, fazer em um momento como esse? De imediato, ajudar, apenas isso e disponibilizo o link com postos de doações de alimentos, produtos de limpeza e higiene pessoal, para quem puder e quiser ajudar de maneira financeira contas bancárias oficiais para deposito.

A longo prazo podemos cobrar mais, estar mais atuante junto aos governos para que sejam feitos projetos de contenção de encostas, que pessoas em áreas de risco sejam removidas com dignidade para outra localidade. Falar em Educação Ambiental neste momento pode parecer até forçar a barra, mas será que a sociedade civil com maior poder de crítica e cientes de seus direitos como cidadãos estariam a mercê desses governos omissos? Particularmente acho que não… Mas isso é um debate para depois. A quem puder ajudar:

Link com pontos de doação no Rio de Janeiro e contas para depósito.

Blog Action Day 2010: Água


O Blog Action Day é um evento anual realizado a cada 15 de outubro*, que une blogueiros do mundo na postagem sobre o mesmo assunto no mesmo dia, com o objetivo de provocar uma discussão global e condução da ação coletiva. O tema deste ano é a água.

Pretendo colocar aqui no blog, alguns dados para informar sobre este tema e levar a discussões, caso queiram utilizar os comentários para esse debate. Ao final do post, clique na figura assine e divulgue a petição, ajudando a espalhar a palavra sobre a água limpa, demonstrando o seu apoio ao Blog Action Day e ao acesso à água potável todas as pessoas do mundo.

Segundo dados de REBOUÇAS (1999), maior parte da água disponível na Terra é salgada, encontrada nos oceanos e mares interiores equivalendo a 97,4% do total; a água doce corresponde a 2,6% restantes, sendo esta a forma utilizada pelo ser humano para atender suas demandas. Deve ser destacado, que deste total de água doce da Terra, 76,6% encontra-se em estado sólido (nos pólos na forma de gelo e no alto nas montanhas) e 23,1% encontra-se em forma líquida, potencialmente disponível ao uso humano, no entanto, apenas 0,005% nos rios, 0,28% em lagos; 22,81% a maior parte da água doce e líquida encontra-se nos lençóis freáticos na forma de água subterrânea.

Além de a água doce ser escassa quantitativamente, sua distribuição na Terra é bem heterogênea, por exemplo, na Ásia e Europa que concentram 72% da população mundial, e dispõem somente de 27% dos recursos hídricos da Terra. Outro exemplo é o Brasil, que possui cerca de 20% de toda água do planeta, concentrada na Bacia Amazônica, onde vivem apenas 0,1% da população mundial.

Em muitas regiões da Terra ocorre a escassez aguda, em muitos casos limitando seriamente o desenvolvimento social e econômico de populações que ali vivem. A UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância, estima que no mundo mais de um bilhão de pessoas não têm acesso à água limpa e potável.

Quantitativamente e qualitativamente temos pouca água doce, e mesmo nas fontes mais acessíveis ao uso e consumo humano, as águas encontradas nos rios e lagos, estas sofrem com a poluição. Pode parecer um contra-senso, mas são nesses ecossistemas aquáticos, onde são lançados boa parte dos esgotos domésticos, urbanos e rejeitos industriais, contaminando a água com produtos químicos, compostos fosfatados e nitrogenados, metais pesados representando uma grande ameaça a disponibilidade a este recurso.

O desenvolvimento da sociedade moderna aliada a distribuição não uniforme da água, associados a degradação ambiental e o aumento crescente da população pode levar a crises entre países, pois a água doce é um recurso que pode se tornar estratégico para o desenvolvimento na presença deste recurso ou não na escassez do mesmo.

Que neste Blog Action Day 2010 possamos repensar a importância da água e mais ainda naqueles excluídos ao acesso deste bem precioso a vida dos seres vivos e do planeta.

Referência:

REBOUÇAS, A.C. Água doce no mundo e no Brasil. In: Rebouças, A.C.; Braga, B.; Tundsi, J.G. (org) Águas doces no Brasil: Capital ecológico, uso e conservação. São Paulo: Inst. Estudos Avançados/USP, 1999.

* No dia 15 de Outubro é comemorado também o Dia dos Professores. Feliz dia dos professores para aquele quem não só instrui seus educandos aos conhecimentos básicos, mas também o faz ser no mundo, cidadão.