O que um blog de Educação Ambiental tem a ver com os protestos das passagens?


Essa pode ser a primeira pergunta que os nossos leitores farão, “ué, mas vocês não falam de educação ambiental?”, a resposta vem rápida: Não. Falamos de ambiente, educação ambiental, educação e trabalho, isto é, tudo o que se desenvolve em nosso ambiente, ou seja, podemos falar de tudo.  Ser um blog de educação ambiental não nos impede uma leitura crítica do mundo e das suas relações, isso é educação ambiental crítica. Continuar lendo

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O fenômeno do Diário de Classe de Isadora Faber: um contraponto


Sei que com este post, vou me aventurar em outro campo que não é o da educação ambiental crítica (o foco do blog), mas é sobre educação, e me sinto a vontade para falar sobre esse assunto pois sou professora. É também uma reflexão sobre alguns fenômenos que ocorrem nas redes sociais, que apesar de eu não possuir uma profundidade teórica grande, exercito Continuar lendo

Educação ambiental crítica: O contraponto necessário a hegemonia da educação ambiental conservadora


Esse post surgiu da necessidade da reflexão de quantos campos de disputa, existem dentro do que comumente chamamos de educação ambiental. Provavelmente em uma área de complexa formação social, existem sem dúvida algumas “educações ambientais” as quais tentaremos definir aqui, dentro da perspectiva delas serem ou não hegemônicas, e em relação as suas vertentes político-pedagógicas, epistemológicas e ideológicas. Ao final, tentaremos pontuar, as principais características da educação ambiental, em que se baseiam, ou ao menos tenta se basear, as reflexões desse blog, a educação ambiental crítica. Continuar lendo

Blogs verdes: uma reflexão necessária


O uso do computador e da internet cada vez mais facilita o acesso a informação, este é encarado como um ponto de um novo espaço, o ciberespaço. As informações contidas nos computadores em todo o mundo, no ciberespaço, possibilitam aos usuários um acesso a novos mundos, novas culturas, sem a locomoção física. Com todo este armazenamento de textos, imagens, dados, etc. fonte: Wikipédia.

Algumas estatísticas, dados e projeções atuais sobre a Internet no Brasil demonstram que possuímos 60 milhões de Continuar lendo

Podemos esperar mudanças de rumo a partir da Rio+20?


Apenas 11,5% dos brasileiros sabem o que é a Rio+20

Apenas 11,5% dos brasileiros sabem o que é a Rio+20, diz a pesquisa feita pelo Instituto Vitae Civilis, para avaliar se a população tem conhecimento e interesse sobre o evento da Organização das Nações Unidas (ONU). A Rio+20, que tem como Continuar lendo

Do pós Guerra aos 70: O nascimento do movimento ambientalista


É fato que a influência humana relacionada ao seu desenvolvimento social, sempre causou impactos sobre a natureza, variados em intensidade, grau, modo e duração. Esses impactos podem então ser reconhecidos como algo inerente à própria existência do ser humano sob a Terra. É fato também, que em nenhum momento de nossa história, esses impactos foram tão profundos e intensos, a ponto de questionarmos a nossa própria sobrevivência no planeta.

Embora o ambientalismo deva ser observado como um movimento plural e composto por diversos atores sociais, foi ele que Continuar lendo

O discurso da Sustentabilidade


Esse post baseia-se em um trecho de uma resenha crítica do um artigo “O discurso da sustentabilidade e suas implicações para a educação” de Gustavo da Costa Lima (2003).  O citado autor, realiza tendo como base a teoria discursiva de Foucault, como o discurso da sustentabilidade foi construído e carrega nele as relações de poder tipicamente relacionadas a classe hegemônica.

Para Foucault (2001) “toda sociedade controla e seleciona o que pode ser dito numa certa época, quem pode dizer e em que circunstâncias, como meio de filtrar ou afastar os perigos e possíveis subversões que daí possam advir”. Segundo Foucault, o modo como falamos e pensamos afetam profundamente a vida social, condicionando nosso comportamento e experiência, nossa visão de mundo e, por fim, o próprio mundo que ajudamos a criar.

Será que e existe apenas um discurso para a sustentabilidade?

Segundo Lima (2003) o histórico da construção do discurso da sustentabilidade tem início a partir dos anos 70 do século XX, através das movimentações sociais pela defesa da “ecologia”, das grandes Conferências da ONU que inclusive levaram a substituição do conceito do ecodesenvolvimento, por Sachs pelo conceito de Desenvolvimento Sustentável, imposto pela Comissão Brundtland. Com o termo “desenvolvimento sustentável” pretende-se, grosso modo “ecologizar a economia”. No âmbito da necessidade de hegemonizar o sistema e implantar as políticas neoliberais.

O discurso da sustentabilidade só funciona, pois, visa demonstrar que mesmo com a conservação ecológica é possível o crescimento dos negócios e economia. Esse discurso é considerado a vanguarda do ecocapitalismo mundial que visa reestruturação política e econômica do sistema aliada a conservação ambiental. No entanto a “sustentabilidade de mercado” não responde igualmente à crise social, pois, a orientação continua sendo concentração e não para a distribuição de riquezas e oportunidades. A prática tem demonstrado, por numerosas evidências, que o mercado é um eficiente instrumento de alocação de recursos, mas um perverso gestor das disparidades sociais e ambientais.

O discurso é uma expressão e exercício de poder. Assim o discurso da sustentabilidade, além de ser polissêmico, se constrói em diferentes interpretações em busca de que as diferentes visões envolvidas sejam aceitas como “verdadeira”. Embora o discurso da sustentabilidade possua um núcleo comum, a questão de um “futuro viável”, essa ideia pode ser alcançada de diferentes maneiras e através de diferentes discursos.

Segundo Lima (2003) existem algumas características que distinguem em dois grandes blocos discursivos o conceito de sustentabilidade:

1) O discurso oficial (hegemônico) da sustentabilidade em geral é considerado “verdadeiro”; aceito pelos setores governamentais, não governamentais e empresariais; quase sempre é um discurso pragmático; possui dimensão econômica e tecnológica da sustentabilidade; a economia de mercado regula o “desenvolvimento sustentável”; é baseado em tecnologias limpas e no processo econômico e de preservação ambiental; e possui como traço marcante a tendência a MODERNIZAÇÃO ECOLOGICA.

2) O discurso contra-hegemônico, da sustentabilidade tem como características: a concepção complexa e não apenas economicista da sustentabilidade social (equidade social) e ambiental; o Estado deve intervir no mercado ou estado se subordinar a sociedade civil (democracia participativa); baseia-se em sociedades sustentáveis; é avesso aos reducionismos econômicos e tecnológicos; possui como traço a ampla crítica a civilização capitalista, ao mito do progresso, ao fetiche consumista e a idolatria cientifica.

Diante do exposto é possível estabelecer qual discurso da Sustentabilidade é predominante. Fica claro também, perceber que mesmo sendo hegemônico, o discurso oficial que tenta dar conta da “crise ambiental”, e propõe “crescer sem destruir”, deixa algumas brechas contraditórias, o que o tornam ineficaz em reação a sua proposta inicial: crescer sem destruir.

Referências

FOUCAULT,  M.  A ordem do discurso. São Paulo: Edições Loyola, 2001.

LIMA, Gustavo da Costa. O discurso da sustentabilidade e suas implicações para a educação. Ambiente e sociedade, jul/dez 2003, vol. 6, n. 2, p. 99-119. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/asoc/v6n2/a07v06n2.pdf Acesso em: maio 2011