Trabalho de campo em educação ambiental


Esse post não tem como objetivo ser uma orientação metodológica pronta, pois estaríamos perdendo a essência do que é o próprio desenvolvimento de uma perspectiva crítica em educação ambiental. Ele apenas irá propor algumas formas de se repensar a importância do trabalho de campo em atividades de educação ambiental, pois essa ferramenta pedagógica, desperta um senso crítico nos envolvidos e pode ajudar na sensibilização inicial, na motivação para que estudantes e grupos sociais se mobilizem e participem de projetos de educação ambiental. Continuar lendo

Dimensões e visões sobre a educação ambiental


Neste post, pretendo falar (escrever) menos e deixar que o leitor do blog assista a esse vídeo,  produzido pela Jacqueline Bento (Mestre em Ensino de Ciências pelo Programa de Mestrado Profissional em Ensino de Ciências do IFRJ), que tem como objetivo, contribuir com a formação continuada de professores em Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar da Rede Estadual de Ensino do Rio de Janeiro.

Para ser postado no YouTube, o vídeo teve que ser dividido em 3 partes: Na  primeira há uma explanação geral das diferentes dimensões e visões sobre o que é a Educação Ambiental; Na segunda parte explica-se o que é Agenda 21 e Agenda 21 Escolar; Na última parte há uma explicação do que é a Educação Ambiental desenvolvida através de uma perspectiva crítica.

Diferentes dimensões e visões sobre a Educação Ambiental:

O que é Agenda 21:

A Educação Ambiental desenvolvida através de uma perspectiva crítica:

Os diferentes níveis de abordagem em Educação Ambiental


A educação ambiental tem como objetivo a formação do cidadão crítico e reflexivo, capacitado compreender e a interferir no mundo em que vive. Sua importância nos dias atuais refere-se, a direcionar os envolvidos numa determinada realidade socioambiental a se tornarem participativos, no sentido de atuarem como agentes modificadores de suas próprias realidades.

Tendo este entendimento, de que a educação ambiental deve ser uma facilitadora das relações de participação do sujeito com a sua própria realidade e com os problemas socioambientais contidos nela, esta assume um papel que vai além, devendo superar práticas isoladas e pautadas apenas em mudanças de atitude, sem uma perspectiva crítica.

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Níveis de abordagem em educação ambiental: sensibilização, informação, mobilização e ação

No entanto, para alcançarmos essa superação do que vem sendo realizado, no tocante a práticas conservadoras em educação, devemos ter em mente um passo-a-passo ao iniciarmos um projeto de educação ambiental, e esses são listados abaixo:

Na sensibilização buscamos o envolvimento de todos contidos na realidade socioambiental, buscamos assim identificar os atores sociais. Busca-se sensibilizar todas as pessoas contidas na realidade socioambiental, para que estas se sintam parte do processo, buscando evidenciar causas e consequencias da participação ou não delas como envolvidas no processo das mudanças socioambientais.

Após essa abordagem inicial de sensibilização, a informação passa a ser essencial, pois quanto mais acessível aos grupos excluídos, esta pode potencializar mudanças. A informação pode ser uma catalisadora das desejáveis mudanças socioambientais, pois cidadãos bem informados têm mais condições de questionar pressionando autoridades motivando-se para assumirem uma posição de co-responsabilidade e participação social.

Uma vez informados, os grupos envolvidos devem partir para o próximo passo. Na mobilização, visa-se orientar os grupos envolvidos a disponibilizarem esforços no sentido de cooperarem para uma transformação orientada, ou seja, para uma construção coletiva, que leve efetivamente a modificação dos problemas socioambientais.

A ação caracteriza-se como uma etapa já final dos níveis de abordagem em educação ambiental. É onde os grupos envolvidos, uma vez sensibilizados, informados e mobilizados partem para uma ação mais direta em relação ao problema socioambiental. É geralmente caracterizada pela realização de um projeto de intervenção em educação ambiental, visando a execução das metas coletivamente pelo grupo.

Percebemos o quanto é complexa a abordagem em educação ambiental. Não basta que esta seja apenas um processo que SENSIBILIZE as pessoas para os problemas socioambientais e que as INFORME da existência desses mesmos problemas. Esta deve ir além, MOBILIZANDO para a AÇÃO que é onde serão materializadas todas as etapas anteriores.

Educação Ambiental e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN)


A educação ambiental nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) é um dos temas transversais, e deve ser trabalhada enfatizando-se os aspectos sociais, econômicos, políticos e ecológicos. As vantagens de uma abordagem assim é a possibilidade de uma visão mais integradora e melhora na compreensão das questões socioambientais como um todo. Logo, como tema transversal, a Educação Ambiental deve estar presente em todas as disciplinas, perpassando seus conteúdos, como é desejado pelos educadores ambientais

Ao mesmo tempo ela tem a chance de estar presente em todas as disciplinas, um tema transversal não possui um “status” de ser uma disciplina única, sendo muitas vezes deixada em segundo plano em relação aos conteúdos disciplinares. A proposta dos PCNs é de uma abordagem ambiental integrada, tanto entre as disciplinas como entre a sociedade seus problemas específicos.

Será que a Educação ambiental deve ser trabalhada apenas por um professor?

Assim conseguimos diante desta perspectiva imaginar as dificuldades de se trabalhar um tema transversal como é proposto nos PCNs, pois a educação atual não valoriza esse tipo de abordagem interdisciplinar. A integração de todo o corpo docente ao trabalhar a temática ambiental, ainda é mal entendida e pouco utilizada em projetos e no cotidiano escolar. Isto se deve a maioria dos docentes não estarem capacitados para trabalhar com esses temas e ao mesmo de trabalharem em equipe. Assim a Educação Ambiental fica em geral restrita ao professor de ciências e biologia, e percebemos essa tendência que é reforçada pela inclusão, na maioria das vezes, deste tema somente nos livros de ciências.

Outra dificuldade do trabalho, interdisciplinar em projetos é que o professor, sendo pouco valorizado financeiramente, precisa investir seu tempo em muitas atividades e em diversos estabelecimentos de ensino, para obter retorno financeiro, não sendo de seu interessei ou mesmo disponibilidade de tempo planejar atividades em Educação Ambiental. Este fator também contribui de forma negativa para o desenvolvimento de atividades interdisciplinares, já que os professores não tem espaço e nem tempo remunerado, para trabalhar com os demais colegas.

Dessa forma, ao pensarmos a Educação Ambiental na escola, encontramos esta série de dificuldades, esta acaba na maioria das vezes,se mantendo como um tema pontual somente tratado em semanas pedagógicas ou atividades comemorativas no âmbito escolar, ficando restrita a este espaço e sem aplicação na comunidade.

Mesmo com todas essas dificuldades, ainda faço coro de que, a Educação Ambiental não deve ser trabalhada como uma disciplina, mas sim por todo o corpo docente. Mesmo que para isso, tenhamos que repensar o papel da própria escola e da educação, dividida e compartimentalizada em disciplinas que não se comunicam entre si.

Que no Ano vindouro, todos nós possamos estar pensando mais nesses temas e problemáticas da Educação Ambiental no Brasil, e que juntos consigamos construir novos horizontes para esta temática tão pertinente e necessária nos dias atuais. Um Feliz 2011 a todos, um ano de muitos projetos e realizações ambientais! Espero contribuir cada vez mais com este blog e até 2011.

As diferentes correntes do pensamento ecológico


A caracterização de como se deu processo histórico referente a relação Ser Humano x Natureza, já foi anteriormente descrito neste blog, sendo, este entendimento básico, para um aprofundamento teórico, quando se analisa as origens dos problemas ambientais atuais, e igualmente importante na hora em que se planeja iniciar um projeto de Educação Ambiental.

Além disso,  sendo a Educação Ambiental é uma prática Interdisciplinar, ela nos permite e exige analisar, não somente os fatores biológicos, mas também os históricos, econômicos, geográficos e sociais. Este post pretende, categorizar e diferenciar as principais correntes de pensamento ecológico presentes em nossa sociedade segundo DIEGUES (2004).

O entendimento de como se baseiam as relações sociais entre ser humano x natureza, nos leva a perceber como nós percebemos a natureza e fundamentalmente, o modo como nós nos relacionamos diretamente com ela. Segue abaixo as definições:

a) Preservacionismo – Esta corrente de pensamento ecológico com bases em uma linha ecocêntrica, tem uma visão de natureza, relacionada a esta possuir um valor intrínseco, não devendo servir aos interesses exploratórios do ser humano. Busca a preservação de áreas naturais, pelo valor que tem em si mesmas e não nos valores para o uso humano. Assim a preservação lança mão de um conjunto de métodos, procedimentos e ações que visam garantir a proteção e integridade de espécies, habitats, ecossistemas e dos processos ecológicos.

Estas áreas de preservação são criadas quando há a necessidade de preservar a natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais, garantindo assim a sua intocabilidade. Nessas áreas é vetada qualquer forma de exploração dos recursos naturais com exceção dos casos previstos pela lei como a pesquisa, lazer e ações educação ambiental.

b) Conservacionismo – Vê uma finalidade de utilidade na natureza, para uso do ser humano. O movimento dos conservacionistas atribui aos recursos naturais o uso racional. Em sua concepção a natureza é lenta e o processo de manejo pode torná-la eficiente, essas idéias foram precursoras do conceito de desenvolvimento sustentável.

Áreas de conservação são criadas na intenção de resguardar os danos ambientais que levam ao prejuízo ao meio ambiente. Nestas áreas são permitidas as intervenções humanas, inclusive a exploração de qualquer recurso natural. Nas leis brasileiras ambientais, conservação significa proteção dos recursos naturais, com utilização racional, garantindo sua sustentabilidade. Segundo o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (2002) conservação é “o manejo do uso humano da natureza, compreendendo a preservação, a manutenção, a utilização sustentável, a restauração e a recuperação do ambiente natural, para que possa produzir o maior benefício, em bases sustentáveis, às atuais gerações, mantendo seu potencial de satisfazer as necessidades e aspirações das gerações futuras, e garantindo a sobrevivência dos seres vivos em geral.”

c) Ecologia Profunda – Esta corrente do pensamento ecológico segue uma linha preservacionista extrema, numa tomada de consciência ecológica profunda, que entende que o ser humano deve utilizar a natureza apenas para seus processos vitais, e isso não dá o direito de utilizá-la com uma finalidade, ou como forma de obtenção de lucro ou vantagens.  Adeptos desta corrente dão grande importância aos princípios éticos que devem reger as relações homem-natureza, e para que estes princípios sejam postos em prática, sugerem uma grande mudança política, afetando as estruturas econômicas, tecnológicas e ideológicas.

O termo Ecologia profunda (deep ecology) foi cunhado nos anos 70, nos idos do início do movimento ambientalista e advoga que toda a natureza tem valor intrínseco independente do utilitarismo e a vida humana não tem direito de reduzir a biodiversidade.

d) Ecologia Social – Esta corrente do pensamento ecológico segue uma linha preservacionista ecocêntrica, numa visão de que a degradação da natureza está diretamente ligada ao sistema capitalista, pois a acumulação de capital é à força de devastação da mesma. Os ecologistas sociais, dizem que o termo ecologia deve propor uma concepção mais ampla da natureza e da relação da humanidade com o mundo natural.

Esta corrente de pensamento da Ecologia Social se opõe ao domínio da natureza pelo ser humano, no entanto veem os seres humanos como seres sociais que se dividem em classes sociais como pobres, ricos, brancos, negros; e criticam a noção de Estado e propõem uma sociedade democrática, descentralizada e baseada na propriedade comunal de produção, são considerados anarquistas e utópicos.

e) Eco-Socialismo/Marxismo – Esta corrente do pensamento ecológico segue uma linha conservacionista. Ela analisa a questão ambiental, não no “fato” mas o “modo” como o ser humano explora a natureza. Teve sua origem no movimento de crítica ao marxismo clássico, a partir da década de 60.  A crítica da corrente eco-marxista se desenvolve em cima da explicação do sistema capitalista onde a natureza é uma simples mercadoria, objeto de consumo ou meio de produção.

Os eco-marxistas fazem uma critica entre a oposição do culturalismo, que vê na natureza uma ameaça e no naturalismo que demonstra uma aversão pela sociedade e cultura. O naturalismo preza uma mudança que se baseia em três premissas: o homem produz o meio que o cerca e é ao mesmo tempo seu produto; a natureza é parte da nossa história; a coletividade, e não o individuo, se relaciona com a natureza, isto é, a sociedade pertence à natureza e é um produto do mundo natural. Em resumo, o naturalismo propõe que a natureza é um lugar onde o ser humano se desenvolve e evoca um novo paradigma, no qual é necessária uma mudança nesta relação destrutiva com a natureza.

E você de que modo se relaciona com a natureza? Acha que ela tem que ser preservada ou conservada? Ela é quase sagrada como propõe a ecologia profunda? Será o capitalismo o único culpado por todos os problemas socioambientais como sugere a ecologia social? Ou será que somos, enquanto sociedade, fruto da natureza, ou seja, produto natural, devendo apenas ajustar a relação destrutiva que viemos travando com a natureza como propõe o eco-marxismo?

É uma boa questão para se pensar neste dia 5 de Junho, dia Mundial do Meio Ambiente.

Referências:

DIEGUES, A. C. S. O Mito moderno da natureza intocada. São Paulo, Ed. Hucitec, 2004. 382 p.

IBAMA/MMA Sistema Nacional de Unidades de Conservação Federais do Brasil. Ministério do Meio Ambiente. Acompanha CD. 2002.

Das dificuldades sobre a prática da Educação Ambiental


Projetos de Educação Ambiental devem estar relacionados, de acordo com LOUREIRO (2004), à tomada de consciência e de reflexões críticas necessárias a uma ação transformadora e emancipatória. Devem ser desenvolvidos em longo prazo e de forma permanente, com a finalidade de sensibilizar e transformar a comunidade envolvida em pessoas capazes de mudar suas posturas individuais, pois, os envolvidos deverão se tornar multiplicadores de ideias.

Esta prática pedagógica, segundo DUVOISIN (2002), surgiu como uma necessidade de mudança de paradigmas e de encarar o papel do ser humano na natureza, pois à medida que fomos nos distanciando desta, começamos a considerá-la apenas como um recurso disponível a ser transformado em bens de consumo.  Com isso, passou a surgir em nosso planeta os problemas socioambientais ameaçando a sobrevivência do mesmo.

Um efetivo projeto de Educação Ambiental é de difícil implantação, pois além dos pontos relacionados acima, requer profissionais e indivíduos envolvidos no processo, capacitados a entender todas as dimensões dos problemas socioambientais.

Segundo GUIMARÃES (2007), a prática dos projetos em educação ambiental é incipiente de interdisciplinaridade; centrada em perspectivas comportamentalistas e individualistas; meramente conteudista e informativa na transmissão de conhecimentos; e realizada pontualmente e sem uma abordagem contínua.

A análise dos problemas socioambientais, para a educação ambiental formal, de acordo com diversos autores,  já citados neste blog, deve ter como objetivo a compreensão do ambiente, em sua totalidade, considerando a interdependência entre o meio natural, social, econômico e cultural sob o enfoque da sustentabilidade. Esta prática não é simples, uma vez que esse processo esbarra em algumas dificuldades da própria organização das instituições de ensino, onde há a fragmentação dos saberes em disciplinas, o que torna difícil a tomada da consciência destas relações observadas no mundo.

Concomitante a esta falta de interdisciplinaridade, uma educação ambiental comportamentalista e individualista propõem que apenas algumas mudanças de atitude podem ser a solução para os problemas socioambientais. Isso se dá com a transmissão de uma série de conteúdos comportamentais “ecologicamente corretos” que visam mais informar do que por em prática a crítica e o pensamento da complexidade que envolve a questão ambiental.

Não estou dizendo que a sensibilização das pessoas seja dispensável, mas não é esse o único caminho. Apenas informar as pessoas para as mudança de atitude trás alguma visibilidade para os problemas ambientais, mas com certeza educação ambiental não é isso, é algo bem maior, mais complexo, mais pedagógico e duradouro.

Referências:

DUVOISIN, I. A. A Necessidade de uma visão sistêmica para a educação ambiental: conflitos entre o velho e o novo paradigmas. In: Aloísio Ruscheinsky. (Org.). Educação Ambiental: abordagens múltiplas. 1 ed. Porto Alegre: ArtMed, 2002, v. 01, p. 91-104.

GUIMARÃES, M. A formação de educadores ambientais. Campinas, SP: Papirus (Coleção Papirus Educação) 2007, 174p.

LOUREIRO, C. F. B Trajetória e fundamentos da educação ambiental. São Paulo: Cortez, 2004.