Mergulhe na questão de Belo Monte, não fique apenas na Gota d’Água


Estou percebendo que anda re-circulando no Facebook o vídeo do movimento “Gota d’Água”. Esse vídeo é do ano de 2011, e ao que parece não se trata de uma posição da Rede Globo em relação a Belo Monte, e sim uma posição particular de alguns atores que trabalham na emissora.

Em nossa opinião o vídeo do movimento “Gota d’Água” contribui até com alguns elementos interessantes para uma reflexão, Continuar lendo

Anúncios

Paz verde


Há algum tempo aqui no blog, tive a ideia de analisar uma letra de música interessante do ponto de vista das relações de consumo, chamada Bolsa de Grife da Vanessa da Mata. Além de prazeroso o processo de escrever o post, este me rendeu alguns elogios e incentivos.  Apesar de ter gostado bastante de realizar essa análise, essas coisas não acontecem toda hora, pois eu não ouço música pensando em escrever  posts…

No entanto recentemente, revisitando algumas músicas de uma banda antiga que eu ouvia quando era mais nova, tive Continuar lendo

Comprar, jogar fora, comprar: A história da obsolescência programada


O documentário The Light Bulb Conspiracy (A conspiração da lâmpada) de Cosima Dannoritzer 2011, com o título em português de Comprar, jogar fora, comprar: A história da obsolescência programada evidencia a prática da obsolescência programada (ou planejada) como o motor da sociedade de consumo, onde desde os anos de 1920 fabricantes começaram a diminuir a vida útil dos produtos para aumentar as vendas.

Para nosso espanto, logo nas primeiras cenas é contada a história de uma lâmpada incandescente que funciona Continuar lendo

Bolsa de Grife


Estava ouvindo um álbum da Vanessa da Mata “Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias” e me deparei com essa música que faz uma crítica bem humorada e irônica das relações de consumo, a canção relata a compra frustrada de uma bolsa de grife. Na compra do item a promessa de amor, cura da gripe, cura do fogo entre outras “mentiras”, que logicamente um objeto não poderia dar a ninguém. A conclusão final se revela no refrão “Ainda tenho a angústia e a sede, a solidão, a gripe e a dor, e a sensação de muita tolice, nas prestações que eu pago pela tal bolsa de grife”.

Pode parecer até brincadeira, mas quantas vezes já não compramos “bolsas de grife” incentivados por uma propaganda, por um impulso, por uma vontade inexplicável de ter aquela roupa, aquele objeto “de nossos sonhos”, o último lançamento do qualquer eletrônico, o último modelo de aparelho de celular… O problema não está no consumir, vivemos em uma sociedade onde precisamos comprar para ter acesso aos bens materiais necessários a nossa própria vida.

O problema é o consumismo, esse sufixo “ismo” dá um tom de que algo é doentio ou relativo à doença, no próprio Wikipedia a definição “ato de consumir produtos e/ou serviços, indiscriminadamente, sem noção de que podem ser nocivos ou prejudiciais para a nossa saúde ou para o ambiente”. Muitas vezes influenciados pelas propagandas de empresas, publicidade e da cultura, somos  induzidos ao consumismo sem necessidade, é a sociedade do consumo.

Paremos um momento para ouvir a música e depois para repensar. A própria música dá a dica “Nem pensei. Impulso pra sanar um momento. Silenciar barulhos. Me esqueci de respirar Um, dois, três. Eu paro. Hoje sei que tenho tudo Será? Escrevi em meu colar. Dentro há o que procuro.

Bolsa de Grife – Vanessa da Mata

Comprei uma bolsa de grife
Mas ouçam que cara de pau.
Ela disse que ia me dar amor
Acreditei, que horror
Ela disse que ia me curar a gripe
Desconfiei, mas comprei
Comprei a bolsa cara pra me curar do mal
Ela disse que me curava o fogo
Achei que era normal
Ela disse que gritava e pedia socorro
Achei natural

Ainda tenho a angústia e a sede
A solidão, a gripe e a dor
E a sensação de muita tolice
Nas prestações que eu pago
Pela tal bolsa de grife (2x)

Nem pensei
Impulso
Pra sanar um momento
Silenciar barulhos.
Me esqueci de respirar
Um, dois, três
Eu paro
Hoje sei que tenho tudo
Será?
Escrevi em meu colar
Dentro há o que procuro

Ainda tenho a angústia e a sede
A solidão, a gripe e a dor
E a sensação de muita tolice
Nas prestações que eu pago
Pela tal bolsa de grife (2x)

Meu amigo comprou um carro pra se curar do mal

O discurso da Sustentabilidade


Esse post baseia-se em um trecho de uma resenha crítica do um artigo “O discurso da sustentabilidade e suas implicações para a educação” de Gustavo da Costa Lima (2003).  O citado autor, realiza tendo como base a teoria discursiva de Foucault, como o discurso da sustentabilidade foi construído e carrega nele as relações de poder tipicamente relacionadas a classe hegemônica.

Para Foucault (2001) “toda sociedade controla e seleciona o que pode ser dito numa certa época, quem pode dizer e em que circunstâncias, como meio de filtrar ou afastar os perigos e possíveis subversões que daí possam advir”. Segundo Foucault, o modo como falamos e pensamos afetam profundamente a vida social, condicionando nosso comportamento e experiência, nossa visão de mundo e, por fim, o próprio mundo que ajudamos a criar.

Será que e existe apenas um discurso para a sustentabilidade?

Segundo Lima (2003) o histórico da construção do discurso da sustentabilidade tem início a partir dos anos 70 do século XX, através das movimentações sociais pela defesa da “ecologia”, das grandes Conferências da ONU que inclusive levaram a substituição do conceito do ecodesenvolvimento, por Sachs pelo conceito de Desenvolvimento Sustentável, imposto pela Comissão Brundtland. Com o termo “desenvolvimento sustentável” pretende-se, grosso modo “ecologizar a economia”. No âmbito da necessidade de hegemonizar o sistema e implantar as políticas neoliberais.

O discurso da sustentabilidade só funciona, pois, visa demonstrar que mesmo com a conservação ecológica é possível o crescimento dos negócios e economia. Esse discurso é considerado a vanguarda do ecocapitalismo mundial que visa reestruturação política e econômica do sistema aliada a conservação ambiental. No entanto a “sustentabilidade de mercado” não responde igualmente à crise social, pois, a orientação continua sendo concentração e não para a distribuição de riquezas e oportunidades. A prática tem demonstrado, por numerosas evidências, que o mercado é um eficiente instrumento de alocação de recursos, mas um perverso gestor das disparidades sociais e ambientais.

O discurso é uma expressão e exercício de poder. Assim o discurso da sustentabilidade, além de ser polissêmico, se constrói em diferentes interpretações em busca de que as diferentes visões envolvidas sejam aceitas como “verdadeira”. Embora o discurso da sustentabilidade possua um núcleo comum, a questão de um “futuro viável”, essa ideia pode ser alcançada de diferentes maneiras e através de diferentes discursos.

Segundo Lima (2003) existem algumas características que distinguem em dois grandes blocos discursivos o conceito de sustentabilidade:

1) O discurso oficial (hegemônico) da sustentabilidade em geral é considerado “verdadeiro”; aceito pelos setores governamentais, não governamentais e empresariais; quase sempre é um discurso pragmático; possui dimensão econômica e tecnológica da sustentabilidade; a economia de mercado regula o “desenvolvimento sustentável”; é baseado em tecnologias limpas e no processo econômico e de preservação ambiental; e possui como traço marcante a tendência a MODERNIZAÇÃO ECOLOGICA.

2) O discurso contra-hegemônico, da sustentabilidade tem como características: a concepção complexa e não apenas economicista da sustentabilidade social (equidade social) e ambiental; o Estado deve intervir no mercado ou estado se subordinar a sociedade civil (democracia participativa); baseia-se em sociedades sustentáveis; é avesso aos reducionismos econômicos e tecnológicos; possui como traço a ampla crítica a civilização capitalista, ao mito do progresso, ao fetiche consumista e a idolatria cientifica.

Diante do exposto é possível estabelecer qual discurso da Sustentabilidade é predominante. Fica claro também, perceber que mesmo sendo hegemônico, o discurso oficial que tenta dar conta da “crise ambiental”, e propõe “crescer sem destruir”, deixa algumas brechas contraditórias, o que o tornam ineficaz em reação a sua proposta inicial: crescer sem destruir.

Referências

FOUCAULT,  M.  A ordem do discurso. São Paulo: Edições Loyola, 2001.

LIMA, Gustavo da Costa. O discurso da sustentabilidade e suas implicações para a educação. Ambiente e sociedade, jul/dez 2003, vol. 6, n. 2, p. 99-119. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/asoc/v6n2/a07v06n2.pdf Acesso em: maio 2011

O Saber Ambiental


Iniciarei o post, baseada nas ideias de ENRIQUE LEFF, autor do livro SABER AMBIENTAL, 6ª edição ed. vozes. Numa perspectiva história, LEFF pontua que a “crise ambiental” começa se evidenciar nos anos de 1960 do século XX, caracterizando-se por ser um reflexo da “irracionalidade ecológica dos padrões de produção e consumo, e marcando os limites do crescimento econômico” (p. 15).

Segundo o autor o conceito de desenvolvimento sustentável, que levaria teóricamente a uma sustentabilidade ambiental, nada mais é do que uma maneira de ecologizar a economia, na tentativa de eliminar a contradição entre o crescimento econômico e preservação da natureza. Essa resignificação da relação destrutiva do capitalismo, que se encontra em sua “fase ecológica”, com a natureza, através do discurso do desenvolvimento sustentável, faz-se necessária para que o crescimento não cesse.

Assim, o discurso da sustentabilidade apresenta-se num tom neoliberal ambiental, de maneira que “as políticas de desenvolvimento sustentável vão desativando, diluindo e deturpando o conceito de ambiente” (p.21) a fim de que o livre mercado se amplie assegurando o “perpetum mobile” do crescimento econômico. Além do crescimento econômico, o discurso do desenvolvimento sustentável, se apóia em outros dois pontos o equilíbrio ecológico e a igualdade social.

A tecnologia assume um papel importante na manutenção desta tríade: a tecnologia, cujo papel é o de reverter a degradação na produção, distribuição e consumo de mercadorias.

Encontramo-nos em tal situação, que o autor não reconhece apenas a “ambientalização do conhecimento”, realizada em geral nas “aulas de educação ambiental” como solução para dar um horizonte às discussões socioambientais. Segundo LEFF é necessário uma visão mais ampliada, o que ele propõe como o Saber Ambiental.

O Saber Ambiental desafia as ciências em suas bases mais sólidas, pois, uma vez que necessitam de uma analise interdisciplinar das relações natureza-sociedade, coloca as certezas dos paradigmas absolutos e imutáveis sob a incerteza de suas próprias certezas. Assim “o Saber Ambiental se produz numa relação entre a teoria e a práxis” (p. 235). A práxis segundo Paulo Freire é a teoria do fazer, ou seja, para alcançarmos o Saber Ambiental, devemos exercitar nossa práxis em torno de nosso próprio fazer pedagógico diário.

Referência:

LEFF, Enrique. Saber ambiental .6. ed. Petrópolis: Vozes, 2008. 494 p.

Originalmente públicado em no blog: Debates Conceituais no Ensino de Química (como parte da avaliação desta disciplina do Mestrado/IFRJ)

Educação ambiental em foco – por CH e Celso Sánches


Hoje, ouvi uma entrevista em um podcast (uma espécie de programa de rádio divulgado pela Internet) do Estúdio CH, realizado pelo Instituto Ciência Hoje. O tema foi Educação ambiental e o entrevistado o biólogo e educador ambiental Celso Sánchez.

Através de uma retrospectiva das origens da educação ambiental, que datam da década de 70, do século XX, Sánchez, nos coloca que no principio a educação ambiental era entendida apenas como uma “aula de ciências”, associada ao ensino de biologia, e inserida nos livros didáticos como temas de meio ambiente e ecologia. A questão é, será que mudamos muito dos anos de 1970 para cá? Conforme ele mesmo coloca, hoje em dia sabemos que a inclusão da visão social é importante, mas será que isso é realizado na prática, ou a educação ambiental continua reproduzindo ideias ultrapassadas?

O biólogo coloca muito bem, a relação dos problemas ambientais com a questão da justiça ambiental, e que o meio ambiente não existe a parte da sociedade humana (visão dicotomizada). Segundo o biólogo a tendência atual é que a educação seja realizada para além dos muros das escolas, nos espaços informais, nas empresas, comunidades, ONGs. E que a união desses movimentos sociais e com as visões acadêmicas, levam a uma oxigenação dos temas, das práticas e das teorias levando a construção de uma educação ambiental multifacetada.

Sánchez ainda cita os objetivos da Ciência, Tecnologia Sociedade e Ambiente (CTS & A), onde o ensino de ciências passa ter como foco a formação de pessoas críticas e aptas a se posicionarem em discussões sobre ciência, tecnologia e ambiente, temas estes presentes em suas e nossas vidas. Como citado pelo biólogo, para ter por opiniões sobre Belo Monte e as alterações no Código Florestal, a Educação Ambiental “É fundamental que a gente tenha uma população consciente da questão ambiental, que saiba se posicionar diante desta temática, que tenha uma alternativa, para se discutir o que está se querendo como desenvolvimento” disse Sánchez.

Perguntando pelo entrevistador, se o ensino de educação ambiental consegue dar conta de ser também um ato político, Sánchez finaliza dizendo que entre avanços e retrocessos, as reflexões críticas sobre a temática ambiental continuam incipientes… No erro de uma educação ingênua, conservacionista, sem um viés político.

Para ouvir clique aqui.